61°- Luto

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☦︎༄Dia seguinte.
☦︎༄09:52.

Acordei por conta própria.

Quando olhei para o lado, franzi o cenho por não ver Katsuki ali e estranhando por seu celular estar ligado em cima do travesseiro.

Com isso, peguei o telefone e senti as minhas bochechas ficarem vermelhas; na tela, estava uma foto que aparece eu deitada no peito nu do homem, e a metade do rosto do mesmo.

Nisso, olhei para a porta do quarto, onde estava ele, com um sorriso de canto em seu rosto e apenas de calça - afinal, sua camisa estava ao meu lado e sua cueca ainda no mesmo lugar de ontem a noite.

Coloquei a sua camisa e me levantei, logo indo até a porta do banheiro - onde encontrei a minha calcinha, a qual vesti logo em seguida - para fazer as minhas necessidades.

Demorei para sair porque fiquei pensando na noite que tivemos enquanto olhava para as marcas no meu pescoço pelo espelho, levando um susto quando Katsuki abriu a porta abruptamente e me abraçou por trás.

– Gostou da foto?- Perguntou ele enquanto eu me virava.

– Sim, na verdade, amei.- Lhe dei um selinho e sorri.- Você é incrível.

– E você se tornou a minha inspiração para ficar assim, pois depois que fiquei próximo de você, me dei conta de que era apenas um cara de bem de vida.

– E você não é mais?

– Não.- Negou, e eu fiquei triste.- Sou mais do que isso.

– O quê?

– Um homem feliz, realizado, conquistador, bonito, gostoso e, claro, incrivelmente todo seu.- Me puxou para um beijo rápido.

– Katsuki, se você continuar falando isso eu vou chorar.- Rimos.

– Enfim, vai fazer o teu café, eu vou trocar as coisas da cama.- Afirmou se virando e saindo do banheiro.

Fiquei encarando ele se distanciando, pensando no que disse e de como eu não conseguia achar algo para dizer de volta na mesma intensidade.

Intensidade.

Katsuki é intenso também, mas ele esqueceu de dizer isso.

Estava tão perdida que nem percebi quando o loiro se virou e também ficou me encarando, mas com uma cara de preocupado e confuso.

– Está tudo bem?- Perguntou repentinamente.

– Sim, claro.- Assenti e saí do banheiro, em seguida do quarto também.

Fui para a cozinha, enchi a chaleira elétrica de água e coloquei para esquentar. Enquanto esperava, peguei minha xícara e coloquei o café e o açúcar.

Enfim, não demorou muito para eu já estar tranquila bebendo o meu café, quero dizer…tranquila até Katsuki surgir na cozinha com os olhos arregalados.

Franzi meu cenho estranhando seu comportamento, então ele olhou para o celular em suas mãos e uma lágrima pingou na tela do mesmo, fazendo eu entender tudo.

Deixei a minha xícara, que ainda tinha um pouco de café, em cima da pia e me aproximei do homem, abraçando o mesmo e o deixando chorar o quanto precisava.

– Ele estava tão bem ontem.- Murmurou entre os seus soluços.

Abracei ele com mais força, dessa forma conseguindo praticamente sentir a sua dor agonizante de perder alguém que amava, as quais eu não senti muitas vezes na vida.

Dei um beijo na sua testa quando nos soltamos e coloquei as mãos no seu rosto, deixando nossos olhos extremamente fixados.

– O velório vai ser amanhã de manhã.- Afirmou ele.

Certo, na sexta.

–Tá bom.- Murmurei.

– A minha mãe já está trazendo o Kota para casa, é bem provável que ela queria pousar aqui também.- Limpou suas lágrimas com as costas da sua mão.

– Imagino.- Acariciei sua bochecha com o polegar.- Vou ir ajeitar o quarto para ela, tá?

– Tá.- Fungou o nariz.- Vou ir junto, quero ficar com você.

Segurei a sua mão e fomos para o quarto no final do corredor, onde era parecido com o nosso, mas tinha uma varanda e - se olhasse com mais cuidado - parecia ser um pouco pequeno.

Abri o guarda-roupa, dando uma olhada de relance para confirmar que havia cobertas o suficiente para Mitsuki, e depois levei minha atenção para Katsuki.

Ele estava sentado na cama encarando um canto aleatório do quarto, parecia pensativo e triste, expressão que fez o meu coração doer.

Passei uma das minhas mãos no cabelo dele, fazendo o mesmo me olhar e abraçar a minha cintura, enterrando seu rosto na minha barriga para esconder que havia voltado a chorar.

Acariciei sua cabeça, pensando na tensão que iria ficar naquela casa após Mitsuki chegar e estar da mesma forma.

No mesmo instante, escutamos alguém tocar a campainha. Então Katsuki me soltou e se levantou, saindo do cômodo depois que lhe dei um beijo na bochecha.

Escutei seus passos pelo corredor e em seguida o barulho da porta se abrindo, depois foram apenas os choros doloridos ecoando pela casa.

Nisso, Kota surgiu no quarto, com os olhos arregalados em uma expressão de tristeza e susto, afinal ele deve ser o único aqui que ainda não sentiu exatamente essa dor.

Me abaixei, e ele correu até mim para um abraço, fazendo eu pressentir que deve estar se sentindo angustiado por ver e ouvir Mitsuki e Katsuki daquela forma.

Nisso, a mulher entrou no quarto, com seu rosto inchado, demonstrando que havia chorado daquela forma já havia um bom tempo.

Soltei Kota e abracei fortemente a loira, levando meu olhar para Katsuki que estava na porta do quarto, de cabeça baixa e com os braços cruzados.

É de cortar o coração ver os dois da mesma maneira.

Provavelmente até o final do dia teria de estar com a camisa completamente lavada pelas lágrimas deles, mas isso é de menos nesse momento de luto.

Não sei muito bem como é a sensação de perder alguém que amo, pois as únicas mortes dolorosas presenciadas por meus olhos foram da minha tia e de meu avô.

Mas eu chorei muito pouco nelas, já que mal tinha contatos com eles e a maioria das lágrimas escorridas serviram para acompanhar as da minha mãe, a qual mais sofreu naquele momento de dor.

Dessa forma, a única coisa que podia fazer para eles era apoiar; seja com um abraço ou algo mais necessário, porque assim estarei demonstrando todo o meu carinho e confiança para eles.

Além do mais, eu estaria sendo uma babaca por abandonar eles apenas por não entender a dor pela qual estão passando.

Quando nos soltamos, disse para ela que esse seria seu quarto nesse tempo e qualquer coisa na qual precisasse eu estaria ali, assim como Kota.

Em seguida, levando a minha atenção para Katsuki, gesticulando na intenção de lhe mostrar que isso servia para ele também.

Com isso, o garoto segurou uma das minhas mãos e me puxou na intenção de fazer eu segui-lo, então eu fui - pois entendi que aquele era um bom momento para deixar os dois sozinhos.

𝔒 𝔇𝔢𝔰𝔱𝔦𝔫𝔬 𝔫𝔬𝔰 𝔰𝔲𝔯𝔭𝔯𝔢𝔢𝔫𝔡𝔢 Onde histórias criam vida. Descubra agora