NOVAS MISSÕES

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Pensei que o meu avô sairia do meu aposento, mas ele continuou ali. Cabisbaixa, não ousei encará-lo depois do sermão. A cada segundo eu me arrependia mais das palavras ferrenhas que disse para o meu pai.

— Eu não vim aqui para o papel de conciliador. Para ser honesto, eu vim buscar você com intenções de realizar uma nova atividade. — Vovô revelou com um sorriso misterioso.

Ergui o olhar imediatamente. Curiosa. Esqueci por hora de minhas tribulações.

— É verdade, vovô? — Indaguei, arrebatada pela atmosfera.

— É sim. — Ele afirmou e deu uma piscadela.

— Conte-me então do que se trata! — Eu arregalei tantos os olhos que as órbitas quase saltaram do crânio.

— É um segredo. — Ele colocou o dedo na frente dos lábios em um gesto de silêncio.

— Como posso ajudá-lo se mantiver segredo. — Sussurrei, olhando para os lados. Dificilmente alguém ouviria além de Valenius, mas o clima no cômodo era de confidência.

— E você tem interesse em ajudar o vovô, Pituquinha? — Ele sorriu. Ele sabia que sim.

— Vovô... — Eu sorri também.

— Siga-me. — Pediu, cruzando os dedos das mãos atrás de suas costas.

Saímos do quarto e ele olhou para Valenius.

— Pode descansar até depois do almoço, menino. Ficaremos ocupados por algum tempo. Eu cuido de Ana. — Dispensou a companhia do meu guarda.

Valenius concordou com um respeitoso gesto de cabeça e saiu, aparentemente bem-humorado.

— Ele mal via a hora de se livrar de você. — Vovô riu de seu próprio comentário espirituoso.

Não me importava, pois o meu interesse era direcionado apenas para o desvendar do que era tão misterioso e secreto que nem Valenius podia saber. Ansiosa, segui o meu avô pelo castelo. Saímos do lugar pela cozinha e entramos onde nunca pensei que ele me levaria: sua oficina de ferreiro. Ele me convidou. Ninguém vinha ali, então fiquei boquiaberta.

Pensei que estaria empoeirada e largada às traças, mas estava organizada e havia material novo disposto em um canto. Para meu deslumbre, havia até mesmo o fogo aceso. O lugar era quente, com entradas de ar pequenas.

Vovô fechou a porta. Ele amarrou seu cabelo comprido em um coque que prendeu com uma fita de couro e tirou camadas de roupa até restar apenas a camisa fina. Então se aproximou de mim e amarrou meu cabelo da mesma forma, em um coque.

— Faz muito calor aqui dentro devido à forja acesa. — Explicou enquanto terminava o meu penteado.

Assisti ele puxar uma pequena mesa retangular com um banquinho de cada lado. Cada banco era unido à mesa por duas grossas barras de ferro que ficavam em suas extremidades. As barras iam das laterais dos bancos até os pés da mesa, formando uma peça inteiriça. Ele colocou sobre ela alguns papéis e utensílios para escrever e desenhar, além de ferramentas de medida.

— Sente-se aqui. — Apontou para o lado oposto ao que ele mesmo sentou.

Eu obedeci. Fitei o rosto dele por alguns instantes reconhecendo alguns traços que eu também tinha.

— Veja, o que vamos fazer aqui é projetar novas peças. Na viagem que fizemos eu comprei tudo que é preciso para fazer armas e armaduras. Claro que, antes de tudo, é preciso fazer o projeto. Como eu sei que você é uma grande artista, conto com a sua preciosa ajuda, Pituquinha. — Explicou de forma pausada. — Você vai me auxiliar nos projetos e desenhos.

Ana Merak - Dever e HonraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora