VIVER: A VIDA É FUGAZ (PARTE 2)

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Ri com certo escárnio.

— Tenho muitos pretendentes e estou aqui sozinha? — Olhei para o rosto dele e senti um arrepio. Era um sedutor fatal ou eu o via mais belo e atraente do que deveria.

— Isso se deve ao fato de que uma metade deles está junto ao seu pai, tentando conquistá-lo. Sem sucesso, se quer saber. Parece-me que a família Merak se esforça para espantar os rapazes. E a outra metade está te observando e estudando formas de se aproximar, mas estão com medo da reação do seu guarda que os aterroriza com o olhar. — Riu, debochado.

— O senhor é destemido, não é mesmo, senhor Narcis? — Provoquei aquele espírito aventureiro.

— Eu e Constantin, todavia ele é um mulherengo, então não o tenha em alta conta. — Difamou o pobre. De fato, ele estava em um canto conversando com Bogdana e uma peituda ruiva. Muito atraente, na minha opinião.

— Devo ter apenas o senhor em alta conta? — Questionei olhando nos olhos dele.

Ele não desviou o olhar. Apenas o manteve, intenso.

Eu poderia beijá-lo ali. O título de meretriz que carregaria seria o mais pesado de todos, claro que sim. Contudo, o deleite do ato...

— Bem, e os homens de sua família, é claro. — Pontuou com um sorriso cafajeste. — Os próximos, digo. Apesar de que, soube que a senhorita não tem contato com os outros. Aqui estão alguns de seus primos e eles nem se aproximam.

— É... Uma situação complicada. Fui criada longe de tudo e as visitas não são muito bem-vindas. Ou não eram. — Tentei não deixar pesar na voz porque eu realmente não sentia muito.

— Sempre gostei das histórias de donzelas em torres. — Ele sussurrou com rouquidão.

Um arrepio percorreu a minha coluna até a nuca.

— Eu não ficava presa. — Ri de nervoso.

— Não. O mundo que era apartado do seu Éden. — Basiliu deu uma piscadela.

O jovem era fatal mesmo.

As investidas de Basiliu foram interrompidas pela aproximação de Alexandru.

— Que festa ótima! Creio que os Merak ganharão mais fama depois dessa reunião. — Alexandru cumprimentou-me à sua maneira.

— É uma gentileza da sua parte, senhor. — Agradeci com sinceridade.

Basiliu fungou ao meu lado e eles trocaram olhares fulminantes. Eu esperava não precisar escolher entre a companhia dos dois.

De repente ouvimos gritos. As pessoas correram, abrindo espaço em meio à comoção. Levantei-me para observar o que ocorria e vi dois homens brigando aos murros. Um derrubou o outro no chão.

— Como ousa tentar contra a minha honra?! — Berrou com os punhos sujos de sangue.

O outro deu um golpe rasteiro que o fez cair no chão, soltando um estalo alto de osso quebrado.

— Calhorda! Você não é melhor do que ninguém. — Disparou, subindo em cima do outro para imobilizar.

Era um duque.

Papai apareceu com os guardas do castelo e separou os dois.

— Vocês estão desonrando a comemoração de minha filha! — Reclamou, irado. Estava até vermelho. — Faço a todos saberem, publicamente, que nenhum dos senhores poderá pleitear a mão de Ana Merak. Guardas, levem estes senhores até os aposentos deles, para que se recomponham, pois não aceitamos os exaltados violentos por aqui.

Ana Merak - Dever e HonraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora