A FESTA NA VILA (PARTE 3)

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"Eu sou um aventureiro", foi o que Basiliu disse quando nos vimos pela primeira vez. "Um aventureiro", papai falou quando perguntei a identidade do vencedor. Fui tomada pelo entendimento quando vi o rosto suado, de músculos estimulados, ornado por um sorriso orgulhoso e vitorioso.

— Não vais me coroar, senhorita Merak? — Perguntou para a minha estúpida e paralisada figura.

Ele abaixou a cabeça para eu colocar a coroa em seus cabelos. Depositei enquanto me dava conta de que havia um senhor de terras semi nu bem na minha frente. Tentei não olhar para seu abdômen musculoso e nem para a expressão sádica de quem se divertia com o meu atordoamento. A minha salvação foi meu pai, que chegou ao meu lado para cumprimentar o nosso vizinho.

— Senhor Narcis, agora o mais orgulhoso proprietário de uma porca prenhe. — Papai o felicitou.

— Senhor Alioth, é um prazer ganhar a porca. Peço a sua licença para sorteá-la entre os outros lutadores. Com todo o respeito, não preciso dela. — Ele apertou a mão de papai.

— Se eles assim desejarem...

Por alguns segundos assistimos aos homens do senhor Narcis que tinham surgido do meio da multidão com todo um aparato para socorrê-lo da exposição. Para a minha surpresa, Dana e Constantin também se revelaram, tirando os capuzes de suas cabeças.

— Que festança! — Constantin exclamou enquanto me cumprimentava.

— Nem me preparei para recebê-los. — Falei, preocupada. Eu sabia que eles vinham, mas não quando e nem tinha me planejado para os recepcionar melhor.

— Não seja boba, queremos ver é a festa do povo. Comprar lembranças nas barracas e comida. — Dana sorriu com uma alegria atípica.

A noite parecia ser o lugar certo para Bogdana. Sua palidez e o contraste entre pele e cabelo brilhavam na penumbra. Até seu sorriso ficava mais esplêndido. Ela parecia estar mais à vontade do que nunca, o que me trouxe conforto e alegria.

— Não queremos atrapalhar o andamento da festa do povo. — Basiliu fez uma reverência desnecessária. — Nos encontramos depois para eu falar sobre o prêmio que realmente desejo.

— Como queira... — Respondi em dúvida. Ele plantou uma maneira de não esquecê-lo, como uma semente de intriga.

Papai acenou com a cabeça em concordância. Dana e Constantin já tinham sumido outra vez. Alguns segundos de distração e perdemos seu rastro na multidão. Papai puxou meu braço para eu voltar para o meu lugar.

Sentei à mesa, mas não consegui prestar atenção ao final das apresentações porque fiquei me questionando qual era prêmio que o senhor Narcis iria reivindicar. Fui longe na imaginação e comecei a pensar em como negar se ele me pedisse um beijo, ou pior, se pedisse a minha mão em casamento. Eu declinaria educadamente, apesar de achar, lá no insondável do meu ser, que ele seria um bom candidato.

— Ana? Ana? — Solis beliscava meu braço tão forte que quase soltei um berro quando senti. Tranquei os dentes e olhei para ela, reprovando a sua ação. Ela cochichou: — Você está vermelha e com o olhar mais perdido do que ovelhas na floresta.

Deixei a raiva desvanecer e me acalmei, envergonhando-me de meus pensamentos.

— Sinto muito, eu só... — Quase confessei, mas vi no reflexo dos olhos dela que meu pai estava prestando atenção. — Estou cansada porque não tenho costume com essas comemorações.

— Quer ir para o castelo? — A voz dele veio de atrás de mim.

— Não, papai. — Olhei diretamente nos olhos dele. — Foi só um lapso.

Ana Merak - Dever e HonraHistórias para pegar e não largar. Descubra agora