Muitas pessoas dizem que o Castelo Merak é uma fortaleza praticamente impenetrável. Eu duvido e estou disposto a testar a qualidade da defesa desse lugar. Por orgulho, e por diversão.
Paro ao lado de uma casa de comércio e desço do meu cavalo. Entro no lugar para pedir que cuidem do meu animal enquanto eu exploro a vila. Encontro ali um senhor de cabelos brancos e uma jovem parecida com ele.
— Quanto quer para cuidar do meu meu cavalo? — Pergunto objetivamente. Não sou de perder tempo.
Ele fala o valor, que não é exorbitante, porém não é modesto também. Eu abro a bolsa que trouxe na algibeira, tiro as moedas e coloco sobre o balcão. Não contesto porque sei que ele vai ficar contente e vai cuidar ainda melhor do meu cavalo.
— Se algo acontecer ao meu cavalo, eu mato você e a sua família. — Ameaço, olhando nos olhos do homem, sem piscar.
— Ele ficará seguro, senhor. — O homem afirma sem sinal de medo diante das minhas palavras. O desrespeito com a minha figura e autoridade já começa por aqui.
Dou a volta na vila, por onde há menos movimento, e entro nas ruas fingindo naturalidade. Algumas pessoas me olham e eu as cumprimento com simpatia, como se fosse normal eu estar aqui. Como se sempre estivesse aqui desde que nasci e caminhei meus primeiros passos. Não vai demorar muito até que as pessoas descubram que eu sou um estranho, porém o meu objetivo já terá sido alcançado. Entro em uma rua que me leva para o fim da vila, onde começa um trecho de campo, que acaba na floresta. A floresta certamente é o ponto fraco do castelo, principalmente nesses tempos de paz, quando não esperam por um ataque.
Entro na floresta. Uso as habilidades que aprendi com os batedores da minha família e com alguns caçadores, para me localizar. Essa parte sobre os montes Carpaţi é confusa, um tanto fechada, mas é linda. Subo em uma árvore e me ponho a pular de galho em galho até ficar sem saída. Não queria ir pelo chão, também não avisto perigo. A claridade do dia me delata, mas também me protege.
Ando até avistar ao longe um trecho alto de muro de pedra. Ouço vozes e resolvo me afastar, pois estou perto demais. Afasto-me até só ouvir os sons da floresta outra vez e caminho adiante para achar o fim do muro. Estudei bem, sei que ele não cerca todo o castelo.
Começo a entrar em um lugar da floresta que fica mais escuro e não sei o motivo de isso acontecer em plena luz do dia. Olho para cima, não enxergo copas tão cerradas. Tenho a estranha sensação de estar sendo observado, mas não avisto nada. Apresso o passo e a sensação opressiva piora. Olhando demais para os lados, não vejo um buraco no chão e acabo enfiando o pé dentro dele. Caio de cara no chão.
— Merda! — Xingo com um sussurro.
Sinto o orgulho ferido, principalmente quando me levanto e o tornozelo está doendo. Recuso-me a mancar. Obrigo a minha perna a funcionar como deve. Tenho um objetivo e vou alcançar.
A sensação piora, os pelos da minha nuca ficam arrepiados. Colo as costas em um tronco e escuto um rosnado ameaçador. Meu coração está acelerado. A respiração pesada de algo ecoa por entre as árvores. Meu corpo treme e arrepia. Sinto perigo sem ver. Pego a minha espada. Parece que meu coração está batendo na garganta.
Fico parado, observando e não vejo nada. Olho para as copas e não há mais do que folhas. Preciso decidir entre seguir ou ficar aqui, pois o medo engana. Pode ser apenas o eco de um lobo dentro da floresta.
Decido continuar. Ando alguns metros e ouço mais barulho. Vejo um vulto cinza passar ao longe, me arrepio inteiro. Estou aterrorizado; vou enfrentar.
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Ana Merak - Dever e Honra
FantasiAna Merak descende de uma família que se encontrou com a magia em condições adversas. A mãe de Ana era humana, mas foi recrutada para lutar pelo equilíbrio do mundo. Em meio ao caos da vida, a prestigiada Lira Merak deu à luz suas filhas, e teve uma...
