Eu te Perdôo

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Irene caminhava pela cidade com passos apressados, sentindo o peso da discussão com Antônio ainda esmagando seu peito. Seus olhos estavam marejados, e por mais que tentasse se manter firme, sentia o nó na garganta crescer.

Ela parou ao lado do carro, respirando fundo, tentando controlar as emoções antes de colocar Aruna na cadeirinha. Mas seus dedos tremiam tanto que ela teve dificuldade em abrir a porta.

Irene?

A voz familiar fez com que ela virasse rapidamente, tentando esconder o rosto. Vinícius se aproximava com um olhar preocupado.

Oi, Vinícius...

Ele observou Aruna em seu colo e, sem hesitar, pegou a menina nos braços, balançando-a suavemente.

Eu e Iraê já estamos com saudades dessa pequena — disse ele, sorrindo para a criança, que retribuiu com uma risada inocente.

Irene forçou um sorriso, mas sua voz ainda carregava um resquício de tristeza.

Ela também sente falta de vocês...

Vinícius estreitou os olhos ao analisar sua expressão.

Você está bem?

Ela desviou o olhar, mordendo o lábio para conter as lágrimas.

Só um dia difícil.

Ele suspirou, sem querer pressioná-la, mas também sem ignorar sua dor.

Quer conversar?

Irene hesitou, olhando para Aruna nos braços dele. Aquele olhar gentil sempre a desarmava.

Não tem muito o que falar... murmurou, dando de ombros. — Só que às vezes eu penso que tudo teria sido mais fácil se eu tivesse me apaixonado por você.

Vinícius arqueou as sobrancelhas, pegando-a de surpresa.

Essa é nova... — ele soltou um riso suave, mas seus olhos demonstravam mais surpresa do que humor. — Todo mundo sabe o quanto você é apaixonada pelo Antônio...

Irene sorriu de canto, com um toque de amargura.

Pois é. pareceu lamentar. — Você sempre foi tão bom pra mim, Vinícius. Sempre presente, sempre paciente. E mesmo assim... Enfim, uma pena a gente não conseguir mandar no coração né.

Ele coçou a nuca, um pouco sem jeito.

Achei que agora tudo ficaria bem pra vocês...

Ela soltou um riso baixo, balançando a cabeça.

Eu também pensei. Mas pelo jeito... meu destino é não ser infeliz mesmo.

Vinícius segurou sua mão por um instante, um gesto de apoio silencioso.

Ei, não fala assim... Você merece ser feliz, Irene. É uma mulher muito especial. Você tem que ser feliz e você vai ser.

Ela respirou fundo, tentando segurar as lágrimas que insistiam em se acumular.

Se eu vou ser, eu não sei... Mas agora eu só quero voltar pra casa.

Ela olhou para Aruna e sorriu fraco.

Me ajuda a colocar ela no carro?

Vinícius assentiu prontamente e abriu a porta de trás. Com cuidado, prendeu Aruna na cadeirinha enquanto Irene observava, sentindo uma pontada de conforto com a presença dele.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora