Antônio On:
Já era dia quando finalmente abri os olhos, tentando encarar tudo ao redor, com muita dificuldade por causa da claridade que invadia todo o quarto. Procurei por Irene, e não a encontrei do meu lado. Olhei para o chão e as roupas já não estavam mais espalhadas no carpete. Nem as dela, nem as minhas. Fiquei angustiado. Tive medo que tudo o que aconteceu na noite passada fosse só um sonho. Ou, que Irene desistisse de me dar uma nova chance. Será que ela se arrependeu do que fizemos? Será que fugiu dos meus braços porque não ia conseguir me encarar pela manhã e dizer que tudo aquilo foi um erro? Será que ela foi embora como ameaçou que iria?
Irene On:
Eu sempre acordei mais cedo que o Antônio. E o motivo pra isso é muito simples: Eu sempre tive a sensação de que só era possível aproveitar o dia se eu me levantasse bem cedo. Me levantei devagar para não acordá-lo, velei seu sono tranquilo por algum tempo e peguei nossas roupas do chão. Tomei um banho relaxante, refleti um pouco sobre tudo e desci para tomar café. Ainda não sei se darei uma chance a nós dois. Ainda tenho medo de algumas coisas. Ainda me sinto insegura com a forma com que Antônio é inconstante. Enfim, uma montanha imensa de dúvidas. Dúvidas que me deixam feliz e receosa ao mesmo tempo. Será que ele mudou, como disse que mudaria?
- Bom diaaaa. Se aproximou da mulher, antes de dar-lhe um selinho. Sabia que te encontraria aqui. A encarou, sorridente. Achei que tinha sonhado quando abri os olhos e não te vi dormindo ao meu lado na cama. Tentou tocar a mão da mulher, que se esquivou.
- Eu sempre gostei de acordar cedo, você sabe. Tomou um pouco do suco de laranja, deixando-o confuso.
Antônio On:
Ela estava diferente de ontem a noite. Estava completamente fria. Mal me olhava nos olhos. Tentei pensar no que fiz, em algo que justificasse a forma com que ela estava me tratando mas, não cheguei a conclusão alguma. Pensei que a encontraria feliz, segura do nosso amor... Achei que depois de ontem, tudo estaria resolvido. Mas, não estava. E eu não entendia o porquê.
- É... Eu sei. Bebeu seu café preto. Eu... Eu pensei que podíamos fazer alguma coisa juntos hoje. Sei lá, passear pelas fazendas que eu ainda tenho, talvez. Deu de ombros. Tô impedido de sair daqui mas, não acho que dar uma volta pelas redondezas me traria problemas.
- Eu... Eu não posso. Continuou fria. Preciso ir até a delegacia falar com o delegado Ayres. Continuou encarando o lado de fora da casa, sem sequer olhar para o homem.
- Irene?! Chamou. Que foi? Aconteceu alguma coisa? Implorou respostas. Ontem a noite você...
Irene On:
Eu sei exatamente o que nós fizemos ontem a noite. E eu sei porque desde que ele me tocou outra vez, eu não consigo esquecer. Me lembro de cada detalhe do que fizemos, do que prometemos e de como dormirmos juntos, depois de fazer amor. Eu sei, a gente se encaixa. Nós somos perfeitos juntos. Nós nos amamos. Foi lindo. Mas... Eu ainda tenho medo. Eu ainda tenho medo de tudo. Eu tenho medo de me entregar de vez. De cair de cabeça, e me magoar. Eu tenho medo que meu amor por ele atrapalhe minha mudança e me cegue de novo. Eu era só uma menina quando nos casamos. E depois de trinta anos, eu saí dessa casa como uma mulher sem caráter. Uma traidora, assassina, mentirosa e sem escrúpulos. Eu quase tirei a minha vida. Me tornei tão dependente dele que deixei de viver a minha história. Eu... Eu passei por coisas que jamais imaginei que passaria, por amor a ele. E eu não sei se estou pronta pra enfrentar tudo isso de novo. Na verdade, eu não quero enfrentar. Não quero.
