NOVO DIA

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A visita de Ivantie Cornelius foi a mais difícil até então. Felizmente as outras vieram primeiro para eu adquirir alguma experiência, pois administrar a atenção entre uma família maior era, sobretudo, cansativo. Isso porque eles nem estavam viajando com todos os filhos e membros da casa.

Ivantie era particularmente moroso e desagradável. Disse tantas imbecilidades que senti meus ouvidos se tornando penicos no decorrer da conversa. A irmã era silenciosa e acenava com olhar o tempo todo, mostrando grande traquejo social. A face ovalada, de pele muito limpa, e os cabelos sedosos que Ivantie tinha, causavam uma impressão quase imaculada, a perfeição do senso comum, mas, ele só apontava defeitos no mundo. Alguns que nem existiam, diga-se de passagem. Além do fato de preferir ficar mais perto do meu pai do que de mim, porém, por isso eu agradecia. Por outro lado, papai parecia incomodado. Descobri que ele não era tão dado assim às amizades à primeira vista.

Valenius pareceu-me mais tranquilo do que nos outros dias. Até a despedida, quando a atenção de Ivantie recaiu sobre si.

Estávamos perto das carruagens e o céu nublado ameaçava despejar uma chuva sobre nossas terras. Ventava fresco e eu só queria entrar em casa. Foi quando Ivantie fez um comentário interessante.

— Você fica muito bem com essa meia armadura. Deve ser imponente com a armadura completa. — Falou para Valenius.

A reação de meu guarda e amigo foi fazer sua cara de paisagem enquanto Ivantie esperava por uma resposta ao elogio. Sobrou para mim o fardo de lidar com a gentileza.

— Valenius tem bons atributos físicos. Certamente refletem em sua função. — Comentei, já agoniada de tanto conversar.

Ivantie Cornelius pareceu ligeiramente decepcionado por não ter recebido atenção de Valenius. A minha era a que estava disponível de todos nós, ele teria que lidar.

Quando entraram nas carruagens e partiram, quase morri de tanto alívio.

— Não suportava mais os assuntos de Ivantie Cornelius. Os meus ouvidos estão em brasa! A diplomacia custa caro e vou cobrar de vocês. — Reclamei para meu pai e meu avô, que me olhavam com sorrisos cínicos estampados nas faces.

— Eu me recuso a pagar, pois como administrador sempre lidei com muitas pessoas de gênios impossíveis. Faz parte do jogo do poder. — Ele, meu pai, riu da minha revolta.

— Nem pense que vou te ressarcir, Pituquinha. Esse caso nem era dos piores. — Vovô esfregou a mão no meu cabelo.

— É frustrante. — Massageei as têmporas com as pontas dos dedos.

— Cornelius me chamou de canto e disse que tinha interesse noivar Ana com Ivantie. — Vovô informou. — Creio que já posso recusar.

— Sim, vovô! Recuse. — Respondi rápido.

Meu coração até saltou no peito de medo que uma negociação prosseguisse. Nem em mil anos eu entraria naquela família.

— Ele devia pedir a mão da minha filha para mim. — Meu pai reclamou. — Eu não cederia, claro. Todavia, estou ofendido.

— Eles pedem para o mais velho e mais importante da casa, Borjan. Você é um homem ridículo. — Vovô provocou gratuitamente.

— Velho decrépito. Já está com um pé na cova. — Meu pai resmungou.

— Deixo vocês brigando e vou pintar que ganho mais nessa vida. — Revirei os olhos.

De fato eu ia, entretanto, um de nossos guardas entrou no espaço à nossa frente, galopante em seu cavalo.

Ana Merak - Dever e HonraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora