Pequena Luz

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IRENE ON:
O cansaço era esmagador. Cada fibra do meu corpo implorava por descanso, mas quando olhei para Aruna, pequena e indefesa em meus braços, o mundo parou. A dor lancinante, o terror dos últimos dias, a sombra de Damião... nada mais existia. Tudo aquilo, de alguma forma, parecia ter um propósito: trazê-la ao mundo.

Nos braços de Antônio, o tempo silenciou. Aruna, pequena luz, chegou como um amanhecer. Seu cheiro era a essência da vida, seu toque, a promessa do eterno. Ele a olhou, e no brilho de seus olhos, viu um universo inteiro, infinito e frágil. Um amor que transbordava, como rio que não conhece margens. No pulsar de seu coração, um juramento: Proteger, amar, guiar. Pois naquela menina, estava plantada a esperança de todos os futuros.

Antônio se ajoelhou ao lado da esposa, a emoção clara no brilho de seus olhos enquanto olhava para a bebê, tão frágil e perfeita.

- Ela é linda. Ele disse, com a voz embargada. -Você foi incrível, Irene.

Ela tentou sorrir, mas sua força parecia ter evaporado. Um frio estranho subiu pela sua espinha. Segurou a mão dele, sentindo o calor de seus dedos enquanto murmurava:

- Cuida dela, Antônio... Pediu.

- Ei, não - ele respondeu imediatamente, segurando seu rosto com delicadeza, como se tivesse medo de que ela desmoronasse a qualquer momento. - Você vai ficar bem. Vamos sair daqui. Vou proteger vocês duas.

Foi então que os faróis de um carro iluminaram a escuridão, cortando a noite como uma navalha. Meu coração disparou. Por um momento, pensou que fosse Damião e sua ira voltando para terminar o que tinha começado. Mas não era ele.
Era um jipe preto, com as luzes piscando freneticamente. Quando o veículo parou, seu peito aliviou ao ver Caio descer junto de Petra. Ele estava machucado - um corte profundo atravessava sua testa, e ele mancava, apoiado pela moça, que parecia igualmente exausta.

- Graças a Deus - ele disse, com a voz grave, enquanto caminhava até eles. Seus olhos, sempre tão duros, suavizaram ao ver Aruna nos braços de Irene. - Vocês estão bem?

Antônio apertou a mão da esposa, antes de responder.

- Ela teve a bebê. Afirmou. - Não conseguiu segurar por mais tempo.

Caio assentiu, olhando para a madrasta com intensidade antes de voltar a encarar Antônio.

- Precisamos sair daqui agora - ele disse, sua voz urgente. Olhou ao redor, como se o perigo ainda estivesse à espreita nas sombras. - Irene precisa de um hospital.

Antônio segurou Aruna com cuidado para que Petra pudesse ajudar a mãe a se sentar. Mas, ele parou por um instante, franzindo o cenho.

- E você? - Antônio perguntou, percebendo o peso da perna machucada de Caio. - O que aconteceu lá atrás?

Caio suspirou, um misto de dor e determinação em seu rosto.

- Distraí eles pra que vocês pudessem fugir. Mas... eles me acertaram no pé. Contou. - Mas, eu estou bem. Garantiu.

CAIO LA SELVA ON:
O motor do jipe rugia enquanto avançávamos pela estrada estreita. Meu pai dirigia com a concentração de quem carregava vidas nas mãos. No banco de trás, Irene segurava Aruna com um cuidado quase reverente, enquanto Petra a ajudava a se manter ereta.
Eu estava no banco do passageiro, olhando para trás a cada instante, esperando ver qualquer sinal de perseguição.

- Estamos levando ela para o hospital? Perguntei, quebrando o silêncio tenso.

Irene, mesmo claramente exausta, levantou a cabeça. Sua voz saiu como um sussurro:

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora