A guarda do castelo estava agitada. A patrulha dos soldados da vila, ainda muito nova, trouxe notícias das divisas além dos campos. Uma caravana de ciganos se aproximava, perseguida por senhores de terras. Eles quereriam passar por dentro da propriedade Merak, o que era uma ideia duplamente arriscada.
— Deveríamos apenas esperar por eles e armar uma emboscada, senhor. — Um dos soldados disse para Veteri.
O velho lobo tinha me chamado em caráter de urgência. Ana estava com o restante da guarda, tinha recém chegado de sua ronda vespertina. Sempre visitava alguma parte das terras para vistoriar. O olho do dono que engorda as rês.
— E depois? — Veteri deu corda para ele se enforcar.
— Os manteremos cativos. Usamos sua mão de obra, como todos os outros senhores, exceto os Leonus, fazem, senhor. — Ele respondeu em sua confiança ignorante.
— E, como você chegou a essa conclusão? — Veteri indagou com tom macio.
Até cruzei os braços. Eu o conhecia o suficiente para saber o que vinha a seguir.
— É como funciona em todo lugar, senhor. — O soldado deu de ombros.
— Você é bastante opinativo, soldado. Gosto de mentes frescas. Agora quero que você se imagine chegando na senhora Merak. Consegue se enxergar dizendo para ela que as gerações da família dela estão erradas por não escravizar os ciganos? — A impaciência dele estava se tornando clara. — Gostaria de listar para ela os benefícios de massacrar uma etnia, quando, claramente, os Merak trabalham em propostas pacificadoras? Pode me explicar como vamos lidar com a honra dela se tornando movediça?
O soldado olhava para o chão, de cabeça baixa, pesada pela vergonha.
— Tudo isso é bastante ruim, soldado, porém é ainda pior que você tenha pensado em fazer algo tão sério sem permissão. O princípio de governabilidade e poder dos Merak é a diplomacia e você deseja derrubar esse pilar e iniciar um efeito em cadeia que pode terminar com ataques gigantescos e tentativas de tomada dessas terras. — Veteri estava completamente nervoso. E ele tinha razão.
A menos que a caravana de ciganos oferecesse um risco real, não podíamos simplesmente atacá-los. E mais, as terras Merak eram discretas e abrigavam segredos que não deviam receber ainda mais atenção do que já recebiam.
— Sinto muito, senhor. — O soldado falou, envergonhado.
— Devo ter isso como uma traição? — Veteri o oprimiu para servir de exemplo aos demais.
— Não, senhor Luppus. — Respondeu o jovem.
— Acredito em você. Por isso você vai ajudar na estrebaria enquanto pensa sobre a sua atitude. Exercite a cabeça também. Se todos morressem e você precisasse liderar os soldados, logo estaria apodrecendo em uma cova rasa. — A voz de Veteri estava calma outra vez.
O outro estava tão envergonhado que somente entregou a espada e partiu para a estrebaria.
— Vou avisar a senhora Merak sobre a situação. — Falei, por fim. — Podem se preparar, tenho certeza de que ela vai querer ir até lá.
— Sem sombra de dúvidas, Valenius. A senhora tem o mesmo gênio da mãe e do avô. — Veteri replicou. — Ela vai querer conversar. É bom que seja assim, já que um derramamento de sangue desnecessário traz mau agouro.
— Não se esqueçam que ciganos são muito traiçoeiros. — Falei para todos. — Eles vivem sob constante ameaça, então estão sempre prontos para atacar e defender suas famílias. Pensem como eles pensam. Coloquem-se no lugar deles para entender que vocês também não deixariam a ameaça correr solta.
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Ana Merak - Dever e Honra
FantasiAna Merak descende de uma família que se encontrou com a magia em condições adversas. A mãe de Ana era humana, mas foi recrutada para lutar pelo equilíbrio do mundo. Em meio ao caos da vida, a prestigiada Lira Merak deu à luz suas filhas, e teve uma...
