O som na vila era tão ruidoso que alcançava os ouvidos de quem estava dentro do castelo. Desde a manhã que os vilões já estavam se movimentando e comemorando, mas eu desceria para a vila no período da tarde para a noite. No castelo, para me ajudar a me vestir, só ficaram Solis e Valenius. O meu pai também estava lá esperando por mim e a guarda iria revezar.
Não pude tomar banho porque não havia quem carregasse a água, então apenas limpei as partes mais necessárias com um tecido úmido e me perfumei. Isso me fez pensar sobre o sistema de bica que vovô queria construir, para passar a água pelos cômodos do castelo sem a necessidade de força humana. A parte difícil era fazer a água ter pressão suficiente para subir, visto que o castelo era muito alto e não sabíamos exatamente como empurrar a água. Eu precisava de mais dedicação naquele projeto.
Lá para depois do almoço, pela metade do dia, abri a porta do quarto e olhei para Valenius, sentado, obviamente emburrado.
— Se quiseres ir à festa, apenas vá. Papai irá compreender. — Eu o autorizei pela milésima vez.
Ele fez cara de paisagem, olhando para a parede.
— Não. Estou ganhando o dobro para trabalhar hoje. — Foi sua resposta sem emoção.
— O senhor é pior do que um cofre. — Reprovei e apertei os lábios.
— Sim, porque um cofre é rico e eu sou pobre. — Falou todo ofendido.
— Não foi isso que eu quis diz... — Interrompi a fala porque era inútil. Valenius estava sendo difícil por opção e tudo o que eu dissesse seria distorcido. — Enfim... Vim pedir para você me acompanhar um pouco. Quero ver como está o ânimo das pessoas do lado de lá do muro.
— Não. — Respondeu seco. Senti-me como se tivesse tomado uma pedrada na face.
— Não? — Questionei indignada.
Ele ficou em silêncio, mas eu queria uma resposta e olhei no rosto dele tempo o suficiente para se tornar desconfortável.
— É perigoso. — Justificou contra a vontade.
— Já andamos por aí antes. — Sussurrei, indignada também com a negativa.
— E foi perigoso. — Sustentou o argumento curto, porém eficiente.
— Então eu vou sozinha. — Provoquei fazendo menção de sair pelo corredor.
Ele deu de ombros. Valenius sabia que eu não iria fazer essa loucura porque não estava louca de brincar com a sorte em tal nível. Bati um pé, frustrada, revirei os olhos e cruzei os braços. Foi quando Solis surgiu no corredor.
— Oh! Vamos, Ana. Vamos arrumar você porque eu não quero perder nem um segundo a mais. — Fez um gesto com a mão para eu entrar no quarto.
De longe vi que suas bochechas estavam coradas demais. E já estava muito enfeitada, com flores frescas no cabelo. De perto senti um leve cheiro de álcool.
— Traidora! — Acusei. — Você já foi lá se divertir.
— Ora, sou uma pobre camponesa vilã. — Ela sorriu com desfaçatez. — Preciso estar junto com os meus. Inclusive, pode ir, Valenius. Sua mãe está lhe esperando no portão leste.
Lancei um olhar feroz para ele, que se levantou com um sorriso irônico no rosto.
— Volto em breve. — Disse para Solis sem disfarçar a sua alegria.
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Ana Merak - Dever e Honra
Viễn tưởngAna Merak descende de uma família que se encontrou com a magia em condições adversas. A mãe de Ana era humana, mas foi recrutada para lutar pelo equilíbrio do mundo. Em meio ao caos da vida, a prestigiada Lira Merak deu à luz suas filhas, e teve uma...
