63°- Grande briga

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Soltei um suspiro de alívio quando Kota abriu a porta do apartamento, mas fiquei meio preocupada quando ele franziu o cenho e revisou o olhar entre mim e Mirio.

– Leve essas sacolas pequenas.- Falei entrando e entregando as mesmas para o pequeno.- Daí você pode nos ajudar a ajeitar as coisas?

– Claro, né?- Resmungou e foi com a gente para a cozinha. 

Lá, deixamos as sacolas e as duas caixas em cima do balcão, em seguida começando a pegar as coisas e guardá-las em seus devidos lugares. 

– Onde estão Mitsuki e Katsuki?- Perguntei para Kota ao finalmente me dar conta de que eles não apareceram.

– Foram resolver algumas coisas do velório.- Afirmou o garoto enquanto guardava o sorvete no freezer. 

– Velório?- Mirio arqueou uma sobrancelha.

– Do pai do Katsuki.- Murmurei. 

– Mas-

– Não estou afim de falar sobre isso.- Kota bufou e foi embora. 

Eu e o homem nos olhamos, então soltei um suspiro e comecei a tirar as coisas de dentro da caixa. 

– Sim, teve a festa para ele ontem, mas hoje de manhã parece que tudo foi em vão ao recebermos a notícia.- Falei quase sussurrando.

– Imagino.

Continuamos guardando as coisas em silêncio, até que, mais ou menos meia hora, terminamos e nos aconchegamos nas cadeiras perto do balcão. 

– Vai querer carona de volta para o mercado?- Perguntei e me inclinei no balcão. 

– Não, eu pego um táxi.- Deu de ombros.- Bom, por falar nisso, é melhor eu ir indo.- Se levantou.

Ele pegou as caixas, colocou as sacolas em dentro das mesmas, se despediu de mim, virou as coisas e foi até a porta do apartamento, saindo logo em seguida. 

Passei as mãos pelos meus cabelos e apoio o queixo nos meus braços, aproveitando o silêncio que começava a se espalhar pela casa.

Contudo, ele sumiu na mesma hora quando a porta do apartamento se abriu abruptamente, fazendo um barulho alto ecoar por conta da força em que a maçaneta foi contra a parede.

Rapidamente me virei com os olhos arregalados, ficando ainda mais assustada ao dar de cara com Katsuki, o qual estava paralisado.

Ele estava com o cenho fortemente franzido na expressão de raiva e indignação que havia em seu rosto, seus olhos não estavam mais brilhantes e pareciam estar cobertos de ódio. 

– O que aquele cara estava fazendo aqui?!- Perguntou e bateu o punho contra o balcão. 

– Ele está trabalhando no mercado e veio me ajudar a trazer as coisas que comprei.- Expliquei.

– E não tinha mais ninguém para atender?!

– Tinha, mas como ele já havia me recebido, ninguém mais se deu ao trabalho de fazer isso.- Dei de ombros.

– Fala sério, {Nome}! Desde quando você se tornou tão mentirosa?!

– Katsuki?! Do que você está falando?! Eu não estou mentindo!- Me levantei.

– POR ACASO ACHA LEGAL TRAZER UM CARA AQUI EM CASA DEPOIS DA MERDA QUE VOCÊ FEZ ONTEM?! 

– EU FIZ A MERDA?! FALA ISSO PARA A SUA EX NAMORADA E PARA SI MESMO! PORQUE EU NUNCA VI UM HOMEM COM TÃO POUCO GOSTO!- Empurrei o peito dele quando o mesmo tentou se aproximar.

– POR ACASO NÃO PERCEBEU QUE ACABOU DE SE OFENDER?! VOCÊ É TÃO IDIOTA E INCAPAZ QUE NÃO SE DÁ CONTA NEM DO QUE FALA! 

– COMO SE EU FOSSE A ÚNICA ASSIM!- Fechei meus punhos com força.- FALARAM CERTO AO DIZEREM QUE AS GAROTAS ESCOLHEM UM CARA QUE SEJA O REFLEXO DO PAI DELAS!

– MAS NÃO É CULPA MINHA QUE VOCÊ GOSTA TANTO DE SOFRER!

– EPA! EPA! AGORA VOCÊ SE QUE ENTREGOU POR COMPLETO! SEU MERDA!- Dei um tapa na sua cara.- VOCÊ É UM SEM NOÇÃO QUE ACHA QUE TUDO QUE ESTÁ ACONTECENDO NA SUA VIDA É CULPA MINHA! 

