Eu já estava a postos na porta do quarto de Ana quando ela saiu de lá de dentro como uma nova mulher, limpa e muito cheirosa, mas transparecia irritação. Quase se podia ver o ódio saindo por seus por seus poros. A notícia da chegada de Alexandru me alcançou também e estávamos apenas eu, Solis e Aleana no castelo. Os cabelos de Ana, ainda um pouco úmidos, enchiam o corredor com o aroma de sua pomada de flores. O vestido mais simples de sua coleção, com bordados de flores, ornava e ressaltava seus traços, mesmo que cansados.
— Oh! Valenius, é uma lástima termos que lidar com isso agora. Ele não tem respeito por ninguém. Não teve a dignidade nem de mandar uma missiva, um mensageiro que fosse, para perguntar se poderia vir. — Ela disse enquanto eu me levantava da cadeira. — Depois que ele se for, teremos algum descanso, eu prometo. Sinto muito por isso.
— Irá confrontá-lo? — Questionei, observando seu rosto ainda vermelho do banho.
— Não... Penso que não, mas tudo dependerá dele. — Falou enquanto me mirava com seu olhar profundo. Havia muitos pensamentos por detrás daqueles olhos castanhos. — Sente-se à mesa comigo, eu imploro. Não me deixe a sós com ele.
— Ele ainda é um homem solteiro, então não fica bem de qualquer maneira. — Solis comentou, concordando com o meu pedido. — Na certa irá propor casamento outra vez.
— Posso apostar. — Ana massageou as têmporas com as pontas dos dedos. — Sempre termina assim, não importa como comece.
Dava-me certa alegria quando via ela rejeitando a ideia de se casar com qualquer um. Porém, Alexandru era mesmo terrivelmente insistente.
Caminhamos até a câmara dos cavalheiros, onde Ana o recebeu. Jis estava lá, para a nossa surpresa. Ana pareceu aliviada em ver que não precisaria dividir um ambiente com Alexandru sem a tutela de uma autoridade mais velha.
Ela pediu a benção ao capelão. Ele analisou rapidamente o rosto cansado de nossa senhora, e depois olhou para mim. Sinalizei preocupação com o olhar.
— Compartilhe de uma refeição conosco, senhor Alexandru. — Ana convidou-o forçando ao máximo o seu tom paciente.
O homenzarrão, alto e corpulento, de longa barba e longo cabelo loiro, sorriu de uma maneira que eu já conhecia.
Era esperança.
— Eu aceito, minha senhora. — Ele sorriu como um predador.
Era tímido, introvertido e irritadiço, mas quando estava com Ana ele parecia esquecer da própria personalidade. O que me dava um bocado de raiva, aumentando a minha tensão. Isso tudo era trivial, contudo, o fato de Ana estar exausta mexia mais com os meus nervos. Caminhamos até a sala de refeições e sentamos todos à mesa. Alexandru nos olhou com o canto do olho como se fôssemos sacos de merda compartilhando uma refeição com ele.
Ana e Jis começaram a conversar sobre amenidades. Ela se esforçava para parecer simpática e boa anfitriã.
Por mais que estivessem se esforçando para não chegar lá, o tópico sensível foi abordado por Alexandru.
— O motivo de eu estar aqui é que perdi a batida de um grupo de ciganos que eu estava caçando. — Introduziu, buscando por palavras menos ameaçadoras. — A senhora poderia me dizer o paradeiro deles? Assim não serão um problema para si.
Ana bebeu um pouco de água, ergueu o queixo e o encarou com uma expressão grave. Era a primeira vez que ela não sorria, mesmo que minimamente. Sua expressão se tornou absolutamente rígida e impositiva depois daquela abordagem inapropriada.
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Ana Merak - Dever e Honra
FantasyAna Merak descende de uma família que se encontrou com a magia em condições adversas. A mãe de Ana era humana, mas foi recrutada para lutar pelo equilíbrio do mundo. Em meio ao caos da vida, a prestigiada Lira Merak deu à luz suas filhas, e teve uma...
