A situação de Ana era sempre a pior possível. Naquele tempo estava mais do que perigosa, sem nenhum membro da família em casa para protegê-la e com mercenários tentando matá-la em pouco espaço de tempo. Eles não tinham nome, nem origem e muito menos qualquer informação que pudéssemos usar para rastrear aquela conspiração. Veteri era bom em seu trabalho, mas não fazia milagre. Entretanto, apesar do espaço de ignorância que nos era imposto, sabíamos quem a atacava e os motivos que levavam a isso.
— Tentamos encontrar os membros dessa seita e não conseguimos. Jis está há anos procurando por eles sem sucesso, mas eles sempre sabem quando Ana está fora do castelo. — Veteri disse enquanto cheirava a boca do defunto estirado sobre a mesa. Seu focinho de lobo era mais potente do que o nariz. Ali, nas salas do calabouço, tudo era penumbroso. Os prisioneiros gritavam lá no fundo. Devíamos dar um jeito neles, mas não paramos para pensar uma pena justa para cada pessoa. — Como é possível que sempre estejam a par do que ela faz?
— Isso é feito por alguém próximo, eu já disse. — Respondi, e cruzei os braços.
— Investigamos cada pessoa desse castelo e ninguém repassa informações. — Veteri disse com confiança, voltando à sua forma humana.
— Talvez os espiões de Dana. — Sugeri.
— Não. Eles são discretos, mas não tanto. E Dana não pega para espionar as pessoas que são muito religiosas. — Veteri falou com frustração.
— Petrus... Ele tem ligação direta com a Igreja. — Coloquei em pauta outra vez, como já fizera tantas vezes antes.
— Não. Ele não se corresponde, não tem família e nem amigos fora daqui. Ele não sai e não faz nada além do sacerdócio. — Veteri rebateu de novo, já tínhamos seguido Petrus tantas vezes que perdemos as contas.
— Talvez seja magia.
— Petrus é um humano comum. Ele não domina magia e provavelmente não passaria pela barreira das encantrizes d'O Pomar. — Veteri eliminou a possibilidade enquanto coçava a cabeça. — Isso me deixa louco. Eles estão se tornando muito ousados e, como uma simples humana, Ana é muito frágil.
Fiquei em silêncio, observando o corpo. Podíamos descobrir de onde veio, ainda assim, não conseguiríamos um rastro até aqueles que importavam.
— Eles odeiam as bruxas e qualquer tipo de magia. São muitos agora, e acham que estão fazendo o bem. É difícil pegá-los. Não temos como confrontar toda a estrutura da Igreja e também não devemos expor Ana. — Veteri disse pela centésima vez. Sempre tínhamos aquela discussão.
— Por quê prometeram protegê-la? — Perguntei com raiva. Seria mais fácil agir com máxima violência se a prudência não estivesse nos cálculos
— Você sabe...
— Diga a sua perspectiva pessoal, Veteri. Você poderia apenas recusar e dizer para o Pomar fazer isso. — Eu queria tirar o peso dos ombros dele.
Veteri me olhou, torceu o nariz e soltou uma informação que eu não sabia.
— Praticamente todo o exército d'O Pomar está lutando junto a Lira e Barakj. Atualmente quem está vigiando a magia de lá são os guardiões das Ilhas-Coração.
Suspirei. Pouco sabia sobre essas criaturas.
— Precisamos de um bom plano, pois logo a caravana da princesa Erim vai estar aqui. Serão muitas pessoas novas. — Falei e cocei a cabeça.
Veteri de repente ficou com o olhar perdido e deu um sorriso.
— O que há? — Questionei sem ver a graça.
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Ana Merak - Dever e Honra
FantasyAna Merak descende de uma família que se encontrou com a magia em condições adversas. A mãe de Ana era humana, mas foi recrutada para lutar pelo equilíbrio do mundo. Em meio ao caos da vida, a prestigiada Lira Merak deu à luz suas filhas, e teve uma...
