O impacto das palavras foi como um soco no estômago. Irene deu um passo para trás, as mãos trêmulas, e Antônio olhou para o delegado, sem acreditar.
― O quê? Como assim? ― Antônio perguntou, sua voz rouca. - Que história é essa que cê tá dizendo pra mim?
Ayres fez uma pausa, suspirando profundamente.
― Encontraram o corpo dele ao lado do rio, em estado avançado de decomposição. Ele foi provavelmente morto há alguns dias. Parece que houve uma briga, mas... não há mais dúvida. O corpo é dele.
Irene sentiu como se o chão estivesse desaparecendo sob seus pés. O rosto de Antônio empalideceu.
― Mas... como isso pode ser possível? Ele... Imaginamos que ele tenha sido o último a ter contato com a nossa filha. Será que... será que ele a levou para... ― a voz de Irene falhou.
Ayres balançou a cabeça.
― Não sabemos. O corpo de Damião não estava com sinais de violência aparente. Mas é evidente que ele morreu recentemente. Isso só adiciona mais perguntas, mais complexidade ao caso. Não podemos afirmar ainda se ele estava envolvido diretamente no desaparecimento de Aruna, mas sua morte certamente complica tudo.
Irene sentiu uma dor lancinante no peito. A morte de Damião não trazia alívio. Não trazia respostas. Só mais uma camada de mistério e dor sobre suas vidas. A angústia, em vez de diminuir, só se tornava mais intensa.
― O que fazemos agora? ― Antônio perguntou, sua voz tensa.
Ayres olhou para os dois, sua expressão suave agora, uma tentativa de tranquilizá-los.
― Vamos seguir investigando. A morte de Damião pode ser a chave para entender o que realmente aconteceu com Aruna. Agora, precisamos continuar as buscas. Não vamos desistir. - encarou os pais desesperados - damos a nossa palavra.
Irene olhou para Antônio, e juntos, tomaram uma decisão silenciosa. Não desistiriam. Não importava o que acontecesse, encontrariam Aruna. Eles não podiam perder mais tempo.
― Vamos até o fim. ― Irene murmurou, com uma força renovada.
O silêncio entre Irene e Antônio enquanto dirigiam de volta para casa era tão espesso que parecia sufocar o ar dentro do carro. Irene olhava fixamente para a estrada, mas seus pensamentos estavam longe, presos no dia em que tudo desmoronou. Antônio, ao lado, parecia querer dizer algo, mas se segurava, sabendo que qualquer palavra poderia desencadear outra explosão de emoções.
Finalmente, Irene quebrou o silêncio, a voz baixa, mas carregada de tensão.
― Eu não consigo parar de pensar... Se eu não tivesse me distraído... Se eu tivesse ficado mais atenta...
Antônio franziu o cenho, desviando os olhos da estrada para olhar para ela.
― Do que você está falando?
Irene apertou o volante com força, como se tentasse conter as palavras, mas não conseguiu.
― Estou falando daquela noite, Antônio. A noite em que tudo mudou. A noite em que eu estava com você, fazendo juras de amor e me divertindo na cama enquanto nossa filha desaparecia.
Antônio piscou, surpreso.
― Irene, você não pode se culpar por isso. Nós não tínhamos como saber...
― Não! ― ela interrompeu, a voz subindo. ― Você não entende? Eu deveria estar com ela, protegendo-a. Mas ao invés disso, eu estava... ― Ela parou, engolindo as palavras, o rosto agora marcado por lágrimas que caíam silenciosamente.
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Antorene: The After
Fiksi PenggemarE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
