23°- Desespero

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☦︎༄Dois dias depois.
☦︎༄Segunda-feira.
☦︎༄05:30.

Acordei desanimada, pois ontem havia sido um dia muito complicado para mim e para Kota - o qual já não está mais comigo.

A minha tia veio buscar ele às três e meia da madrugada, algo que eu não gostei nadinha, pois o menino ainda estava dormindo.

Contudo, ele acabou acordando quando ouviu eu e ela discutirmos e surgiu correndo com os olhos arregalados na sala de estar, onde nós duas estávamos.

A mulher, ao ver o menino ali, rapidamente pegou ele no colo e deu um tapa no mesmo quando o mesmo tentou se soltar, fazendo-o começar a chorar e se mexer mais ainda.

Senti o meu sangue ferver por causa disso e até tentei ir para cima, mas não pude fazer nada no final, pois ela me deu um tapa na cara e ameaçou me denunciar caso tocasse nela ou em seu filho.

Então ela foi embora correndo - sem nem mesmo levar as coisas do menino - com Kota gritando, chorando e esticando seu braço na minha direção quando eu saí do apartamento e fiquei olhando para os dois indo para longe.

Chorei e fiquei sem comer o dia inteiro, isso enquanto olhava o celular na esperança de pelo menos receber uma mensagem dela sobre como Kota está, mas ele ficou mudo o dia inteiro - nem Midoriya me mandou um recado.

Então, lembrei da carta que a minha mãe havia mandado e peguei a mesma do balcão da cozinha. Entretanto, ao invés de lê-la, guardei ela na gaveta com as minhas roupas íntimas e voltei a fazer nada.

Bom, nesse momento já estou de pé, escovando meus dentes enquanto mando uma mensagem para Katsuki avisando que ele não precisava chegar tão cedo, pois eu tinha que conversar com Aizawa.

Mas o mesmo disse que iria chegar no mesmo horário e iria me esperar na frente do prédio o tempo que fosse necessário, fazendo eu dar de ombros e continuar a me arrumar.

Assim que terminei de vestir minha roupa, parei na frente do espelho e percebi o quão acabada estava depois de ontem.

Soltei um suspiro e escutei alguém bater na porta. Nisso, saí do quarto em passos rápidos e abri a porta já sabendo que era Aizawa e Eri.

A menina sorriu alegremente para mim, correu para dentro do apartamento e começou a procurar Kota enquanto chamava pelo mesmo por cada cômodo.

– Bom dia.- Ele afirmou.

– Bom dia.- Murmurei.- Preciso lhe dizer uma coisa sobre o Kota.

– O quê? Ele não está bem?

– Sinceramente, eu não sei.- Olhei para o chão com tristeza.- A mãe dele veio buscar ele ontem.

– Sério?

– Sim.- Cruzei meus braços.- Ele não queria ir, mas ela o forçou. Além do mais, nem mesmo levou as coisas dele junto.

– Puta merda.- Resmungou.- Ela não vai mais trazer ele para cá?

– Não sei, essa mulher não me mandou nenhuma mensagem sequer até agora.

– Entendi.- Ficou um tempo em silêncio.- Olha, não faço ideia do que dizer para você, mas se precisar de ajuda para alguma coisa, saiba que eu e a Eri estamos aqui.

– Tá bom, obrigada.- Tentei sorrir.

– Aliás, Katsuki já está lá embaixo te esperando, quer que nós te acompanhe?- Colocou as mãos na cintura.

– Pode ser, só vou pegar a minha bolsa.- Fui meio correndo para o quarto e peguei a mesma.

Quando estava voltando para junto de Aizawa, vi Eri em sua frente, lhe perguntando onde Kota estava escondido e se tinha alguma passagem secreta no apartamento, porque até agora não achou o menino.

Então, o homem olhou para mim e depois para a pequena, dizendo para a mesma que mais tarde iria contar e que agora iriam voltar para casa, fazendo ela ficar confusa.

Desliguei todas as luzes, fechei todas as janelas do apartamento, tranquei a porta quando saímos e fui junto com os dois até o elevador em silêncio.

Quando chegamos no último andar antes do térreo, saímos do prédio e nos despedimos. Então tentei procurar o carro do Katsuki com o olhar, até que ouvi uma buzina e encontrei o mesmo.

Assim que entrei no automóvel e coloquei o cinto de segurança, Katsuki ligou o carro, saiu do estacionamento - o qual era pequeno demais para o carro dele - e dirigiu até o nosso trabalho.

– Pensei que ia demorar mais essa conversa entre vocês dois.- Resmungou repentinamente.

– É.- Falei em um suspiro.

– Posso saber sobre o que vocês falaram?- Perguntou, e eu olhei para ele.

– Minha tia levou o Kota embora.- Afirmei e senti meus olhos se encherem de água.

Repentinamente, Katsuki jogou o carro para o lado e parou bem certinho em uma vaga de outro estacionamento, fazendo eu levar um susto e quase bater a cabeça na janela.

– O quê?- Sua voz soou mortal.

– Ela forçou ele a ir.- Coloquei as mãos no meu rosto.- Eu não pude fazer nada e quando tentei, levei um tapa na cara e no final ainda fui ameaçada segurar uma denúncia nas costas caso chegasse perto dela ou do Kota.

– Você pelo menos sabe onde ela foi?

– Claro que não! A última coisa que eu vi foi ela levando ele no colo até o elevador.- Olhei para ele com uma expressão de desespero.

– Porra!- Deu um soco no volante.

– Ela também não me mandou mais nenhuma mensagem, nem para falar o que fazer com as roupas do Kota.- Passei as mãos pelos meus cabelos.

– Pera, ela não levou as roupas ou as coisas dele?!- Neguei com a cabeça.- Então essa mulher está ficando louca mesmo, puta que pariu.

Continuei chorando sem parar, até que senti Katsuki passar o seu braço atrás de mim e me puxar para um abraço gentil, o qual me recusei a ficar depois de um tempo.

– Pensei que poderia ajudar desse jeito.- Resmungou e ligou o carro novamente.

– Ajudou um pouquinho.- Sorri sem graça.

Assim que chegamos na empresa e entramos na mesma, demos de cara com Makima no meio do corredor. Ela andou em passos rápidos até Katsuki e começou a perguntar várias coisas para ele.

Todas foram ignoradas - se eu não estivesse tão mal, já teria me acabado de rir da cara de cu dela.

Entretanto, mesmo após entrarmos no elevador com Bakugou bufando diversas vezes como uma indireta, ela continuou com as perguntas bestas.

Isso começou a me deixar com dores de cabeça e fez meu estresse ficar maior do que já estava. Então respirei fundo e olhei mortalmente para a mulher, a qual já estava me encarando em deboche há alguns minutos.

Makima rapidamente parou de falar e levou sua fixamente para frente.

Já estava cansada de ter que aturar essa vagabunda falando como se eu não estivesse ali - parece até os pernilongos das noites de verão.

𝔒 𝔇𝔢𝔰𝔱𝔦𝔫𝔬 𝔫𝔬𝔰 𝔰𝔲𝔯𝔭𝔯𝔢𝔢𝔫𝔡𝔢 Onde histórias criam vida. Descubra agora