– E NÃO É?!- Ele pergunta sarcástico.

– É CLARO QUE NÃO! TUDO O QUE EU ESTAVA FAZENDO ATÉ AGORA ERA PARA TE LIVRAR DE QUALQUER SERVIÇO! TE DEIXAR PASSAR TRANQUILO POR ESSE MOMENTO DE LUTO!

– VAI SE FUDER! TRAZER AQUELE CARA AQUI EM CADA NÃO LIVROU NADA! PORQUE AGORA ESTOU TENDO O SERVIÇO DE PERDER TODAS AS MINHAS PALAVRAS COM VOCÊ! E, ALIÁS, EU TERIA FICADO MUITO FELIZ SE VOCÊ TIVESSE ME CHAMADO!- Me empurrou, e eu lhe dei um soco na barriga, o fazendo arfar. 

Nisso, escutamos um barulho de algo se quebrando, então levamos nossa atenção para Mitsuki, a qual tinha jogado um vaso de vidro com flores no chão. 

– Por favor, se acalmem!- Pediu.

– Se acalmar.- Katsuki bufou e soltou uma risadinha sarcástica antes de sair da cozinha.

Passei as mãos pelos meus cabelos e mordi meu lábio inferior, me encostando no balcão e me perguntando o porquê de eu não ter seguido o meu instinto.

Olhei para a loira, que estava ajudando os cacos de vidro no chão enquanto chorava. Com isso, me aproximei dela e dei alguns tapinhas nas suas costas.

– Vai falar com ele, deixa que eu ajeito.- Afirmei.

Ela me abraçou e depois se retirou, deixando eu completamente sozinha para pensar no que fazer. Mas, de qualquer forma, demorou só um pouco para eu juntar toda aquela sujeira.

Contudo, ainda assim consegui cortar um pouco a minha mão. 

Depois que joguei os cacos de vidro da forma certa no lixo, soltei um suspiro e me segurei para não chorar com a conclusão na qual cheguei; não poderia mais ficar ali.

Saí da cozinha e fui para o quarto, não ficando surpresa ao encontrar os dois loiros ali. 

Fui até o guarda-roupa, me estiquei um pouco e peguei uma das malas, a qual acabou enroscando nas outras e fazendo tudo cair no chão, deixando eu com menos trabalho em relação a isso. 

– O que está fazendo?- Perguntou Mitsuki com os olhos arregalados.

– Indo embora.- Afirmei colocando uma mala em cima da cama. 

– Você não pode fazer isso.- Katsuki disse segurando o meu pulso.

– Devia ter pensado no que falou antes para que isso não precisasse acontecer agora.- Resmunguei olhando no fundo dos olhos dele e puxei meu braço, fazendo ele soltar meu pulso. 

Eles dois ficaram parados vendo eu guardar todas as minhas coisas naquelas malas - sei que não precisava fazer tudo isso, mas eu não consigo ficar na mesma casa com um homem desses.

Principalmente que lembre meu pai.

Depois que guardei tudo, caminhei pela casa tentando achar mais alguma coisa minha, ficando aliviada por não ter mais nada.

Fui para o quarto de Kota, vendo ele sentado na cama abraçando as próprias pernas e com a cabeça baixa, com certeza estava triste por ter escutado tudo aquilo.

Me sentei ao lado dele e passei as mãos pelos seus cabelos pretos, dando um beijo na sua testa quando ele levou sua atenção para mim.

– Eu estou saindo de casa, vai querer vir junto comigo?- Arqueei uma sobrancelha e forcei um sorriso. 

– Eu gosto daqui, {Nome}.- Murmurou.

– Tudo bem, você pode ficar. Tenho certeza de que Katsuki e Mitsuki vão cuidar muito bem de ti.- Falei ao sentir os olhares deles em mim.

– Mas e você?

– Vou achar um lugar para ficar, mas prometo que virei te ver sempre que eu puder.

Nos abraçamos enquanto eu sentia uma vontade imensa de chorar e desacreditava que iria aguentar tudo aquilo por um bom tempo.

𝔒 𝔇𝔢𝔰𝔱𝔦𝔫𝔬 𝔫𝔬𝔰 𝔰𝔲𝔯𝔭𝔯𝔢𝔢𝔫𝔡𝔢 Onde histórias criam vida. Descubra agora