O FESTIM

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Festim é uma pequena festa. Lembro de quando li essa definição pela primeira vez, quando ainda estava aprendendo alguns conceitos básicos. Por mais que fosse uma festa simples, eu não conseguia achar que tinha uma roupa adequada para aquela ocasião. Era a primeira vez que eu veria toda a família de Valenius reunida. Era inevitável que eu desejasse que tivessem uma boa impressão de mim, principalmente porque tudo o que sabiam era do lado ruim ou prático. E porque, segundo eu soube, aquela era uma comemoração centenária.

Valenius entrou como uma sombra, pela janela, quase me matando de susto. Observei-o com uma simples camisa branca sobreposta por um colete de couro bordado e calça marrom com bota. Ele tinha cortado os cabelos e estavam na altura das orelhas.

— Já está...? — Ele me olhou em silêncio.

— Não está bom? — Falei enquanto segurava o pesado vestido todo bordado que me esforcei para colocar.

— Você está linda, amor meu. Eu só... — Ele estava escolhendo as palavras para não me magoar. Olhei-me no espelho fazendo uma careta de dor. — Eu preciso levar você montada nas minhas costas porque é um lugar longínquo e de difícil acesso.

Soltei o ar, me sentindo melhor. Fiquei com medo de ele estar me achando ridícula.

— Você queria muito usar essa roupa? — Ele questionou um pouco titubeante. — Podemos tentar levar em uma bolsa.

— Não. Eu só não sei o que vestir. — Bufei.

Ele caminhou até o meu guarda-roupas, como Solis sempre fazia, e o abriu. Então olhou todas as roupas e escolheu um vestido vermelho da cor de sangue, com barra de renda, bordado no busto de decote quadrado e mangas compridas. Eu nunca vi uma ocasião para usar aquela roupa, apenas ignorava sua existência.

— Você não gosta deste? — Ele estendeu o vestido na minha frente e chacoalhou a peça. — É bonito.

— Está de acordo com a ocasião? — Questionei, insegura, apesar de disposta a aceitar a sugestão.

— Sim. — Afirmou convicto.

— Ótimo. — Peguei o vestido da mão dele e fui me trocar. Todo aquele sofrimento quando podia apenas ter colocado algo mais simples.

Porém, quando o vesti no corpo, me lembrei da fileira de botões nas costas.

— Precisa de ajuda? — Ele perguntou perto da porta.

— Não é possível, você fez de propósito. — Balbuciei e ri sem som. — Preciso.

Ele entrou para me ajudar. Virei as costas e deixei ele abotoar a roupa. Valenius terminou e segurou meus cabelos.

— Posso arrumar isso também. — Ofereceu.

Concordei e ele deu um beijo na minha nuca que me fez arrepiar dos pés até a cabeça.

— Hmmmm... — Ele reagiu.

Então senti ele mexendo no meu cabelo até que estava todo recolhido para cima. Busquei um espelho e vi que ele tinha entrelaçado pequenas tranças e mechas, como o trançado de um cesto, e no final prendeu com uma única presilha.

— Uau... — Admirei-me. — Esse é um dos penteados mais bonitos que eu já usei.

Então observei o quanto eu parecia mais bonita e radiante com aquela arrumação.

— É um talento que eu tenho. — Ele se vangloriou.

— Onde aprendeu? Com as suas amantes? — Questionei e dei um tapa leve no peito dele.

Ana Merak - Dever e HonraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora