O quarto estava tomado pelo cheiro de terra molhada que entrava pela janela entreaberta. O som da chuva ainda ecoava lá fora, misturando-se à respiração acelerada dos dois.
Irene estava deitada de costas, o corpo ainda sensível ao toque de Antônio, que a segurava possessivamente pela cintura. A mão quente dele deslizava suavemente por sua pele nua, como se tentasse memorizar cada detalhe.
Mas a realidade voltou a bater forte quando ela abriu os olhos.
O que diabos ela tinha feito?
Antônio percebeu a mudança na respiração dela e, sem abrir os olhos, sussurrou:
— Se você for começar a se arrepender, juro que te prendo aqui até você mudar de ideia.
Ela virou o rosto para encará-lo, os olhos faiscando.
— Você realmente acha que o que aconteceu aqui muda alguma coisa, Antônio?
Ele abriu os olhos devagar e a olhou de lado, um sorriso de canto surgindo em seus lábios.
— Acho que muda tudo.
Irene bufou, sentando-se na cama e puxando o lençol para cobrir o corpo.
— Você é inacreditável!
Antônio se ergueu nos cotovelos e a observou.
— O que foi agora? Vai fingir que não queria isso tanto quanto eu?
Ela passou as mãos pelos cabelos molhados, irritada consigo mesma.
— Esse não é o ponto!
— Então qual é o ponto, Irene? — ele perguntou, com a voz mais baixa, mais séria.
Ela se virou para encará-lo.
— O ponto é que eu ainda vou embora! — sua voz era firme. — Eu não vou negar o quanto a nossa transa foi boa. Mas, uma coisa não tem nada a ver com a outra.
A expressão dele endureceu.
Depois de tudo o que aconteceu, você ainda quer fugir?
Ela sentiu o peito apertar.
— Eu não estou fugindo! Eu estou me libertando!
Antônio se levantou, segurando o lençol enrolado na cintura, e parou bem na frente dela.
— Libertando de quê? De mim?
— De nós — ela corrigiu. — De tudo que esse nosso relacionamento já me causou!
Os olhos dele brilharam com uma mistura de raiva e frustração.
— Então por que diabos você não me parou? Porque você transou comigo?
Ela ficou em silêncio por um momento, mordendo o lábio inferior.
— Porque eu sou fraca — admitiu, a voz falha. — Porque, mesmo depois de tudo, ainda existe algo em mim que te quer.
Antônio estendeu a mão e segurou seu rosto com delicadeza.
— Irene...
Ela fechou os olhos por um instante, permitindo-se sentir aquele toque. Mas, então, afastou-se.
— Mas isso não muda nada — disse, firme. — Eu ainda vou embora depois do batizado de Aruna. - comunicou. — Foi bom. Foi maravilhoso. Mas, essa foi a última vez. Foi a nossa despedida. Não vai mais acontecer.
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Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
