— Ana, por que o castelo está vazio? — Perguntei ao entrar no quarto. Era de se estranhar e fiquei completamente alerta com aquela atípica falta de movimento.
Eu não tinha visto uma viva alma pelo caminho, da muralha até a porta do nosso quarto.
Olhei para a cama macia e convidativa, enquanto sentia o cheiro bom de Ana por todo canto naquele aposento. Foram anos de uma tortura silenciosa. Eu me aliviava sozinho dos desejos, mas estava orgulhoso da minha firmeza em meu propósito. Ana precisava de uma longa recuperação, muito extensa. Os médicos e curandeiros foram incisivos. Nem de longe ela poderia gerar outro bebê sem que morresse. Então eu a deixei em paz para restabelecer a saúde. Entretanto, se eu dissesse para ela, eu sabia que ela tentaria me dissuadir.
Saber que a mera possibilidade de uma criança poderia matá-la me deixou maluco de medo. Já havia algum tempo que todos diziam que ela estava bem, porém era o mesmo que tatear no escuro, pois o caso dela era único e muitas opiniões não passavam de achismos Tudo passou bem no começo, quando Ana sentia que estava mal, mas nos últimos tempos ela parecia inquieta.
— Meu amor? — Chamei com o coração disparando.
Eu estava ouvindo a respiração dela no quarto, ou pelo menos pensei que fosse ela.
Coloquei a minha espada sobre o aparador e caminhei na direção da sala de banhos, com cautela e pronto para qualquer surpresa. Comecei a sentir o exalar de um cheiro doce e quente. Um cheiro muito bom e singular, que fez meu estômago tremer e a minha mente flutuar rapidamente para devaneios eróticos.
Voltei para trás e servi um pouco de Palincă, tremendo, quase derrubando o líquido fora da taça. Tomei um gole da bebida e fui respirar na janela, para ter mais calma. Mas eu estava estranho, pois o meu coração estava acelerado e meu corpo respondia de forma aguda aos desejos que emergiram do nada. Comecei a sentir um calor me consumindo e a excitação saindo de controle. Engoli seco, prendi a respiração e pensei em tragédias para me manter firme.
— Querido? Você está aí, meu amor? — A voz de Ana, baixa e rouca, me alcançou.
— Sim? — Questionei, me concentrando para controlar a ereção e a voz trêmula. Eu era bom nisso, mas não estava funcionando por mais que eu tentasse.
— Ajude-me, por favor. — Ela pediu. A sua voz soando na minha cabeça como um convite para que eu possuísse seu corpo. Ainda que ela não tivesse dito muito ou nada sugestivo.
Eu não podia ignorar. Se ela estivesse em perigo seria vil não ajudá‐la.
Aproximei da sala de banhos e respirei fundo o vapor inebriante.
Tremi quando vi minha esposa na banheira, com os lábios pintados de carmim, olhar sedutor e os cabelos cheios de uma erva de folhas miúdas, cujo aroma se misturava no vapor e me confundia os sentidos lupinos. Eu conhecia bem, pois era usada pelas lobas. Era inofensiva, na verdade, e servia para brincadeiras entre casais. Ana se levantou e andou até mim de forma sensual. Fiquei paralisado, focado em seu olhar predatório. Eu podia fugir, mas eu não queria. Eu estava livre, só escolhi ficar e ser testado.
— Você não me ama mais? — Ela perguntou e passou minha mão em seu corpo nu e molhado. A pele macia, quente.
Eu tinha evitado ver aquele corpo despido porque tinha meus limites. Vendo, soube que estava certo por limitar a tentação.
— É porque não sou mais jovem e inteira? — Ela passou minha mão sobre sua cicatriz no seio. A cicatriz de sua morte, que era grande e grossa.
Ela se referiu à cicatriz, mas eu só pensei no seio. Aquele monte suave, volumoso, quente e intumescido, com o mamilo duro, roçando na palma da minha mão. Mão que ela soltou já tinha algum tempo, mas eu continuava segurando aquele seio com muito prazer. A minha boca estava salivando de vontade. A minha mente se desconectou do mundo exterior. Senti um arrepio ao tentar me controlar uma última vez. Tentei pensar que Ana não podia ter filhos, mas foi difícil quando ela me beijou o queixo porque eu praticamente implorei com o olhar para ela não parar mais. E ela realizou o meu desejo, unindo os nossos lábios de forma ardente e me empurrando contra a parede. Eu agarrei seu corpo contra o meu e a ergui, colaborando de bom grado com aquela expertise. Ela me prendeu entre suas coxas e eu sorri de gratidão.
O cheiro da erva deixava nossos instintos mais aguçados. Ana tinha conseguido me dobrar com erva de lobo e a minha colaboração.
— Ana, eu não quero que você sofra. — Falei ao pé do ouvido dela com a voz falhando de desejo.
— Eu estou sofrendo por estar longe de você, Valenilupus. Por favor, me faça sua. Não posso mais suportar a sua ausência. Não fique mais fora de mim.
O tom, o olhar e a súplica. Eu perdi a guerra. E nós fomos muito felizes pela minha rendição.
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Ana Merak - Dever e Honra
FantasíaAna Merak descende de uma família que se encontrou com a magia em condições adversas. A mãe de Ana era humana, mas foi recrutada para lutar pelo equilíbrio do mundo. Em meio ao caos da vida, a prestigiada Lira Merak deu à luz suas filhas, e teve uma...