- Eu sei o que aconteceu ontem a noite Antônio. Encarou o homem. Foi bom. Foi maravilhoso. Mas, isso não quer dizer que nós voltamos a ser casados. Reagiu.
- Como não, Irene? Nós dois...
- Eu preciso pensar um pouco. Preciso refletir sobre o que aconteceu. Explicou. Depois, ainda tem toda a questão com o Damião e...
- Quanto a isso você não precisa se preocupar. Deu de ombros.
- Por que? Por que eu não preciso me preocupar, Antônio? Encarou o homem, com medo de ouvir sua resposta, enquanto limpava a boca com o guardanapo de pano que estava sobre a mesa.
- Esquece. Esquece isso. Toma teu café. Pediu.
- Não. Eu não vou esquecer. Fala logo Antônio. Fala o que você pretende fazer. Por que eu não preciso mais me preocupar?
- Porque eu ainda tenho os meus contatos. Afirmou. Deixa comigo que eu resolvo isso.
- Não. Se levantou, irritada. Como você pode ser tão irresponsável, Antônio? Reagiu incrédula. Você não vai mandar matar o Damião, tá me ouvindo? Não vai.
- Irene, eu vou resolver do meu jeito. Se levantou para encará-la. Agora senta aí. Senta aí, toma o teu café sossegada... Pediu. Eu sou o homem da casa. É o meu dever proteger você e a minha filha das mãos daquele bosta.
- Antônio?! Tentou se acalmar. Você tá sendo leviano. Tentou explicar. Se você mandar matar o Damião, você pode acabar na cadeia. Alertou. Nem terminou de cumprir a pena ainda. Será possível que você queira viver o resto da sua vida aqui, preso nessa casa? Indagou. Será possível que você não percebe que agir assim só piora tudo?
- E o que você quer que eu faça Irene? Eu já disse que não vou perder você. Já disse que não vou te deixar morrer. Bateu na mesa, inconformado. Fui eu quem comecei isso, e sou eu quem vou terminar. Acabou. Gritou. Desculpa. Se arrependeu logo depois. Me desculpa, eu... Eu não queria gritar com você. Eu só não entendo porque você não me deixa acabar logo com isso. Só não entendo porque prolongar esse sofrimento.
- Porque eu não quero voltar a estar casada com um assassino. Encarou, com os olhos marejados. Eu quero ser melhor que isso Antônio. Pediu. Eu quero acreditar que é possível viver uma vida sossegada, tranquila. Justificou. Eu quero que as minhas filhas se orgulhem de mim, do que eu sou. Será que você não vê que é exatamente esse o meu medo em estar com você? Será que você não percebe que a sua impulsividade pode me colocar na mira da arma do Damião antes mesmo que a nossa filha nasça? Como você pode ser tão irresponsável, Antônio?
- E como é que nós vamos resolver isso? Eu já disse, eu não vou perder você.
- Eu quero acreditar que existe outra forma de resolver as coisas. Desabafou. Por favor, pediu. Não faz eu me arrepender da noite linda que tivemos. Tocou seu rosto. Não me afasta de você outra vez. Pediu, antes de sair.
- Irene?! Chamou, ao ver que ela ia.
- Eu preciso ir, Antônio. Tá na minha hora. O Ayres tá me esperando. Bateu a porta, decidida. A gente conversa depois.
- Essa mulher vai acabar me enlouquecendo. Murmurou. Ah, se vai.
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Antorene: The After
FanfictionE se Irene decidisse fugir da polícia? E se fosse obrigada a deixar Antônio para trás? E se Antônio fosse condenado a pagar por todos os crimes que cometeu, preso dentro de seu próprio império? Sozinho, como sempre temeu estar, até mesmo durante as...
