IRENE ON:
Aruna se remexeu em meus braços, sugando com força enquanto eu acariciava seus cabelos macios. O quarto do hospital ainda tinha aquele cheiro de desinfetante misturado ao perfume suave do sabonete infantil que haviam usado nela. Meu corpo estava exausto, mas minha mente permanecia em alerta, como se esperasse que algo ruim pudesse acontecer a qualquer momento.
Antônio estava sentado ao meu lado, segurando minha mão com firmeza, mas o aperto delicado mostrava que ele sabia o quanto eu estava frágil. Ele olhava para mim como se tentasse encontrar as palavras certas. Quando finalmente falou, sua voz era calma, mas carregada de seriedade.
- Irene, eu acabei de receber a notícia. Damião foi transferido para uma prisão de segurança máxima. Ele não vai mais poder te machucar. - Ele apertou minha mão um pouco mais. - Acabou.
A palavra ecoou na minha mente. Acabou. Mas será que tinha mesmo acabado? Aruna soltou um murmúrio sonolento, e eu a ajustei cuidadosamente no meu colo antes de levantar os olhos para Antônio.
- Nenhum lugar é longe o suficiente para esse homem - sussurrei, sentindo um nó na garganta. - Eu conheço Damião. Ele nunca aceita perder.
Antônio balançou a cabeça.
- Ele não vai sair daquela prisão, Irene. As provas contra ele são sólidas, e as medidas de segurança são rigorosas. Ele não tem mais como te alcançar.
Tentei acreditar nas palavras dele, mas a sombra de tudo o que Damião tinha feito ainda pairava sobre mim. As ameaças, as perseguições, os momentos em que achei que não sobreviveria... Tudo ainda estava muito vivo.
- E se ele tentar? - sussurrei, minha voz quase falhando. - E se ele mandar alguém? Ele já fez isso antes.
Antônio se levantou e se ajoelhou ao lado da cama, trazendo meu rosto para perto do dele.
- Eu não vou deixar nada acontecer com você ou com a minha filha. - disse com firmeza. - Nunca mais.
A intensidade nos olhos dele fez meu coração acelerar, mas o medo ainda estava lá, agarrado a mim como um peso invisível.
- E Caio? E Petra? E você? - A voz saiu embargada. - E se ele tentar machucar vocês para me atingir? Antônio?! Você já me prometeu isso antes. Sabe que as coisas fogem do seu controle e ...
- Eii, ele não vai. - Antônio me interrompeu, acariciando meu rosto. - A polícia já está cuidando disso. Estamos protegidos, Irene. Você precisa acreditar nisso.
Eu queria acreditar. Queria mesmo. Mas as cicatrizes invisíveis que Damião havia deixado em mim não desapareceriam tão facilmente.
Aruna soltou um suspiro satisfeito e parou de mamar. Eu a ajeitei no colo e beijei sua testa. Ela parecia tão pequena, tão inocente. E eu precisava ser forte por ela.
- Eu só quero que ela tenha uma vida normal - sussurrei. - Sem medo. Sem ameaças.
Antônio se levantou e beijou minha testa.
- E ela vai ter. Eu prometo.
Fechei os olhos por um momento, deixando-me ancorar na presença dele. Talvez o pior realmente tivesse passado. Talvez Damião estivesse finalmente onde deveria estar.
Mas, no fundo, uma voz insistente ainda sussurrava que a batalha estava longe de acabar.
A noite caiu silenciosa sobre o hospital, mas minha mente continuava barulhenta. Depois que Antônio saiu para resolver algumas pendências com a polícia, fiquei sozinha com Aruna. Ela dormia tranquilamente no berço ao lado da cama, o rostinho sereno e alheio ao caos que tinha marcado sua chegada ao mundo.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
