Ri com certo escárnio.
— Tenho muitos pretendentes e estou aqui sozinha? — Olhei para o rosto dele e senti um arrepio. Era um sedutor fatal ou eu o via mais belo e atraente do que deveria.
— Isso se deve ao fato de que uma metade deles está junto ao seu pai, tentando conquistá-lo. Sem sucesso, se quer saber. Parece-me que a família Merak se esforça para espantar os rapazes. E a outra metade está te observando e estudando formas de se aproximar, mas estão com medo da reação do seu guarda que os aterroriza com o olhar. — Riu, debochado.
— O senhor é destemido, não é mesmo, senhor Narcis? — Provoquei aquele espírito aventureiro.
— Eu e Constantin, todavia ele é um mulherengo, então não o tenha em alta conta. — Difamou o pobre. De fato, ele estava em um canto conversando com Bogdana e uma peituda ruiva. Muito atraente, na minha opinião.
— Devo ter apenas o senhor em alta conta? — Questionei olhando nos olhos dele.
Ele não desviou o olhar. Apenas o manteve, intenso.
Eu poderia beijá-lo ali. O título de meretriz que carregaria seria o mais pesado de todos, claro que sim. Contudo, o deleite do ato...
— Bem, e os homens de sua família, é claro. — Pontuou com um sorriso cafajeste. — Os próximos, digo. Apesar de que, soube que a senhorita não tem contato com os outros. Aqui estão alguns de seus primos e eles nem se aproximam.
— É... Uma situação complicada. Fui criada longe de tudo e as visitas não são muito bem-vindas. Ou não eram. — Tentei não deixar pesar na voz porque eu realmente não sentia muito.
— Sempre gostei das histórias de donzelas em torres. — Ele sussurrou com rouquidão.
Um arrepio percorreu a minha coluna até a nuca.
— Eu não ficava presa. — Ri de nervoso.
— Não. O mundo que era apartado do seu Éden. — Basiliu deu uma piscadela.
O jovem era fatal mesmo.
As investidas de Basiliu foram interrompidas pela aproximação de Alexandru.
— Que festa ótima! Creio que os Merak ganharão mais fama depois dessa reunião. — Alexandru cumprimentou-me à sua maneira.
— É uma gentileza da sua parte, senhor. — Agradeci com sinceridade.
Basiliu fungou ao meu lado e eles trocaram olhares fulminantes. Eu esperava não precisar escolher entre a companhia dos dois.
De repente ouvimos gritos. As pessoas correram, abrindo espaço em meio à comoção. Levantei-me para observar o que ocorria e vi dois homens brigando aos murros. Um derrubou o outro no chão.
— Como ousa tentar contra a minha honra?! — Berrou com os punhos sujos de sangue.
O outro deu um golpe rasteiro que o fez cair no chão, soltando um estalo alto de osso quebrado.
— Calhorda! Você não é melhor do que ninguém. — Disparou, subindo em cima do outro para imobilizar.
Era um duque.
Papai apareceu com os guardas do castelo e separou os dois.
— Vocês estão desonrando a comemoração de minha filha! — Reclamou, irado. Estava até vermelho. — Faço a todos saberem, publicamente, que nenhum dos senhores poderá pleitear a mão de Ana Merak. Guardas, levem estes senhores até os aposentos deles, para que se recomponham, pois não aceitamos os exaltados violentos por aqui.
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Ana Merak - Dever e Honra
FantasiAna Merak descende de uma família que se encontrou com a magia em condições adversas. A mãe de Ana era humana, mas foi recrutada para lutar pelo equilíbrio do mundo. Em meio ao caos da vida, a prestigiada Lira Merak deu à luz suas filhas, e teve uma...
