Foi de longe a mais exuberante comitiva que eu já vi no Castelo Merak.
Eu estava parada na frente do meu castelo, com boa parte da guarda reunida ao meu lado. Solis estava vestida com uma capa castanho-avermelhada, logo ao meu lado. Para aquela ocasião eu fui vestida com um grande vestido de veludo azul com bordados dourados que lembravam os campos verdes da Transilvânia. Sobre meus ombros, trazia uma suntuosa e pesada capa preta forrada por dentro com pelos. Ela tinha um grande capuz que protegia do frio extremo que começava a amainar naquele fim de inverno.
Vinte cavaleiros cobertos dos pés à cabeça, apenas com os olhos de fora, entraram pelo portão do castelo. Estavam uniformizados e traziam sabres em suas cinturas. Seus cavalos eram saudáveis e garbosos, com marchas tão acertadas que não dissonavam. Vi então entrar quatro camelos, o que conhecia apenas por ilustrações em um livro. Eram peludos, diferentes das imagens e não pareciam incomodados com o frio. Camelos tinham um porte elegante e um olhar de superioridade longínqua que era difícil de explicar. Eu já estava maravilhada. Entrou então um animal ainda maior, trazendo uma pequena cabine em suas costas largas. O elefante fez um barulho alto com sua tromba e a minha realidade não parecia mais real naquele momento. Depois do elefante entraram algumas carroças cobertas, seguidas por mais quarenta cavaleiros em seus alazões. Vinte aias entraram montadas em seus cavalos, e nem os olhos estavam à mostra. A gigantesca comitiva encheu o pátio do castelo.
— Solis, não temos espaço o suficiente na estrebaria. Assim que possível, peça para erguerem tendas aqui para os animais e que façam fogueiras para aquecer a todos. Não deixem o fogo esmorecer. — Sussurrei.
— Sim, senhora Merak. — Ela respondeu. Parecia estar impressionada também.
Um dos cavaleiros desceu de seu cavalo e anunciou em latim com um sotaque diferente de todos que eu já ouvira:
— Sua Alteza Real, a Princesa Erim, agradece pela hospitalidade da senhora Ana Merak! — Não era o nome dela completo, eu sabia, mas não me iria ater aos detalhes.
Estava curiosa, assim como todos ao meu redor.
O condutor do elefante o fez deitar no chão onde não havia neve, então foi colocada uma escada dobrada perto do animal e a cabine se abriu, revelando uma mulher de uma cor que eu nunca vira antes. A jovem de pele preta desceu de seu posto como uma deusa, com a cabeça erguida, sem medo de cair. Era a sua postura de realeza, olhando sempre para o céu e o horizonte. Estava coberta por um pesado manto de pele, com pelos tão dourados e acesos que chegavam a lembrar o fogo da magia de minha mãe. Seus cabelos eram longos, com pelo menos um metro de comprimento, e estavam trançados, em tranças miúdas, enfeitadas com flores de ouro. Havia joias de ouro em suas orelhas, pescoço e braços, onde se podia ver, nos lábios e nos sapatos também. Eu poderia apenas descrevê-la como magnânima.
As aias desceram dos cavalos e se organizaram, colocando tapetes onde a princesa ia pisar e jogando óleo perfumado sobre eles. O cheiro de flores preencheu o ar, mas eu não sabia distinguir quais flores.
O cavaleiro que tinha anunciado se aproximou de nós e se apresentou rapidamente.
— Sou o intermediário. Caso não se importe, não podemos dizer nossos nomes, senhora. — Ele falou em tom respeitoso.
— Sigam a sua tradição sem reservas, senhor. — Autorizei.
A princesa Erim parou de andar e todos os seus súditos se curvaram. Ela me olhou com seus olhos pretos de brilho reluzente e sorriu.
— Alteza. — Cumprimentei com uma reverência.
Ela sorriu, então disse:
— Senhora Ana Merak? És tão jovem. Onde está o amigo Barakj Merak?
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Ana Merak - Dever e Honra
FantasyAna Merak descende de uma família que se encontrou com a magia em condições adversas. A mãe de Ana era humana, mas foi recrutada para lutar pelo equilíbrio do mundo. Em meio ao caos da vida, a prestigiada Lira Merak deu à luz suas filhas, e teve uma...
