Era madrugada, e Irene andava pela sala da casa segurando Aruna, que choramingava em seus braços. A pequena de agora dois meses parecia resistir ao sono com uma energia que Irene não sabia de onde vinha. As olheiras denunciavam noites mal dormidas, mas ela continuava balançando a filha de um lado para o outro com paciência. O calor do corpo da bebê, apesar do cansaço, trazia uma sensação de conforto que Irene não conseguia explicar.
Antônio entrou na sala, os cabelos bagunçados e o semblante preocupado. Ele não se acostumava com a ideia de que Irene sempre aparentava calma, mesmo diante da tempestade que havia sido a última semana.
- Você precisa descansar, Irene - Disse ele, aproximando-se devagar. - Eu cuido dela.
Irene sorriu, mas não entregou Aruna. Ela sabia que Antônio tinha as melhores intenções, mas cuidar da filha era algo que, para ela, ia além de obrigação; era um consolo.
- Estou bem, Antônio - respondeu com a voz baixa para não assustar Aruna, que começava a fechar os olhos. - Além disso, depois de tudo o que passamos, uma noite em claro não é nada.
Antônio franziu o cenho, cruzando os braços.
- Depois de tudo o que passamos? Irene, Damião sumiu, mas não sabemos por quanto tempo. E eu... não me sinto tranquilo.
- Eu me sinto - Irene respondeu com firmeza, balançando a bebê de leve. - Damião sempre foi barulhento, sempre quis chamar atenção. Se ele sumiu, é porque percebeu que não pode mais nos atingir.
Antônio suspirou, passando a mão no rosto. Ele admirava a força de Irene, mas não compartilhava da mesma confiança. Damião havia sido uma sombra constante em suas vidas, e o silêncio dele era mais inquietante do que os confrontos.
- Só estou dizendo que devíamos ficar atentos. Você sabe como ele é.
Irene se aproximou, colocando a mão livre no ombro de Antônio.
- Eu sei como ele era. E sei que, com você ao meu lado e Aruna nos meus braços, não há nada que ele possa fazer para nos separar.
Antônio encarou Irene por um momento, desejando ter metade da segurança que ela demonstrava. Ele sabia que Irene estava exausta, mas também sabia que havia algo inquebrável nela.
Aruna finalmente adormeceu, e Irene a levou para o berço com cuidado. Quando voltou para a sala, encontrou Antônio sentado no sofá, perdido em pensamentos. Ela sentou-se ao lado dele e segurou sua mão.
- Vamos superar tudo isso juntos, Antônio. Como sempre fizemos.
Antônio apertou a mão dela e, por um breve momento, sentiu que talvez ela tivesse razão. Talvez Damião realmente não fosse mais do que uma sombra do passado. E, enquanto estivessem juntos, poderiam enfrentar qualquer coisa.
Durante a madrugada, Aruna voltou a se incomodar. Antônio acordou assustado com o som da babá eletrônica, e correu para acudir a filha, antes que sua mãe, que dormia exausta ao seu lado, se levantasse novamente.
- Ô minha filha, que é que foi? O que você tem hoje? - Sussurrou ao acolher a caçula. - Você sempre foi tão tranquila. Nunca deu trabalho para dormir. Fala para o teu pai. Conta o que tá acontecendo. - A pegou do berço, afagando-a em seus braços.
Enquanto Irene descansava no quarto, Antônio andava pela sala com Aruna nos braços. A pequena resmungava de leve, ainda sonolenta, mas tranquila. Ele a segurava com firmeza e delicadeza, sentindo o calor do corpo dela contra o peito. Era incrível como algo tão pequeno podia ocupar tanto espaço em seu coração.
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Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
