Meu pai estava sujo de terra até os dentes, montado em seu cavalo. Era seguido por duas carroças carregando sete pessoas desmaiadas. Atrás, dois jovens vinham presos pelos pulsos com correias de couro, andando com pés descalços. As outras pessoas do grupo vinham montadas em seus cavalos, com visíveis hematomas nos rostos, aspecto cansado e nenhuma dignidade à vista.
Era o grupo de treinamento designado para a minha guarda pessoal. Estavam nos últimos dias de provas e fiquei perplexa ao avistar tamanho desconsolo. Parecia que iam desistir a qualquer momento. Seus olhares estavam cansados e pesados. Eles pararam perto de nós e os cavalariços correram para cuidar primeiro dos cavalos que voltaram sem cavaleiros.
Papai apeou do cavalo, vestido com seu traje de montaria ornado com os brasões Alioth e Merak. Ele me deu um sorriso exausto e depois organizou os que chegaram em sua companhia.
— Peguem os doentes e levem para a sala de cura da Arena de Treinamento. Os dois traidores devem ser postos no calabouço até que possamos lidar com eles. Os demais, procurem se alinhar, e estejam aqui para o almoço, daqui a duas horas. — Ordenou em tom alto e claro. — Sem descanso para nós!
— Sem descanso! — Os candidatos responderam com postura séria. Olharam para mim, abaixaram a cabeça e saíram.
— Pai, o que significa tudo isso? — Sussurrei um tanto assustada com aquela imagem.
— Significa que se vão os anéis e ficam os dedos. Preciso de um banho, Ana. — Pediu com a voz pesada de esgotamento.
Claramente era para eu coordenar um banho para ele, feito da sua maneira favorita, com ervas calmantes e bálsamos energizantes. Eu fazia esse tipo de artigo nas horas vagas e era uma extensão da minha paixão pela natureza, pela botânica. Naquela altura eu cultivava na minha estufa muitas plantas interessantes e vindas de outros lugares, coletadas durante viagens de negócios ou ganhadas como presentes.
Valenius o cumprimentou com diligência e recebeu um tapa no ombro. Meu pai saiu arrastando o próprio corpo com passos pesados e eu o segui para preparar tudo. Observei seu rosto cansado, com alguns vincos se aprofundando na pele, os cabelos bastante grisalhos, assim como a barba. Ele estava envelhecendo e o tempo é implacável. Tinha o charme e a beleza de sempre, mas com olhos que aos poucos se tornavam opacos.
Senti um aperto no coração e o abracei de lado enquanto atravessamos o salão.
— Você está se sentindo bem? — Ele olhou no meu rosto, cheio de surpresa. — Parece mais... Agitada.
— Hoje é um dia diferente de ontem, pai. O amor pelo senhor é sempre maior. — Sorri para ele após falar de forma carinhosa.
— Você não dá trégua para o seu pai, Ana. Deixe-me não me emocionar por um dia. — Ele passou o braço pelo meu ombro. As mãos ainda enluvadas.
— Vossa senhoria tem um coração mole. — Respondi com orgulho.
— Você está mesmo agitada. E esse colar novo no seu pescoço? — Questionou-me ao observar o artigo.
— Um presente de Pricila. — Contei. Então abaixei a voz e olhei para os lados antes de dizer: — Ela me obrigou a usar.
— É mesmo? Acho que preciso falar com ela quando o treinamento da guarda terminar. — Suspirou. Não queria lidar com mais pessoas.
— Falta muito para findar? — Perguntei com certa preocupação.
— A última parte, como combinamos. Essa de agora não foi nada fácil, pois muitos não resistiram ao tempo que ficamos sem comer e caíram desmaiados. Um tentou roubar os cavalos para vender na calada da noite e o outro queria passar o punhal na minha garganta para roubar os meus bens. — O cansaço pesou em seu semblante.
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Ana Merak - Dever e Honra
FantasiAna Merak descende de uma família que se encontrou com a magia em condições adversas. A mãe de Ana era humana, mas foi recrutada para lutar pelo equilíbrio do mundo. Em meio ao caos da vida, a prestigiada Lira Merak deu à luz suas filhas, e teve uma...
