Partimos para o castelo de Efim na companhia de quase toda a nossa guarda. Apenas dois ficaram para trás, pois a cidade já fora virada de ponta cabeça e ninguém sabia informar quem era aquele homem que me atacou na calada da noite. Outra vez me vi dentro da carruagem com Valenius. Seu rosto estava tão cansado quanto o meu ser. Era difícil disfarçar, eu sabia. Aproveitei o trajeto para dormir e creio que Valenius também o fez.
Chegamos quase ao anoitecer. Os carros e carroças estavam lentos, visto que carregamos muita bagagem conosco. Tudo de novo e de velho em uma caravana lenta.
Apesar de o final do caminho estar um pouco escuro, e tenebroso, por passarmos dentro de uma floresta. Depois das muralhas do castelo havia um enorme pomar, seguido de um jardim. Paramos as carruagens na frente da grande construção que parecia um bloco retangular. Alguns convidados nos observavam de longe, sentados em mesas de pedra, localizadas debaixo de árvores frondosas. Para iluminar as criaturas, os serviçais seguravam lamparinas acesas penduradas em hastes de metal, longas o suficiente para não respirarem o mesmo ar de seus senhores. Certamente os servos estavam com os braços muito doloridos. Aquilo nem era hora para estar fora de casa, mas em tempos de festa tudo se torna diversão e jogos. Notei que todos daquele grupo eram muito jovens. Algumas pessoas nos observavam de janelas acima da entrada, no castelo.
Catalina também era loira, de aparência jovem, corpo magro. Esperava-nos já na porta, com serviçais para carregar as nossas bagagens. Meu avô instruiu que a guarda não desfizesse as carroças, pois não demoraríamos mais do que três dias por ali. Vista a situação e o nosso contexto, era melhor retornar rápido para o Castelo Merak.
Estando próxima, vi que Catalina tinha rosto comprido, lábios finos e rosados, olhos azuis de órbitas profundas. Soube, pela literatura que estudei, que Efim fez um ótimo casamento ao escolher ela, pois uniu as terras de sua família com as terras vizinhas. Uma longa história burocrática e lucrativa.
— Meu senhor, temi que não chegasse antes do pôr do sol. — Ela se dirigiu ao marido.
— Viemos o mais rápido que as patas dos cavalos permitiu. — Explicou sem muitos detalhes. — Apresento Barakj Merak e sua bisneta Ana Merak.
Ela nos cumprimentou com uma reverência cortês, adequada para nossa posição social.
— Suas acomodações já estão prontas e não demoramos a servir o jantar. Sei que é desconfortável não ter um descanso, mas temos muitos convidados por aqui e esse horário é o melhor. — Desculpou-se, como se não fôssemos os atrasados. — Se Efim soubesse que vocês viriam para a região, teríamos convidado antes.
— Não se preocupe, senhora Ruzlan. Nós estamos gratos por partilhar deste momento, porém não estava em nossos planos incomodar aos amigos. — Vovô esclareceu.
— Não é incômodo! — Efim afirmou.
— De forma alguma. Pelo contrário, é um prazer. — Catalina confirmou. — Doravante chama-me por Catalina, senhor Merak.
— Barakj para você. — Vovô gesticulou, concordando.
Fomos conduzidos aos nossos aposentos na ala sul, com vista para o rio. Notei que a guarda do castelo era maior do que a nossa, pois em todo canto podia ser vista uma unidade de soldado. O quarto a mim destinado era bonito, com um grande guarda-roupa escuro e uma cama estreita, com dossel. A lareira estava acesa, a bacia, cheia de água para o banho, e em breve chegou uma mulher jovem para me ajudar. Tinha, no máximo, trinta e dois anos. Sem muita vontade de resistir, e cansada, apenas deixei. Normal seria que tivesse mais criadas ali, porém, creio que por ordem de meu avô, veio apenas uma.
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Ana Merak - Dever e Honra
FantasíaAna Merak descende de uma família que se encontrou com a magia em condições adversas. A mãe de Ana era humana, mas foi recrutada para lutar pelo equilíbrio do mundo. Em meio ao caos da vida, a prestigiada Lira Merak deu à luz suas filhas, e teve uma...
