Feliz Ano Novo, família!

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De Caren para Felipe

Final de ano sempre passa aquela retrospectiva em nossa cabeça e lembramos daquela velha musiquinha: 

"Então é Natal

E o Ano Novo também

E o que você fez?"

Os 12 meses de 2017 me proporcionaram muitas alegrias, tristezas, sorrisos e lágrimas. Não vou dizer que foi um péssima ano e que espero ansiosamente pelo que virá. Houveram altos e baixos; perdi minha querida avó (desde 2016 ela sofria de câncer no pulmão, sendo que jamais colocou um cigarro na boca - o que era um mistério).

A passagem do luto fora difícil, pois acompanhei cada fase da doença, todo gemido de dor, às idas e vindas à quimioterapia, a queda dos cabelos... nunca conseguirei esquecer todo o sofrimento dela. Mas ir para o plano divino foi a melhor saída; sei que está num lugar melhor agora.

Meus amigos da faculdade me ajudaram bastante a enfrentar essa barra e impediram-me de afundar-me numa profunda depressão, pois fui muito apegado à ela.

Entretanto, ele fora muito especial para mim nesse turbulento período. Igor esteve ao meu lado o tempo todo; conversando comigo durante minhas insônias noturnas, ajudando-me com as matérias da faculdade...

Antes de vó Talita falecer, lhe contei que não gostava de meninas, e sim de meninos. E, por incrível que pareça, ela riu e me disse que já sabia. Fiquei tão feliz quando me falou que daria-me total apoio se eu quisesse sair do armário (sim, minha avó usou esse termo).

Mas fiquei inseguro sobre qual seria a reação da minha família. Principalmente a de meu pai, que era homem cabeça dura, que não adaptava-se às mudanças que haviam na sociedade. Só que a opinião de minha querida avozinha era a mais importante dentre as outras.

Porém, ela se foi e meu "segredo" continua guardado entre mim e meus amigos.

***

Os meses foram se passando e Igor foi ficando cada vez mais próximo de mim. Todas as menins diziam que fazíamos um lindo casal, mas nunca acreditei que realmente pudesse acontecer algo entre nós.

O problema de ser gay, é que nunca se sabe se a pessoa que estamos afim também gosta da gente. E minha dúvida era essa: será que ele gosta de homens? 

Entretanto, Igor tinha ciência da minha homossexualidade e nunca insinuou que gostasse da mesma fruta que eu, o que me deixa apreensivo em perguntar e deixá-lo constrangido, fazendo com que se afastasse de mim.

Até que um dia, depois de Raiane, Roberta e Barbara insistirem muito e de o luto finalmente ter passado, fui falar com ele sobre o possível sentimento que possa ter surgido em meu peito.

Fazia muito calor em Rondônia, mas naquele dia em especial, parecia que o sol estava andando de mãos dadas comigo; minhas mãos suavam e eu suava mais que tudo.

Igor fazia curso de direito, enquanto eu de artes cênicas e, às vezes, nossos horários não se batiam. Por isso, fui obrigado a ficar esperando-o no pátio do campus.

Assim que o avistei conversando com os amigos, pensei em desistir, pois não queria constrangê-lo. Quando já estava levantando-me para ir embora, ele acenou , pedindo para esperá-lo. Naquele momento, meu coração falhou uma batida, deixando-me ainda mais nervoso.

 – Estava tentando fugir de mim, Felipe? - Sorriu.

Ah, aquele sorriso... aquele maldito sorriso.

   – Não. Na verdade, eu estava de saída.

–Sua cara te entrega. - Era tão óbvio assim? – Conte-me o que está acontecendo.

Amigo Oculto LiterárioOnde histórias criam vida. Descubra agora