Antônio On:
Eu não gosto quando a Irene deixa de fazer planos para o futuro. Não gosto quando ela assume um destino que nem sequer sabemos ser o seu. Me apavora profundamente pensar na possibilidade de viver a vida sem a mulher que eu tanto amo e cada vez que falamos sobre isso, eu tenho ainda mais ódio de Damião por ameaçar tirar de mim o que eu tenho de mais precioso: A minha família e eu espero que ela saiba que, eu não vou deixar nada de ruim acontecer, antes de batalhar com todas as minhas forças para protegê-la. Não vou.
- Antônio?! Puxou o braço do homem assim que ele ameaçou se levantar da poltrona ao lado da sua. Eu não sei se serei forte o suficiente. Alisou a barriga redonda, antes de voltar-se para ele.
Irene tremia. Seus pensamentos estavam tumultuados, um misto de amor pela vida que crescia dentro dela e o medo angustiante do desconhecido que a esperava no dia do parto. Perdida no limbo infinito entre o amor e o medo. Era forte, mas duvidara da própria força nesse momento.
Ela olhou fixamente para a paisagem, onde os últimos raios de sol dançavam antes de desaparecerem no horizonte.
- Eu não quero morrer. Confessou.
- Tem alguma coisa que você precisa me contar? A encarou, enquanto ela continuava concentrada no infinito. Tem algo que eu ainda não sei sobre Damião e suas ameaças a você?
Irene On:
Eu poderia mentir mais uma vez. Poderia dizer que já não via Damião há muito tempo e só tinha medo das ameaças dele. Eu poderia inventar todo um discurso que o fizesse seguro, eu já o fiz outras vezes. Sou perfeitamente capaz de recriar uma noite linda sobre a noite que eu tenho tanto medo. Mas, eu não quero. Não quero mais construir uma vida, ou parte dela, sobre mentiras. Já tentei uma outra vez e vi tudo desmoronar como um castelo de areia. Eu não quero viver com medo. Mas, também não quero viver mentindo. E muito menos, fugindo do problema.
- Tem. Afirmei, sem pensar muito no que dizer. Tem sim.
- Irene?! Se ajeitou, visivelmente nervoso. O que está acontecendo? Você parece nervosa. Tentou controlar o tom da voz.
- Quando você foi para a capital... Começou. O Damião esteve aqui.
- Esteve aqui... Como? Se levantou. Aqui, dentro de casa? Quase gritou, assustando a esposa. Me desculpa. Se sentou novamente. Continue por favor.
- Bom, ele... Parou, angustiada.
- Ele o que? Fala Irene. Fala logo o que esse desgraçado veio fazer aqui. Ele tentou te matar? Apontou uma arma para você? Foi isso?
- Não. Balançou a cabeça, demonstrando negatividade. Não foi isso o que ele veio fazer.
- E o que foi que ele fez então? Gritou novamente. Eu estou ficando nervoso, Irene. Ta me angustiando essa sua demora em dizer o que aquele verme veio fazer na minha casa enquanto eu estava viajando e...
- Ele não quer me matar Antônio. Resumiu, ao tocar sua mão. Na verdade, ele nunca quis. Ele só me quer. Sofreu.
- Como assim, te quer? Reagiu, incrédulo.
- Ele me agarrou, Antônio. Revelou. Veio até aqui, invadiu o nosso quarto, ameaçou mandar que os homens dele matassem você, caso eu não fizesse o que ele mandasse. Ele me perseguiu pela casa e eu tive que usar uma das injeções do Daniel para me proteger. Detalhou. Enfim, ele não conseguiu o que queria porque eu fugi para o quarto do Caio, me escondi, e liguei para o Luigi. Tranquilizou o marido. Ele foi embora Antônio. Mas, eu sei que ele vai voltar. Revelou. Ele já voltou. Eu sinto a presença dele, sei que ele está aqui, esperando o momento certo para tentar de novo.
- Você não vai a lugar algum. Se levantou novamente da poltrona.
- Antônio?! Seguiu o homem. O que você vai fazer?
- O que eu já deveria ter feito a muito tempo. Revelou. Eu vou dar a ordem.
- Que ordem, Antônio? Insistiu.
- Eu vou mandar matar Damião. Só faria isso na próxima semana. Mas, quero ele morto, hoje mesmo. A encarou, estridente. Hoje. Repetiu, antes de andar apressado, a deixando para trás.
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Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
