NOVO MOMENTO

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Acordei sentindo uma incômoda dor de cabeça, que era infinitamente melhor do que não ter acordado. Meus olhos estavam inchados do choro silencioso na noite anterior. O estômago se via em semelhante estado deplorável. Minha cama ainda estava cercada pelos mesmos guardas de costas para mim, a diferença era Valenius, que estava ao pé da cama, olhando para a parede sem se focar, com o rosto voltado na minha direção.

Ele bateu com o metal da espada no peito. Os guardas se afastaram até as paredes, deram meia-volta e ficaram com o rosto voltado para a cama no centro do cômodo. Envergonhada por eles verem meu estado de mixórdia, com aquele latejar enjoado na cabeça e a bexiga cheia, eu me rastejei para fora da cama. Andei até o aparador onde havia uma bacia e uma jarra com água, bem melhores do que as do meu quarto, pois a água estava bem perfumada. Claramente gostavam mais dele do que de mim.

Lavei meu rosto e enxuguei com um dos lenços de meu avô. Eu queria um banho, na verdade. Então puxei o ar com força, prendi no pulmão por alguns segundos e depois soltei.

— Valenius... — Chamei com a voz baixa porque não queria a sensação de um martelo batendo no meu crânio.

— Sim, senhorita Merak. — Respondeu com uma postura fria e distante. Analisei seus olhos, e, diferente dos outros homens da guarda, ele não parecia cansado.

— Desejo tomar banho, portanto, quero voltar para o meu aposento. — Pedi. Tentei ser educada enquanto fazia aquilo soar como uma ordem ou algo do tipo.

— Não será possível, senhorita Merak. Estão apurando o crime desde a madrugada. — Valenius informou.

— Onde o meu avô dormiu? — Pensei que ele tinha trocado de quarto.

Teria o meu avô, ido para outra pousada?

— O senhor Merak não dormiu essa noite passada, senhorita Merak. Ele esteve ocupado em apurar o ocorrido, juntamente com os guardas. — Valenius estava muito bem informado.

Tinha saído dali enquanto eu dormia?

— Quais informações temos? — Questionei quase me esquecendo da dor de cabeça.

— Nenhuma que eu saiba, senhorita Merak. A respeito de seu banho, há uma banheira neste quarto, se não for ousadia de minha parte, sugiro que a use.

Mas eu queria urinar também e essa era uma informação que eu desejava manter reservada. Eu entendia já o fato de meu guarda pessoal saber tudo ou quase tudo sobre mim, por outro lado, todos os guardas de meu avô serem inteirados de cada detalhe, não era uma opção aceitável e nem viável.

— Todos os guardas, exceto Valenius, saiam do quarto. — Ordenei olhando para o chão e rezando para funcionar.

— Senhorita... — Um deles tentou contestar.

Ergui o olhar para ele, com meu queixo apontando para o alto, demonstrando altivez.

— Todos os guardas, exceto Valenius, saiam do quarto. — Eu repeti, com firmeza.

Eles obedeceram. Descobri que assim era o poder. Entendi no ato que talvez eu os estivesse obrigando a desobedecer o meu avô, haveria outra situação para eu resolver em breve. Fiz Valenius ficar de costas para mim e urinei em um penico que estava debaixo da cama. A sensação de alívio foi tão grande que me pareceu que a dor de cabeça cessou um pouco.

A próxima hora inteira consistia em movimentar os guardas para trazer a minha bagagem até onde eu estava, já que não tinham feito isso enquanto eu dormia. Também gastei energia para que trouxessem a água até a banheira dali. A banheira do quarto de vovô ficava em uma modesta saleta de banho e não atrás de um biombo. Eu não vi antes a porta da sala de banho porque estava atrás de uma cortina.

Ana Merak - Dever e HonraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora