Fascínio

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Os últimos três meses haviam sido um turbilhão para Irene e Antônio. Entre mamadeiras, choros incessantes e noites mal dormidas, o relacionamento deles parecia estar em pausa. Irene, agora mãe pela terceira vez, sentia-se consumida pelas demandas da recém-nascida e muitas vezes distante de quem ela era antes da maternidade tardia. Contudo, algo dentro dela estava mudando. O desejo de reconquistar a intimidade com Antônio começou a crescer, e naquela noite ela decidiu que era hora de agir.
Depois de semanas planejando, Irene finalmente encontrou o momento perfeito. Escolheu uma camisola de seda vermelha que abraçava suas curvas de maneira sútil, mas irresistível. Complementou o visual com joias brilhantes e uma maquiagem delicada, que destacava seu olhar renovado e cheio de intenção.
O quarto estava iluminado apenas pela luz suave dos abajures, cuja claridade dançava nas paredes como cúmplices silenciosos de sua trama.
Quando Antônio abriu a porta, seu olhar foi imediatamente capturado por ela. Ele parou em seco, os olhos arregalados, como se não acreditasse no que via.

- Você... está maravilhosa - murmurou, sem conseguir desviar o olhar.

ANTÔNIO ON:
Eu nunca imaginei que pudesse me apaixonar pela mesma mulher tantas vezes. Irene... minha Irene. Às vezes, penso que a conheço como a palma da minha mão, mas então ela faz algo - um gesto, um sorriso, uma palavra - e de repente me vejo encantado, como se fosse a primeira vez.
Essa noite foi diferente de todas as outras, nos últimos meses. Quando abri a porta do quarto, não estava preparado para o que me aguardava. Lá estava ela, envolta em uma camisola vermelha de seda que parecia feita para o seu corpo ou para aquele momento. A luz dos abajures criava um jogo de sombras em sua pele, destacando sua beleza de um jeito quase etéreo. Mas não era só isso. Não era apenas a roupa ou as jóias que brilhavam em seu pescoço. Era o jeito como ela me olhava, com uma intensidade que eu não via há meses. Como se quisesse me lembrar de algo que eu já sabia, mas que a rotina quase me fez esquecer: Ela era tudo o que eu sempre quis.
E então ela sorriu. Não era um sorriso qualquer. Não era o sorriso que ela dá para as visitas ou para as amigas. Era um sorriso cheio de segredos, de intenções. Um sorriso que parecia feito só para mim. Meu coração acelerou. Eu estava perdido e sabia disso. Cada passo que ela dava em minha direção era uma eternidade e, ao mesmo tempo, um segundo. Eu não conseguia tirar os olhos dela. Por um momento, me perguntei se isso era um sonho. Porque, se fosse, eu não queria acordar. Irene parou na minha frente e colocou a mão no meu peito. Foi um gesto simples, mas senti como se meu mundo inteiro tivesse mudado naquele instante.
Eu a quero. Preciso entrar dentro dela de forma urgente. Preciso sentir seu calor envolver a minha pele, meu corpo, minha intimidade. Eu preciso dessa mulher, embaixo de mim. Ou em cima. Tanto faz. Preciso dela por longos instantes, enquanto me sacio da saudade de tocá-la.

- Eu pedi que a babá cuidasse de Aruna essa noite. - Anunciou. - Tenho planos por todo esse tempo até o amanhecer.

Irene sorriu, confiante e com um toque de malícia. Sabia exatamente o efeito que estava causando. Aproximou-se lentamente do marido, cada passo carregado de expectativa.

- Eu adoro a forma com que você acende o meu corpo sem precisar de grandes esforços para isso.

Antônio ficou paralisado, ainda na porta, o coração acelerado. Ela parecia tão diferente, tão radiante. Algo havia mudado em Irene, e ele sentia isso. Não era apenas a beleza óbvia, era a confiança que ela exalava.

- Eu... não sabia que você estava planejando me matar. - ele disse, a voz rouca de surpresa.

IRENE ON:
Às vezes, sinto que o olhar de Antônio é capaz de despir minha alma. Não importa quantos anos se passem desde que nos conhecemos, ainda me surpreendo com a intensidade que ele me dedica, como se fosse a primeira vez que me vê. Mas hoje foi diferente. Hoje, ao entrar no quarto e encontrar seu olhar fixo em mim, algo mudou.
Ele me olhava como se fosse um homem faminto, como se eu fosse um banquete que ele esperou por toda a vida. Era um desejo cru, incontrolável, mas não apenas físico. Não. O jeito como ele me olhava ia além disso. Era como se ele quisesse devorar, cada pedaço de quem eu sou, cada parte do que represento para ele. E, por um momento, fiquei paralisada.
Antônio sempre teve esse poder sobre mim. Mas, nos últimos meses, depois do nascimento da nossa filha, eu me perguntei se ele ainda me enxergava como antes. Com tantas noites mal dormidas, tantas preocupações e inseguranças, comecei a acreditar que a mulher que ele desejava não existia mais. Que ela havia sido substituída pela mãe, pela cuidadora, pela versão de mim mesma que só vivia para o outro.
Mas hoje, quando ele parou na porta, com aquele olhar que parecia atravessar cada camada da minha existência, eu soube que estava errada. Porque o desejo nos olhos de Antônio não era só por meu corpo - apesar de eu saber que ele o queria. Era por mim. Pela mulher que ele sempre amou e que, mesmo quando tentava negar, nunca deixou de querer.
Eu sabia exatamente o efeito que estava causando. Escolhi aquele vestido, aquelas jóias, aquele momento, para despertar nele o que nunca pareceu adormecido. Mas, no fundo, eu também queria me redescobrir.
Quando me aproximei, vi o modo como ele segurava a respiração, como se temesse que o momento escapasse se ele se movesse. Seus olhos percorriam cada detalhe - meu rosto, meu corpo, minha postura -, e eu percebi que ele estava completamente cativado. Era fascinante saber que, mesmo depois de tudo o que passamos, eu ainda tinha esse efeito sobre ele.
Eu queria testar os limites daquele olhar. Queria ver até onde ele iria, quanta fome ele tinha de mim.
Aquele olhar me queimava por dentro. Me fazia esquecer qualquer insegurança, qualquer medo. Ele me desejava, sim, mas também me admirava. E isso, mais do que qualquer coisa, era o que me fazia sentir viva.

Irene inclinou a cabeça levemente, seu sorriso enigmático.

- Você sempre soube que eu sou cheia de surpresas, Antônio. - Ela parou a poucos centímetros dele, colocando a mão suavemente em seu peito, enquanto o puxava para um beijo deleitoso. - Tranca a porta - ordenou, a voz baixa e sedutora, saia de uma boca agora quase sem batom.

IRENE ON:
Quando ele finalmente me tocou, senti como se cada célula do meu corpo respondesse. Não havia hesitação em suas mãos, em seus lábios, em seu corpo contra o meu. E eu percebi que, enquanto ele me olhasse daquele jeito, eu nunca precisaria de mais nada. Porque, para Antônio, eu sempre seria a mulher que ele queria devorar. E, para mim, ele sempre seria o homem para quem eu queria, e daria, tudo de mim.

Antônio engoliu em seco, sem pensar duas vezes antes de girar a chave. Quando se virou para encará-la novamente, sentiu-se como um adolescente apaixonado. Irene estava mais próxima, e o calor que emanava era quase palpável.

- Eu sabia que você precisava de mim... de nós dois, juntos novamente - disse ela, seus olhos fixos nos dele, buscando algo em sua profundidade. - Eu disse que esse dia chegaria. E ele chegou.

- Você é perfeita, Irene - sussurrou Antônio, sua respiração entrecortada. - Eu esperava ansiosamente por isso. Nunca me acostumei com a distância. Te desejei todos os dias, nesses três últimos meses.

Ela sorriu, com um sorriso doce, mas carregado de mistério.

- Eu também senti isso, Antônio. Mas sabia que esse momento chegaria. A maternidade mudou muitas coisas, mas não o meu amor e desejo por você.

Ela deu um passo atrás, fazendo um gesto convidativo para que ele a seguisse.

- Vem - sussurrou, a voz suave, mas repleta de desejo. - Hoje, você vai ver o quanto ainda posso ser sua, Antônio.

Ele não hesitou. Seguiu-a, o coração batendo forte. Irene o conduziu até a cama, onde a intimidade perdida entre eles foi lentamente redescoberta. Cada toque, cada olhar trocado era como uma nova promessa, uma reafirmação do amor que sempre esteve ali, mesmo que ofuscado pelas dificuldades recentes.

- Você é deliciosa. - Sussurrou, enquanto ela engatinhava sobre a cama. - Mal posso esperar pelo momento em que estarei dentro de você.

- Antônio! - exclamou, mais por timidez do que por reprovação.

- Gostosa demais. - Deixou que a esposa tocasse seu rosto quente, por tanto desejo. - Fascinante. Você é fascinante, Irene.

Ele se inclinou, selando suas palavras com um novo beijo.

- Hoje eu quero me lembrar do quanto nos amamos. - Pediu, enquanto ajeitava seu corpo embaixo dele. - Quero que me faça sentir a mulher mais desejada do mundo.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora