UM CONVITE

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Eu o abracei e ele retribuiu. Estava muito quente e era mais forte, praticamente um homem feito. Ele me afastou e olhou nos meus olhos com uma clara expressão amorosa. Um amor fraternal, que Ionel nunca tinha expressado por mim. Era cheio de carinho e respeito.

— É bom revê-la. — Sorriu com dentes perfeitamente brancos de presas protuberantes.

Fiquei admirada porque a sua imagem se tornou mais sombria e imponente do que a de Valenius.

— Digo o mesmo. — A minha voz quase não saiu, tamanha a emoção que eu sentia.

Valenius chegou ao meu lado e bateu no ombro dele.

— Finalmente você chegou. — Falou em um tom de amizade e respeito que nunca tinha dirigido a Ionel.

— Não creio que você avisou a todos, menos a mim, Ionel. — Reclamei e com razão de ter um pouco de mágoa. Talvez eu tivesse preparado um festejo.

Ele soltou um riso profundo, rouco, e me olhou nos olhos.

— Quiseram te surpreender. E, a propósito, não me chame mais de Ionel. — Pediu com delicadeza. — Chama-me de Tenebris, como deve ser.

— Tenebris? Por quê? — Perguntei um tanto surpresa pela mudança.

— É o meu nome. Sempre foi. — Justificou de forma vaga.

Eu ia insistir, mas papai apareceu no cômodo.

— Que homenzarrão! — Assoviou admirado. — Existe algo na família dos Luppus.

Ionel, digo, Tenebris, olhou para ele e sorriu.

— Senhor Alioth, é bom vê-lo. — Cumprimentou com um aperto de mão. Ele era mais alto e largo do que o meu pai.

— Voltou para ficar? — Papai sorriu de forma convidativa.

— Sim, senhor. Contudo, antes de assumir com plenitude a minha função por aqui, ainda tenho algo para fazer com a minha família. Vim convidar a sua filha. — Avisou com naturalidade.

Papai sorriu, exibindo um fundo de pesar, enquanto eu queria saber que função pré determinada era essa.

— Ela não pede mais permissão, meu caro Tenebris. Ana agora é "senhora Merak" e responde por tudo. — Explicou enquanto me abraçava pelos ombros. — Esse dia triste chegou.

— Todos sabiam sobre o nome? — Indaguei.

— Você precisa ler as correspondências. — Papai chamou a minha atenção.

Era verdade que eu sempre deixava para ele enquanto cuidava de outras questões. Estera e Polaris entraram pela porta, paramentadas, prontas para o trabalho. Se alinharam com Valenius, atrás de mim. Polaris abaixou a cabeça para Tenebris.

— Senhor Luppus. — Cumprimentou-o com deferência.

— Polaris, você cresceu muito. — Tenebris disse com nostalgia.

— Apresento duas guardas pessoais de Ana. Esta é Estera — papai apontou para ela. — E, eu guardei o seu...

Meu pai enfiou a mão no bolso da calça e tirou um medalhão dourado do qual eu não tinha conhecimento. Era idêntico ao de Valenius. Senti-me traída e ao mesmo tempo surpresa.

— Repita as palavras, por favor: eu prometo servir a Ana Alioth Merak até o dia da minha morte. Se forem convocados, meus filhos servirão. Se forem escolhidos, meus netos servirão. A minha vida será a sua vida. A minha casa será a sua casa. Sua descendência será a minha descendência. Se a minha língua vos trair, que ela seja cortada. Se a minha mão vos apedrejar, que ela seja arrancada. Se meus pés se afastarem, que eles sejam amputados. Esse é meu voto de lealdade e fé, diante de todos os olhos. — Papai deu pequenas pausas entre as frases enquanto ele repetia.

Ana Merak - Dever e HonraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora