DIA DE ADAPTAÇÃO

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A segunda-feira chegou bonita sobre o castelo. Levantei-me da cama e corri direto para a porta. Abri com força e olhei para os dois lados do corredor: primeiro para a direita e depois para a esquerda. Encontrei, caminhando na minha direção, quem eu buscava. Não hesitei em me lançar em seus braços e apertá-lo com força, pois estava com saudades.

— A peste da loucura alcançou o castelo enquanto eu estava fora? — Ele riu baixo.

— Parvo! Há quanto tempo você chegou? — Soltei-o e analisei seu rosto.

— Há apenas alguns minutos. Acabo de deixar a minha bagagem no dormitório. — Explicou enquanto enfiava uma mão no bolso.

— Você não faz ideia do quanto esse fim de semana passado foi agitado neste castelo, jovem Valenius. Nossos dias estão cheios doravante, sinto em lhe informar. — Comecei a dar introdução para a fofoca. A minha língua pinicava pela vontade de contar as novidades.

Ele esticou a mão com um pequeno embrulho dentro.

— A minha mãe mandou para você. Disse que é humilde, porém, de coração. — Havia uma certa expectativa em sua voz.

— Que mimo! — Peguei o embrulho e abri. Era um pão muito macio. — Santo Deus, que gentileza!

Senti emoção genuína ao ser tocada por aquele gesto. Principalmente porque o cheiro era divino.

— Eu disse a ela que não precisava porque aqui tem muitos, mas ela insistiu. — Valenius estava sem graça. Falava até um pouco encolhido.

— Pois precisava sim! O dela tem gosto diferente. — Dei uma mordida, apreciando o sabor. Estiquei na direção do rosto de Valenius para oferecer: — Você quer um pedaço?

— Não, comi muitos desse hoje. — Exibiu-se como um pavão.

— Enquanto você estava com seus pais, nós recebemos por aqui a minha nova mestra. — Contei com a boca cheia.

— É mesmo? — Ele estava interessado. Pelo jeito Valenius ainda não sabia da notícia.

— É sim. O nome dela é Pricila Elspeth. E ela é muito diferente de Gueorgiana! — Contei, arregalando meus olhos e gesticulando com as mãos para dar mais impacto.

— Você gostou da presença dela? — Valenius colocou as mãos na cintura e franziu o cenho, com dúvida.

— Ainda não tenho um veredito, entretanto, já acho que é uma pessoa palatável. — Dividi minhas impressões enquanto batia as mãos e terminava de mastigar.

Um pão delicioso, porém não acabou com a minha fome.

— Ana, o que está fazendo ainda de camisola e conversando com Valenius no corredor? — A voz do meu pai me alcançou pelas minhas costas. Olhei para trás e o vi, bem arrumado, barbeado, com os cabelos penteados com rigor.

— Bom dia, pai. Eu só estava contando que agora tenho uma mestra. — Compartilhei o teor da conversa. Logo olhei para Valenius: — Nossas aulas serão no período vespertino, Valenius. É quando terei tempo livre.

— Não se preocupe comigo, senhorita Merak. — Valenius andou até a sua posição de costume, ao lado da porta.

— Bom dia, filha. — Meu pai beijou a minha testa. — Vim dizer o seu cronograma para hoje. Agora pela manhã você terá aulas de idioma e de piano. No início da tarde receberemos a visita dos Mihai e depois, como você já deve ter intuído, você terá algum tempo livre. Já adianto que recebemos uma carta e o filho do príncipe deseja te conhecer, então ele vai passar alguns dias conosco porque a viagem é longa. E Jis pediu para entregar os materiais que você disse que doaria, então eu vim buscar para levar.

Ana Merak - Dever e HonraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora