Novos Tempos

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- Amor, eu já estou quase pronta. - gritou. - Mas, confesso que estou um pouco curiosa. Você ainda não disse onde vamos. - passou o batom.

- Surpresa uai. Não posso falar se não deixa de ser surpresa. - ele a encarou, estarrecido. - Nossa senhora...

Irene terminava de ajeitar o vestido frente ao espelho quando ouviu passos atrás de si. Antes que pudesse se virar, sentiu as mãos firmes de Antônio pousarem sobre sua cintura.

- Mulher, mulher... - ele murmurou, a voz carregada de admiração. - Você tá bonita demais.

Ela sorriu, ajeitando o brinco e encontrando o olhar dele pelo reflexo.

- Você diz isso porque eu sou sua noiva. - brincou, enquanto soltava os grampos dos cabelos.

- Você é minha mulher. - afirmou, seriamente. - Nunca deveria ter deixado de ser. Nunca.

- Um papel não diz nada meu amor. Nada. Nunca deixei de me sentir tua mulher. - encarou seus olhos. - Nunca. Agora vamos?

Antes de saírem, Irene foi até Neide, que estava acomodada na sala. Ela observava Aruna, que brincava dentro do cercadinho.

- Neide, só para confirmar tudo... Eu tirei leite durante a tarde e coloquei nos potes. Estão lá no freezer. Todos eles tem a hora que eu tirei. Tem que dar o que eu tirei mais cedo primeiro. Quando for dar para a Aruna, é só mornar, tá? - Irene disse, com um tom carinhoso, mas também atento.

Neide acenou afirmativamente, sorrindo.

- Pode deixar. Vou aquecer tudo direitinho.

Irene fez uma pausa e olhou para a filha, ainda brincando tranquilamente nos braços de Neide. Depois de alguns segundos, ela voltou a falar, mais séria agora.

- E, Neide, você precisa ficar atenta. Se a Aruna demorar muito para dormir, pode prejudicar a rotina dela. E a rotina é essencial para o crescimento dela. O sono é fundamental, sabe?

Neide assentiu, entendendo a preocupação de Irene.

- Pode deixar Dona Irene, eu não demoro a colocar ela para dormir não.

Irene olhou para a filha mais uma vez e, sem perceber, deu um pequeno suspiro, sentindo o amor imenso que tinha por ela. Antes de virar para Antônio, ela fez um gesto como se fosse se despedir, mas parou e voltou para Neide.

- Ah, e Aruna está tampando o rosto com a manta enquanto dorme. Fica atenta para não deixar cobrir demais, Neide. Por favor, tenho medo que ela se sufoque.

Neide sorriu e a tranquilizou.

- Pode deixar, Dona Irene. Eu cuido dela direitinho.

Irene, ainda um pouco relutante, virou-se para Antônio, que já a observava com carinho, aguardando.

- Eu... Eu não sei, Antônio. - exitou. - Será que não é melhor ficarmos? Eu não queria deixar a Aruna em casa sozinha depois de tudo o que aconteceu.

Antônio se aproximou dela com uma expressão tranquila e segura.

- Irene, eu sei como você se sente, mas podemos confiar na Neide. Ela vai cuidar da nossa filha enquanto a gente sai para respirar um pouco.

Ela olhou nos olhos dele, ainda com alguma apreensão, mas ele a segurou pelos ombros com firmeza e carinho.

- A gente não demora, Irene.

Irene suspirou, sentindo o peso das palavras dele e, ao mesmo tempo, a confiança que ela tinha nele. Ela assentiu lentamente.

- E se acontecer qualquer coisa, você me avisa em Neide. Tô indo mas tô com o celular.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora