136°- Nova casa

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– Sabe que seria a maior complicação ter mais um gato agora, né?- Pergunta ele.

– Por quê? Assim vou poder entreter as minhas três crianças com mais facilidade.

– Três? Pelo o que eu saiba você só tem uma.

– Conto você e Kota como criança também.- Cruzo os braços, e ele emburra.- As que mais dão dor de cabeça, aliás.

– Porra, agora você me deixou sem argumentos.

– Ou seja, vou ficar com o gato.- Sorri.- Dei até um nome para ele já.

Ele suspirou e me puxou para mais perto.

– Só espero que ele não me traga dor de cabeça como foi com Nijel.

– Bom…- Solto uma risadinha nervosa.- Talvez seja até pior.

Katsuki fez uma cara de desagrado, e eu olhei para o petshop por alguns minutos.

– Quer ir para casa? Vou ficar aqui esperando.- Falei me voltando para ele.

– Sim, preciso deixar as coisas prontas para quando Kota e Katsu voltar.- Deu um beijo na minha cabeça.- Eu te amo.

– Eu também te amo.- Digo e beijo sua bochecha.

O loiro me solta, vira as costas e vai para o seu carro. Fico lá fora até o carro dele sumir da minha visão e depois entro no petshop.

Sento numa das cadeiras da recepção, bem ao lado de uma senhora que segurava seu Pinscher - velhinho e cego - enrolado numa cobertinha rosa de bebê.

A senhora parecia triste enquanto acariciava os pelos do cachorro - é, pelo jeito ele já completou sua trilha nessa vida.

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Deitei o gato laranja em cima da cama e fiquei olhando para ele. Marley estava latindo igual louco do outro lado da porta, e Katsu continuava fazendo birra no colo do pai.

Suspirei e saí do quarto.

– Já chega, Marley! Vai para baixo! Agora!- Gritei para o cachorro, que abaixou a cabeça e foi embora.

E então, Katsuki saiu do quarto do bebê, com uma cara de estressado enquanto o pequeno chorava no seu peito.

– Tal pai, tal filho.- Falei pegando Katsu do seu colo.

– Cala a boca.- Cruzou os braços.- Esse muleke não se aquietou desde que você chegou com esse gato.

– Fala sério, Katsuki. Vai colocar a culpa no gato agora?

– E a culpa é de quem? Minha?- Ergueu uma sobrancelha, parecia intrigado.

Suspirei e olhei para Katsu, o qual parecia ter se tranquilizado um pouco, mas ainda tinha lágrimas escorrendo dos seus olhos. Depois, voltei minha atenção para o homem.

– Escuta, tô sem energia para discutir hoje.- Dou um beijo rápido nele e vou para o quarto do pequeno.

Deito o bebê na sua caminha e acaricio os seus cabelos. Seus olhos vermelhos brilhantes e chorosos me fizeram sentir uma leve pontada no coração.

– Coitadinho do meu bebê.- Digo num sussurro.

Pego o ursinho de pelúcia que estava caído no chão e balanço ele na frente de Katsu, o qual lhe agarrou e abraçou com carinho antes de deitar.

Sorri e dei um pulo de susto quando o quarto ficou escuro repentinamente. Olho na direção da porta e vejo Katsuki se aproximando de mim.

Ele ligou as luzes fracas do quarto e me abraçou por trás antes de admirar comigo o nosso bebê, esse que dava piscadas leves e resmungava para nós com sua “linguagem infantil”.

– Eu dei a mamadeira para ele.- Katsuki sussurrou.

– Ah, então aquele choro era sono.- Sorrio e aperto de leve a bochecha de Katsu.

– Sabe, sobre aquele assunto do Kota e da mãe dele, acho que deveríamos dar a liberdade para ele vê-la uma vez por semana.

– Por quê?- Me viro para o homem.

– {Nome}, Kota já está velho o suficiente para se defender e entender as coisas sozinhos. Você não vai conseguir protegê-lo para sempre, tem que deixá-lo se arriscar.

Katsuki leva uma de suas mãos para o meu rosto e acaricia minha bochecha com o polegar. Seus olhos vermelhos me hipnotizam de uma forma inexplicável. Esse homem é lindo demais.

– Você já falou com ele?- Ergo uma sobrancelha.

– Não, achei que precisava falar contigo primeiro.

– Certo.- Suspiro.- Você está certo.- Ele faz uma cara de surpresa.- Ele já tem várias liberdades, ver a mãe dele não seria o fim do mundo.

Katsuki sorri e me dá um selinho demorado, só parando quando Katsu resmungou. Rimos e voltamos nossa atenção para o bebê, o qual sorriu quando o pai fez uma careta idiota.

– Nem parece que estava brigando comigo minutos atrás.- Resmungou antes de dar uma pequena apertada na perninha do pequeno.

– Como eu disse antes: Tal pai, tal filho.

– Ah, fala sério. Eu nem era tão chorão assim.

– Não, era pior.- Digo e seguro minha risada quando ele me olha indignado.- Eu também te amo.

Dessa forma, ficamos em silêncio enquanto olhávamos Katsu entrar lentamente num sono profundo.

– Ele é lindo.- Sussurro.

– Puxou por nós.- Sorriu e me beijou na bochecha.

Após termos certeza de que Katsu estava dormindo, saímos do quarto na ponta dos pés - nisso, precisei me segurar muito para não rir de como o homem caminhava.

No corredor, Katsuki agarrou minha cintura com firmeza e me puxou para um leve beijo. Contudo, toda essa carícia foi interrompida ao escutarmos um barulho vindo do nosso quarto.

– O gato.- Falei como quem acabou de lembrar e entrei no quarto.

No instante em que entrei, vi Cerveja pendurado na cortina e miando desesperado. Pego o pano, me aproximo dele devagar e o pego no colo quando parecia querer pular.

– Ei…calma.- Sussurro e me viro para Katsuki, o qual estava parado na porta do quarto.

– Esse gato ainda vai nos dar muita dor de cabeça.- Resmunga, e eu sorrio.

– Você também me deu no início.- Digo e rio quando ele faz uma cara de indignado.

O homem se aproxima de mim, desliza sua mão pela minha cintura e me puxa para perto com firmeza.

– {Nome}, {Nome}.- Repete aproximando seu rosto do meu.- Saiba que não irei te deixar só com dor de cabeça agora em diante.

E então, o gato mostra os dentes para Katsuki - o qual olha de volta com cara de bravo. Pelo jeito, nem um animal e um homem de mesma personalidade não se dão bem.

Rio e escondo um pouco do rosto do gato no pano, em seguida dou um beijo profundo e rápido no loiro. Ele ficou uns minutos sem reação, mas depois sorriu de canto.

– Vou fazer a gente, mais tarde continuamos com isso.- Ele aperta a minha bochecha.

Fico olhando para ele saindo do quarto e depois suspiro olhando para o gato no meu colo.

– Você ainda vai me dar muita dor de cabeça.- Digo desanimada.

𝔒 𝔇𝔢𝔰𝔱𝔦𝔫𝔬 𝔫𝔬𝔰 𝔰𝔲𝔯𝔭𝔯𝔢𝔢𝔫𝔡𝔢 Onde histórias criam vida. Descubra agora