18°- Mãe desnaturada

522 48 13
                                        

O homem ficou um tempo conversando com a gente, contando o que havia feito com os dois e como Kota era tranquilo. Depois pegou Eri no colo lentamente e se despediu de nós antes de sair.

Então, fomos para a cozinha. Eu peguei o papel do médico de cima do balcão e entreguei para Katsuki.

Após isso, ele pegou a sacola com os remédios e pomadas da minha mão e colocou tudo em cima do balcão de forma separada, em seguida foi falando quando ou em que momentos eu precisava usar cada um.

– Entendeu?- Perguntou depois de tudo que falou, e eu assenti com a cabeça.

– Aceita um café?- Fui a cafeteira, ligando a mesma para esquentá-lo.

– Pode ser.- Deu de ombros e sentou-se em uma das cadeiras.

Nisso, levei um susto ao sentir alguém me abraçar por trás, mas apenas ri nasalado quando me virei e vi Kota com uma baita cara de sono.

– Te assustei?- Arqueou uma sobrancelha.

– Na verdade, sim.- Peguei ele no colo.

– Nossa, nem tinha visto ele passar por mim.- Katsuki comentou.- Como você tá?

– Estou bem, hoje o Aizawa trocou essas porras aqui da minha mão.- O menino mostrou as mesmas.

– Ele nos contou.- Murmurei.- Já jantou?

– Sim.- Assentiu.- Já escovei os dentes também.

– Então tá bom.- Desliguei a cafeteira quando percebi que o café esquentou.- Vai lá deitar na cama, se não amanhã você acorda tarde.

Deixei o garoto no chão - a qual caminhou em passos lentos e preguiçosos para fora da cozinha -, peguei duas xícaras e enchi as mesmas.

– Não sei se você quer açúcar.- Falei entregando uma xícara para o loiro.

– Pode ser.- Deu de ombros.

No momento em que nós dois já estávamos bebendo o café, me sentei ao lado dele e ficamos em um silêncio favorável, o qual acabou quando meu celular começou a tocar.

Peguei a minha bolsa - a qual Katsuki havia tirado de cima do balcão e a colocado na cadeira ao meu lado - e peguei meu telefone de dentro da mesma, vendo um número estranho na tela do mesmo.

A partir disso, me lembrei que tinha que ligar para Midoriya mais tarde. Contudo, não tinha como ser o número dele, pois o esverdeado não sabia o meu.

Mesmo assim, atendi.

– Alô?- Olhei para Katsuki de relance, vendo ele encarar o café.

– Oi, sou eu.- Resmungou a minha tia.- Apenas liguei para saber como o meu filho está, porque eu vim aqui na sua cas- antiga casa agora e me disseram que você tinha se mudado.

– Sim, você queria que eu achasse um emprego, não é?- Falei ríspida.

– E nem para me avisar que havia se mudado? Eu fiquei louca pensando que você tinha sumido do mundo junto com o MEU filho.

– Primeiro, ele está muito bem e feliz comigo aqui; segundo, você é a mãe e por isso é responsável em ligar para mim para perguntar sobre o Kota.

– Será que dá de você passar o celular para ele?- Perguntou irritada.

– Ele está dormindo agora, se quiser amanhã cedo me liguei que vocês podem conversar.- Vi, pelo canto do olho, Katsuki se inclinar para escutar a conversa.

– Tá, se você não quer que eu converse com ele é só dizer!

– Está doida?! Hoje mesmo ele perguntou de você, perguntando se a MÃE dele iria ligar, e…uau! Você ligou! Finalmente!- Bebi um gole de café.

- Quer saber?! Vá a merda! Eu estou cansada de tudo isso! Eu nem queria ter tido ele na real! No início era bom, mas depois esse garoto se tornou um peso!

Eu e Katsuki nos entreolhamos assustados. E então, tudo ficou em silêncio por um bom tempo, podendo ouvir apenas uns ruídos de choro de fundo.

