CONSTANTIN LEONUS

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Preciso me acalmar e retomar a razão. Falar pouco, me mover ainda menos e fingir que o mistério é a coluna central da minha personalidade. Deixar que Bogdana cuide de tudo o que for necessário enquanto analiso a dita Ana Merak. Desde a distribuição dos convites para sua festa de anos, a fama de Ana apenas cresce. Todos que a veem, a maioria homens, fazem questão absoluta de fazer correr as notícias de que ela é uma notória personalidade.

Ana ficou recolhida por muito tempo e quando começou a conviver com a sociedade, foi em terras longínquas. Uns dizem que é bonita e suave, como uma flor, já outros, falam que é altiva e orgulhosa. O certo é que marquei uma visita em calendário, para vê-la de perto.

— Está pensativo, irmão. — Bogdana coloca as luvas que estavam sobre o colo.

— Sim. Há pouco tem corrido muitas notícias sobre os Merak, principalmente sobre Ana. — Compartilho meus pensamentos.

Bogdana sorri com seus dentes alvos.

Somos parecidos, logicamente, já que somos irmãos. Cabelos pretos, olhos pretos e pele branca. Muito branca. Nem ficando no sol por muitas horas conseguimos alguma cor.

— Você deve ter o espírito de tomá-la como noiva. É uma das poucas mãos de boa estirpe que não foram angariadas pela nobreza regional.

Suspiro diante da sugestão de minha irmã.

— Você acha mesmo que ela vai aceitar um homem como eu? — Tento chamá-la para a realidade.

— Todos têm seus segredos, Constantin. — Bogdana dispensa com um gesto de mão, como se nada fosse.

— Ela vai querer filhos, Dana, não é tão simples como você faz parecer. — Começo a ficar levemente irritado com a positividade de minha irmã.

— Pedimos para o nosso primo Karlos fazer os filhos, Tin. Já disse muitas vezes que podemos encontrar caminhos. — Dana sorri enquanto olha pela janela. Um sorriso de genialidade.

— Você sugere que eu tire uma jovem do seio da família dela, uma jovem que mal conhece o mundo, para se casar comigo e se deitar com o meu primo para ter bastardos legítimos, Dana? Você se escuta? — Apoio meus cotovelos nas coxas e olho ela por baixo.

— O que não podemos esperar é a incompreensão! Segundo os meus espiões, a família dela é bem estranha. O velho Barakj, é muito velho mesmo. Alguns dizem que ele já é o Barakj terceiro e outros falam que ele está vivo desde sempre, o que é impossível porque isso significaria algo como quase, ou mais, de meio século vivo. — Dana fofoca. — Bem, uma família nessas condições suspeitas certamente quereria um clã discreto para se aliar ao seu.

Rio das suposições sobre a idade de Barakj.

— Creio que Matusalém não deva mais ser a referência de longevidade. Agora será o velho Barakj. — Provoco.

— Você brinca com isso, mas já dizia o poeta sobre os mistérios entre o céu e a terra. — Ela termina de calçar as luvas.

— Você sabe que as famílias nomeiam os filhos com nomes de parentes mais velhos. Deve ser o terceiro Barakj no mundo. Além disso, eles ficaram muito tempo longe dessas terras e não sabemos o que aconteceu com eles longe daqui. — Argumento. Ela não vai se render. A teimosia no olhar conta.

— Eu sei, é por isso que coloquei meus espiões para seguir os rastros e descobrir tudo, mesmo que precisem revirar a Europa. Somos prósperos o suficiente para isso. Os cofres Leonus são mais cheios do que os do príncipe porque somos inteligentes e sempre temos informações. Dizem que a mãe da menina está em um convento, mas, a menos que ele esteja no subsolo, é mentira. Você sabe, dizem que Lira Merak tem cabelos brancos desde que nasceu e é difícil esconder alguém assim. — Ela está com aquela expressão no rosto. Inquieta. Se vai ser complexo arranjar uma noiva para mim, imagine um marido para Bogdana, que não obedece a ninguém.

Ana Merak - Dever e HonraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora