[• NOVA PRIMAVERA (MS), 1997 •]
A noite já havia caído quando Antônio retornou à fazenda Irene La Selva. A lua alta iluminava o caminho, e o vento fresco da noite soprava pelas árvores. Ele estacionou o cavalo perto da casa e desceu, o coração inquieto. Nunca fora homem de se arrepender fácil, mas a imagem de Irene, com os olhos cheios de dor, não saía de sua cabeça.
Respirou fundo antes de entrar na casa.
Irene estava na sala, sentada no sofá, os braços cruzados sobre a barriga arredondada. Seu olhar estava perdido, distante, mas no instante em que viu Antônio entrar, sua expressão mudou.
- O que foi? Resolveu voltar pra ver se eu já me acalmei? - Ela ergueu uma sobrancelha, a voz carregada de ironia. - Ou cansou de pensar na sua falecida e lembrou que tem uma esposa?
Antônio trincou o maxilar.
- Deixa de falar bobagem, Irene. Eu voltei porque...
- Porque sentiu peso na consciência? - Ela riu, mas sem humor. - Pois não precisa. Pode voltar de onde veio.
Ele avançou até ela, sem paciência para seus sarcasmos.
- Já deu, Irene.
Ela se levantou devagar, segurando a barriga com uma das mãos.
- Ah, claro, quando sou eu que estou magoada, tem que "dar", né? Mas quando é você que sente saudade da Ágatha, eu que tenho que entender?
Antônio passou a mão no rosto, frustrado.
- Não é isso...
- Então me explica, Antônio, o que é então? - Ela abriu os braços. - Me explica por que, depois de tudo, depois da nossa história, do nosso filho, do bebê que estou carregando, eu ainda sou a segunda opção!
Ele deu um passo à frente, segurando firme o pulso dela.
- Chega dessa conversa.
- Ah, então agora você quer decidir o que eu posso ou não falar? - Irene puxou o braço, mas ele não soltou.
- Eu quero resolver isso de um jeito diferente. - A voz dele saiu baixa, carregada de intensidade.
Ela estreitou os olhos.
- E como exatamente, Antônio?
Sem responder, ele a puxou pela mão, conduzindo-a pelo corredor.
- Antônio, me solta! - Ela protestou, tentando se desvencilhar, mas ele a segurava com firmeza.
- Agora a gente vai resolver nossas diferenças como se deve, Irene.
Ao chegarem no quarto, ele abriu a porta e a empurrou levemente para dentro. Ela girou nos calcanhares, o rosto aceso de indignação.
- Você acha que vai me calar assim?
Ele trancou a porta atrás de si e a encarou, os olhos brilhando de desejo e fúria ao mesmo tempo.
- Eu acho que a gente tem outra maneira de dizer o que sente.
Ela bufou, cruzando os braços.
- Você não pode simplesmente aparecer aqui e...
Antes que terminasse a frase, ele a puxou pela cintura, colando seus corpos.
- Me diz que não sente a minha falta - ele desafiou, a voz rouca.
Irene apertou os lábios, recusando-se a ceder.
- Me solta, Antônio.
Ele sorriu de canto.
- Solto, se você disser que não me quer.
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Antorene: The After
Fiksi PenggemarE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
