Capítulo XCVIII

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Rimbaud passou cerca de uma hora abraçado com a Verlaine no sofá, conversando, chorando e trocando carícias. Paul estava magoado, Rimbaud também estava. Mesmo sentindo-se péssimos, eles obviamente não culpavam o adolescente. Kenzaburo não tem obrigação nenhuma de gostar de um casal de estrangeiros estranho. Paul decidiu realmente se afastar de Kenzaburo, não tentar ter conversas com ele ou força-lo a permanecer no mesmo ambiente. Kenzaburo acabou batendo na porta após essa uma hora, Rimbaud se apressou para limpar o rosto e abrir, fazendo o adolescente questionar sobre seu bem-estar considerando a cara vermelha.

— Eu tô bem, só tava conversando com o Verlaine. — Explicou sorridente, abraçando o garoto e acenando para Oda do outro lado da rua. — A massa e o feijão estão prontos, quer continuar? — Perguntou, e o outro concordou. Verlaine não cumprimentou Kenzaburo, sequer saiu do sofá, apenas começou a mexer no celular, o que tranquilizou o garoto. — Então vem. O livro tá no balcão. — Avisou, adentrando na cozinha e sendo seguido pelo adolescente. Tem que se desmanchar na mão, né? — Perguntou, ouvindo a conformação alheia. Rimbaud pegou um grão do feijão e o amassou entre os dedos, mostrando para Oe. — Quer tentar? Não tá quente, tá morninho.

— Tem certeza? — Perguntou, se aproximando e se escondendo atrás de Rimbaud, que lhe entregou um grão do feijão morno, assustando o adolescente que tinha medo de se queimar, Kenzaburo sentiu a temperatura, e não parecia que o machucaria, então, ele amassou o grão entre os dedos, feliz em ver que não se machucou. — Olha, eu fiz isso. Tá desmanchando. — Mostrou, e Rimbaud afirmou que Oe foi corajoso. O adolescente o abraçou e pegou o celular, fotografando o feijão amassado e enviando para Dazai. — Tá, aqui tá dizendo pra usar um liquidificador ou mixer pra desmanchar o feijão.

— Qual você acha melhor? — Perguntou, e Kenzaburo apontou para o mixer. Ele acaba mexendo nele vez ou outra na casa de Sayaka, é tão é algo divertido. Rimbaud colocou o feijão no mixer, e ensinou Oe a usar, fazendo o adolescente sorrir empolgado. Rimbaud obviamente ficou com a parte da receita que se usava o fogão, pondo água e açúcar na panela e mexendo até obter uma calda doce e sem cristais de açúcar, feito isso, ele assistiu Kenzaburo parar o que fazia, observando curiosamente os grãos amassados. — Tem que peneirar pra tirar a casca.

— Onde fica a peneira? — Perguntou, e o outro apontou para o armário. Ao abrir, Oe foi atingido no rosto por um pacote de mochi que Dazai escondeu de Chuuya. Rimbaud logo questionou se o garoto estava bem, segurando seu rosto e limpando o mesmo. Era um pacote macio, lógico que Oe não estaria machucado. O mais novo lhe ofereceu um doce sorriso, e Rimbaud beijou sua testa, afagando seus fios. — Você é legal, Lin. Gosto de você. — Comentou, afagando as costas do mais velho, logo voltando para o que estava fazendo. Arthur segurou as próprias lágrimas, e voltou ao que fazia. Pondo a massa de feijão na panela com a doce calda, Rimbaud acrescentou uma pitada de sal e pediu que Oe pegasse a garrafa com favas de baunilha, curioso, ele abriu a garrafa, ficando zonzo pelo cheiro forte e sendo roubado por Rimbaud. — O que é isso? É só baunilha? O Chuuya tem cheio disso, mas mais fraco. — Reclamou zonzo, totalmente desnorteado.

— É extrato de baunilha. Você tá bem? — Perguntou, assistindo o garoto encostar a cabeça no balcão, tentado se controlar. — Kenza? Tá tudo bem? — Perguntou preocupado, e o adolescente confirmou, levantando o rosto e abraçando o moreno. — Tem certeza? — Com a afirmação alheia, Rimbaud desligou o fogo e abraçou o garoto, afagando seus fios até a tontura passar. Foi apenas um cheiro forte, possuindo muito doce e um pouco de álcool, o suficiente para causar um pouco de embriaguez ao rapaz desacostumado.

— Esse cheiro é muito forte. — Reclamou, e o outro concordou, ainda afagando seus fios. Aquele comportamento persistiu até Rimbaud sentir o corpo de Oe relaxado demais, sinalizando que o adolescente estava quase dormindo, por isso não separou o abraço. Rimbaud enfim parou, dando tapinhas na cabeça do garoto para tentar alerta-lo, e conseguindo. — Agora eu tô com sono. — Resmungou bocejando enquanto Rimbaud voltava a mexer a panela. — Lin, eu acho que irritei seu namorado um pouco mais que antes. Eu não acho que você vai gostar se eu repetir o que falei pra ele.

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