– Eu ligo amanhã, de qualquer forma.- Disse por último e desligou.

Eu e o loiro continuamos olhando um para o outro, até que eu tomei um gole de café e soltei um suspiro pensando o que seria de mim caso essa mulher decidisse abandonar o Kota futuramente.

– É a mãe dele, né?- O homem perguntou, e eu assenti com a cabeça.- Que idiota.

– Bem desnaturada.- Murmurei.

– Bom, eu já vou indo.- Bebeu o último gole de café.- Amanhã a gente se vê.

– É.- Dei de ombros e o acompanhei até a porta.- Tchau.

– Tchau.- Se despediu, e eu fechei a porta.

Voltei para a cozinha, bebi o resto do meu café e lavei as xícaras - as deixando no escorredor -, depois fui para o banheiro do meu quarto e escovei meus dentes.

☾︎❦︎☽︎»»»»»»»»»»»☾︎❦︎☽︎

☦︎༄Duas semanas depois.
☦︎༄09:30.

Nesse momento, estou dentro do elevador para ir ao andar da sala do chefe - a qual é no último andar lá de cima -, pois tenho uma boa papelada para entregar para o mesmo.

Nisso, o elevador parou e a porta de pavimento se abriu, fazendo eu ver Midoriya pela quinta vez no dia.

Ele entrou sorrindo de maneira animada e se posicionou ao meu lado, então começamos a conversar sobre a nossa ligação de ontem a noite, que aliás foi muito boa e durou umas duas horas para acabar como as outras que tivemos.

Agora me sentia mais próxima dele, pois, assim como eu, o esverdeado tinha falado bastante de si mesmo.

Nós nos tornamos ótimos amigos, mas não posso negar que sinto alguma coisa além disso por Izuku, porque ele é bonito, legal e…nossa, não tenho nem palavras para descrever.

Então, a porta de pavimento se abriu, eu me despedi de Midoriya e comecei a seguir meu caminho para a sala de Katsuki, confiante de que aqueles papéis seriam prova do meu bom trabalho.

Mas, quando eu já estava perto da sala e com a mão na maçaneta da porta, alguém puxou a mesma para trás com brutalidade. Isso fez com que meu corpo fosse para frente e fizesse todas as folhas caírem no chão.

Rapidamente me ajoelhei e comecei a juntar folha por folha, na tentativa de não sujar as mesmas e pegar tudo em ordem.

– Foi mal.- Resmungou se abaixando.

Era Katsuki.

– Tudo bem, pode deixar que eu pego tudo.- Tirei os papéis das mãos dele.

– São para mim, certo? Então vou ajudar.- Pegou mais algumas folhas e me entregou.- Vai colocando em ordem.

Em poucos minutos, terminamos de juntar tudo e ficamos de pé novamente. Agora sim, entreguei tudo para ele e sorri gentilmente.

– Certo.- Deu uma rápida olhada e voltou para dentro da sala.

A partir disso, virei as costas e caminhei de volta para o elevador, aliviada por tudo ter dado certo mesmo aquelas bostas tendo caído no chão, algo que serviu só para me matar do coração.

Contudo, quando estava prestes a passar pela sala da Makima, ouvi sons estranhos e…maliciosos, além de gemidos altos masculinos e femininos.

Todo esse caos fez eu parar por um momento para pensar se era mesmo putaria ou outra coisa - como se fosse possível ser algo diferente - e me perguntar que homem poderia estar ali.

Até quis dar uma olhada de leve, mas decidi seguir o rumo da minha vida, pois eu poderia muito tomar no cu se alguém me visse tentando espiar a sala da secretária do chefe.

𝔒 𝔇𝔢𝔰𝔱𝔦𝔫𝔬 𝔫𝔬𝔰 𝔰𝔲𝔯𝔭𝔯𝔢𝔢𝔫𝔡𝔢 Onde histórias criam vida. Descubra agora