Irene estava sentada no chão frio da antiga sede da cooperativa, ainda segurando Aruna em seus braços. A bebê dormia, alheia ao caos que a cercava. Irene, no entanto, não conseguia relaxar. Suas mãos tremiam levemente enquanto acariciava os fios finos do cabelo da filha.
A porta rangeu, e Leonardo entrou, o som de suas botas ecoando no espaço vazio. Ele trazia consigo uma expressão enigmática, os olhos brilhando com algo que Irene não sabia se era satisfação ou pura crueldade.
- Como está nossa pequena princesa? - ele perguntou, com um sorriso falso, aproximando-se lentamente.
Irene estreitou os olhos, segurando Aruna ainda mais perto.
- Nossa? Ela não tem nada a ver com você.
Leonardo riu, um som baixo e carregado de desdém.
- Sempre tão resistente, Irene. É quase admirável. Quase.
Ele se sentou em uma cadeira próxima, cruzando as pernas com casualidade.
- Tenho novidades. - Sua voz carregava um tom de provocação, e Irene sabia que nada de bom viria dali.
- Não me importo com suas novidades, Leonardo. Só quero sair daqui com minha filha.
Leonardo inclinou a cabeça, fingindo consideração.
- Ah, mas essa novidade diz respeito a você. Ou melhor, a seu amante.
- Que amante? Eu não tenho amante. - deu de ombros.
- Como não? Aquele teu maridinho é o quê? Você sabe muito bem que eu estou falando do Antônio.
O nome de Antônio fez o coração de Irene parar por um segundo. Ela olhou para Leonardo, tentando decifrar o que ele estava tramando.
- O que você fez com ele? - ela perguntou, tentando manter a voz firme.
Leonardo sorriu, um sorriso cheio de malícia.
- Meus homens o encontraram. Foi mais fácil do que imaginei. Ele estava procurando por você, é claro. Um verdadeiro cavaleiro, não acha?
Irene sentiu o estômago revirar.
- Você está mentindo.
Leonardo deu uma risada curta, balançando a cabeça.
- Mentindo? Irene, por que eu mentiria sobre isso? Antônio está comigo. Ele foi trazido para cá mais cedo.
Irene arregalou os olhos, a respiração acelerando.
- Eu quero vê-lo. Agora.
Leonardo levantou-se, caminhando até ela com uma expressão divertida.
- Não tão rápido, querida. Antônio está... indisposto. Vamos dizer que ele precisou de uma pequena lição de respeito.
Irene tentou esconder o pânico que se instalava em seu peito.
- Você está mentindo, Leonardo. Eu sei que está.
Ele se inclinou, segurando o queixo dela com força, obrigando-a a olhar diretamente para ele.
- Acha mesmo que estou mentindo? - ele sussurrou, o tom ameaçador. - Acha que eu não seria capaz de fazer o que é necessário para ter você?
- Eu sei que você é capaz de tudo, Leonardo - Irene respondeu, com os olhos cheios de ódio. - Mas também sei que você vive de manipulações. Antônio é mais esperto do que você imagina.
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Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
