A visita de Alexandru Ciprian foi tão cansativa quanto a de Darius Nectarius. Eu gostava de estar no jardim, mas o tempo todo eu apenas conseguia pensar no que faria quando entrasse em casa. A minha mais nova pintura era a paixão que arrebatou o meu coração. Ademais, as roupas de receber as visitas não eram tão confortáveis, principalmente porque eu estava sendo apresentada pela primeira vez e queria causar uma boa impressão.
À primeira vista, Alexandru olhava-me como se eu fosse desprezível. Conforme conversávamos, a sua imagem se tornava a mesma de quem vê um pássaro ferido. Senti como se ele tivesse piedade de mim. Solis, servindo pelas costas dos convidados, sorriu para mim com expressão de quem sabia que eu tinha medo de que Alexandru jogasse o vinho na minha face a qualquer momento.
Fiz o possível para que ele se sentisse acolhido em nosso castelo, principalmente porque era um de nossos importantes vizinhos.
— Acho que ele gostou de você, filha. — Meu pai sorriu para mim enquanto eu passava meu braço pelo seu, nos enlaçando.
— E você não gostou dele, papai. — Ri miúdo de cansaço. Quando caísse na cama o sono me tomaria. — Pensa que não te vi encarando com jeito de poucos amigos?
— Ana, ele tem fama de bruto. Os cochichos chegam por aqui também. — Papai sorriu para mim e piscou. Um gesto de mexeriqueiro.
Era milagre que ele não soubesse o que eu fazia quando seus olhos não estavam sobre mim.
— Acho que ele é incompreendido. Honestamente não creio que ele seja bem quisto por aí e nem o pretendente mais procurado. Uma dose de boa amizade pode acalmar os ânimos e transformar Alexandru em aliado para empreitadas futuras. — Eu cri que era o melhor caminho para seguir.
— Não brinque com o coração do jovem, Ana. Isso pode acabar mal. — Papai advertiu.
— Não é o que pretendo, pai. Não prometi mais do que amizade e tenho certeza de que qualquer pessoa pode concordar comigo. — Afirmei sem pestanejar. Eu não estava errada e não pagaria pelo que não fiz.
— Ele pode interpretar de outra maneira. — Papai soltou meu braço para seguir o próprio caminho.
— Não sou responsável pela interpretação alheia, meu caro. Eu não defino o limite entre os sonhos e a realidade no coração de todas as pessoas do mundo. — Dei um tapa leve no braço dele e segui com Valenius.
Após entrarmos no corredor dos quartos, ele se manifestou.
— Ele é um caçador. Não o escolha. — Valenius pediu.
Fiquei surpresa. Observei por um instante antes de responder.
— Você também é um caçador, imagino. — Olhei diretamente para as marcas em sua bochecha.
— E reconheço os outros. — Ele não se escondeu envergonhado, pelo contrário, exibiu as cicatrizes com altivez.
— Assim como você é confiável, ele também pode ser. — Provoquei por puro capricho, aproveitando-me da guarda baixa.
Valenius se aproximou, me olhando nos olhos.
— Eu tenho a missão de cuidar de você. Ele, não. — Murmurou convicto.
— É cedo demais para falar em escolhas. — Falei com a voz baixa.
Minhas pernas fraquejaram.
— Eu vou cuidar de você, dos seus filhos e dos seus netos. Não me obrigue a conviver com suas decisões ruins porque quero ter paz, Ana Merak. — Valenius admoestou erguendo o queixo.
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Ana Merak - Dever e Honra
FantasiAna Merak descende de uma família que se encontrou com a magia em condições adversas. A mãe de Ana era humana, mas foi recrutada para lutar pelo equilíbrio do mundo. Em meio ao caos da vida, a prestigiada Lira Merak deu à luz suas filhas, e teve uma...
