Resolver o Passado

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Irene desceu as escadas com passos silenciosos, o coração ainda apertado por todas as discussões dos últimos dias. A tempestade lá fora com raios e trovões também era sentida dentro dela. Mesmo com a barulheira toda dos ventos fortes e estrondos, Aruna dormia sossegada depois de receber o leite da mãe.

A mulher descia para tomar um pouco de água depois de ser sugada pela pequena.

Mas, quando chegou ao fim da escada, parou ao ouvir a voz de Antônio sussurrar ao telefone. Sua voz era baixa e carregada de tensão.

- Eu já te paguei, Berenice. Agora agiliza isso imediatamente.

Irene sentiu o estômago afundar.

- Ok. Amanhã a gente se encontra na cidade para assinar o documento. - continuou. - vê se não dá para trás.

O coração dela bateu forte, e um gosto amargo subiu em sua garganta.

Então era isso? Ele estava resolvendo tudo para poder seguir com a vida ao lado de Berenice?

Que documento era esse? Por quê ele tinha tanta pressa para encontrar a vadia com quem a havia traído por algum tempo?

Sem pensar, ela entrou na sala, os olhos faiscando fúria.

- Já estão planejando o casamento? - Sua voz saiu carregada de ironia, mas a dor era evidente. - Ela também está grávida? Vai tirá-la de lá e fazer dela a sua primeira dama, como fez comigo?

Antônio se virou de imediato, surpreso.

- Irene, não é nada disso...

Ela ergueu a mão, impedindo que ele falasse.

- Eu só peço uma coisa, Antônio. Tenha um mínimo de decência de esperar que eu saia dessa casa antes de cair nos braços dela.

Ele franziu o cenho, nervoso.

- Irene, pelo amor de Deus, sossega e vê se me escuta.

- Não faz um jantarzinho de noivado como fez com a Ágatha. - balançou a cabeça em sinal de negação. - Não me faça sentir aquela humilhação outra vez.

- Deixa de ser louca, Irene. Não é nada disso. Eu não vou casar com a Berenice. Tá maluca.

- Eu sei que estamos divorciados. Eu me lembro que assinamos o maldito divórcio. Você é livre para se casar com quem quiser de novo. - lamentou. - Só não faça isso enquanto eu ainda estiver aqui.

- Aquele documento não tem nada a ver com casamento. É um contrato sim, mas não é um contrato de matrimônio, Irene. Eu não vou trazer ninguém pra morar aqui. Não vou me casar com ninguém. A Berenice não está grávida. PORQUE EU NÃO TE TRAÍ. ACABOU!

- Eu nem quero mais saber o que você foi fazer lá. - deixou uma lágrima escorrer. - Isso nem me importa mais.

A chuva caía pesadamente sobre Nova Primavera, o vento forte fazendo as árvores se dobrarem como se sussurrassem segredos à noite. Irene caminhava apressada pela varanda, o casaco fino já grudando em seu corpo pela umidade. Estava prestes a descer os degraus quando sentiu uma mão forte segurá-la pelo braço.

- Onde é que você vai Irene? Ficou louca? Você não vai sair nessa tempestade! - O homem falou firme, os olhos faiscando preocupação e determinação.

Irene se virou bruscamente, o cabelo já começando a se encharcar.

- Me solta, Antônio! Eu preciso sair dessa casa! Preciso dirigir o meu carro até um lugar qualquer onde eu não possa ver você, nem ouvir a sua voz.

Antorene: The AfterOnde histórias criam vida. Descubra agora