— Um lobo! Um lobo gigantesco! — O covarde gritou ao acordar. Tinha os olhos arregalados de medo.
Depois do dia cansativo acompanhando o calhorda, tudo o que pude fazer para aliviar o cansaço foi tomar banho. Um banho longo e perfumado. Depois vesti a minha roupa de dormir mais confortável e me debrucei sobre a mesa para terminar de catalogar as ervas enviadas por Alexandru. Era o meu escape, uma atividade relaxante que conseguia aliviar a minha mente.
Estava sonolenta quando ouvi uma batida baixa na porta. Levantei-me, caminhei até lá e perguntei quem era. Estava cheia de um medo inexplicável que se dissipou quando escutei a voz de Valenius.
— Sou eu, Ana. — Ele disse com certa urgência.
Destranquei a porta e deixei ele entrar. Não era o meu hábito, trancar a porta, mas estava desconfiada. Era melhor não confiar em tantos desconhecidos em casa.
— O que você deseja? Deveria estar descansando. — Repreendi, apesar do alívio.
Valenius desviou o olhar para minhas janelas. Estava conferindo se as deixei abertas. Elas estavam devidamente trancadas.
— Eu tenho um mau pressentimento. Resolvi conferir se você está bem. O dia hoje foi difícil. — Disse enquanto me olhava nos olhos. Tive certeza de que Valenius estava mais alto, pois o ângulo mudou sensivelmente. Seu rosto também estava mais cheio e as cicatrizes mais alargadas.
Suspirei e o abracei. Eu queria um conforto físico que não sabia como expressar. Ele me abraçou de volta.
— Não está sendo fácil, Valenius. Claro que não é como trabalhar no campo ou passar fome, no entanto, é o mesmo sentimento de ter uma criatura asquerosa rastejando sobre mim enquanto não posso reagir. Essa impotência sem fim. E não há saída fácil, pois existe uma disputa política no meio. — Afastei-me e passei uma mão no rosto.
— Todos nós temos nossas próprias cruzes e a sua vai pesar a partir de agora, principalmente porque você é a única herdeira. — Ele colocou a mão no meu ombro e me fez levantar o olhar. — Aguente com firmeza, pois nós estamos com você. Todos nós. As pessoas neste castelo amam você. Seja forte, Ana. Só mais um pouco.
— O que me mata, Valenius, é que esse príncipe é o mais difícil de lidar. O comportamento déspota... Você não pode nem sonhar em puxar uma arma para ele, ou teremos problemas maiores. — Asseverei. Não era uma boa ideia porque aquele mimado podia distorcer a situação.
— Eu não... — Valenius interrompeu a fala bruscamente e se afastou.
Ele colocou um dedo sobre os lábios, pedindo silêncio. Eu fiz. Só não consegui controlar a expressão de pânico quando vi o príncipe de merda invadindo meu quarto. Era a pior configuração de todas.
A situação escalonou para níveis estelares quando Valenius, silencioso, se tornou lobo, ao lado do príncipe. Olhei incrédula e Gregório o fez também. Valenius o encarou e ele desmaiou. No ato, soltei um berro enquanto Valenius voltava a sua forma humana. Eu disse para não usar arma, e ele não usou.
Foram poucos segundos de grito e todas as pessoas por perto entraram no meu quarto. Meu pai, meu avô, Solis e Pricila.
— O que aconteceu? — Meu avô questionou enquanto cutucava o príncipe com a ponta da bota.
— Você está bem, filha? — Meu pai me abraçou. Foi a deixa para eu cair no choro.
Vovô lançou um olhar inquisidor sobre Valenius.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Ana Merak - Dever e Honra
FantastikAna Merak descende de uma família que se encontrou com a magia em condições adversas. A mãe de Ana era humana, mas foi recrutada para lutar pelo equilíbrio do mundo. Em meio ao caos da vida, a prestigiada Lira Merak deu à luz suas filhas, e teve uma...
