95°- "Era para ser um dia bom"

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Depois que nós dois nos deitamos, me virei de costas para Katsuki. Logo ele me abraçou por trás, fazendo um arrepio percorrer pelo meu corpo quando senti sua respiração quente no meu pescoço.

– Sabe, {Nome}.- Começou.- Nunca esperei que fosse sentir amor de verdade.

– Digo o mesmo.- Sussurrei.

– Quando a gente ficou aqueles dias separados, tive certeza de que era amor, pois ao mesmo tempo em que chorei pela morte do meu pai, chorei por perceber que poderia estar te perdendo.- Me abraçou com mais força.

Estava começando a sentir o mesmo sentimento de quando nos abraçamos no chuveiro, sendo assim, me virei e retribuí o abraço, dando alguns beijinhos no seu pescoço.

Depois de anos ainda sinto remorso por ter abandonado ele logo naquele momento, pois eu poderia simplesmente ter compreendido o lado dele e conversado.

Mas nem tudo acontece do jeito que queremos.

Ele começou a acariciar as minhas costas, fazendo eu sentir o sono surgir. Não queria dormir logo naquela hora, só que é como se Katsuki quisesse isso.

Afinal, ajeitou o cobertor por cima de nós, deu um beijo no topo da minha cabeça e continuou me acariciando, o que fez eu pegar no sono em instantes.

Confesso que ainda tinha muitas coisas para dizer para ele.

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☦︎༄Dia seguinte.
☦︎༄08:34.

Acordei e franzi o cenho por Katsuki não estar ali, mas logo me lembrei onde ele poderia estar. Foi então que vi Kota surgir na porta do quarto com um sorriso simples no rosto.

– Bom dia, {Nome}.- Disse o garoto vindo até mim.- Katsuki saiu agora pouco, ele só me deixou em casa.

– Entendi.- Baguncei os seus cabelos.- Como foi lá na Mitsuki?

– Foi legal, saímos passear um pouco. Alguns parentes dela foram lá com crianças, aí eu tive com quem me distrair.- Sorriu.

– Que bom.- Sussurrei.- Já tomou café?- Ele assentiu.

Sendo assim, mandei ele ir me esperar na sala, me levantei e comecei a arrumar a cama, vendo um papel voar repentinamente no meio das cobertas.

Fui até onde ele tinha caído, vendo que era uma carta de Katsuki, afinal, ele havia colocado seu nome no início do papel.

Nela, falava sobre onde ele tinha ido e como talvez demore um pouco, pois decidiu ir visitar sua mãe na volta para casa.

Dei de ombros, dobrei o papel e deixei em cima do criado-mudo ao lado da cama dele. Em seguida, voltei a ajeitar a cama e fui para o banheiro quando terminei.

Depois de alguns minutos, já estava descendo as escadas e sorri para Kota quando ele tirou os olhos da televisão e os levou para mim. 

Fui para a cozinha, fiz meu café e soltei um suspiro antes de beber o primeiro gole do mesmo, esperando que tudo dê certo e que Katsuki volte tranquilo para casa.

– Vai fazer o que de almoço, {Nome}?- Perguntou Kota surgindo na cozinha com folhas brancas e lápis coloridos.

– Não sei.- Dei de ombros tomando um gole maior de café.- O que você quer?

– Talvez uma macarronada? Sei lá, gosto da sua comida.- Sorriu simples e começou a desenhar.

– Tá, então vou fazer macarronada.- Afirmei.- Mas primeiro, vou tentar humilhar você nos desenhos.

– Ah, não, desse jeito você me desanima.- Fez bico, e eu ri.

Bebi o resto do meu café, deixei a xícara em dentro da pia e me sentei à mesa, pegando uma folha e vários lápis antes de começar a desenhar o que me veio à mente.

– Katsuki ficou feliz com a notícia da sua gravidez.- Assenti com a cabeça.- Então daqui alguns meses terei tipo uma irmã ou irmão, não é?

– Sim, sim.- Assenti.- Está animado para isso?

– Claro! Se for um menino, vamos poder fazer várias brincadeiras legais; se for menina, também!- Disse com um sorriso enorme no rosto.

Estava me sentindo feliz por ele pensar dessa forma, muitos meninos da idade dele iriam pensar coisas diferentes sobre ter a possibilidade de ter uma irmã.

Ficamos algumas horas desenhando e provocando um ao outro, até que enfim deu a hora de eu começar a fazer almoço. Então juntei os meus desenhos, deixei em um canto e me levantei.

Assim que peguei uma panela e comecei a encher de água, escutei a porta se abrir, bater fortemente ao se fechar e em seguida passos pesados passarem pela sala e subirem as escadas.

Logo, a porta do quarto se fechou, e eu soltei um suspiro porque sabia quem acabou de chegar, em como deve estar e já calculando de que forma preciso ir lá conversar.

– Fica aqui.- Falei para Kota e fui rapidamente ao andar superior.

Bati na porta e chamei por Katsuki, esperando os grunhidos e palavrões pararem antes de abrir lentamente a porta e espiar o que ele estava fazendo.

O homem se encontrava sentado na beirada da cama e com as mãos na cabeça, suspirando fortemente enquanto encarava o chão com uma expressão de raiva.

Me aproximei em passos lentos, sentei ao lado dele e fiquei olhando para ele, esperando que se tranquilizasse pelo menos um pouco antes de perguntar qualquer coisa.

Foi então que ele passou as mãos nos próprios cabelos, olhou para mim e começou a chorar - um choro de raiva e tristeza, me deixando com uma dor horrível no peito por não saber o motivo.

Abracei ele, deixando o homem enterrar o rosto na curvatura do meu pescoço, não ligando para as suas lágrimas que molhavam o meu pescoço.

Já molhei muitas vezes o pescoço dele.

– Aqueles merdas.- Agarrou com força a minha camisa.- Era para ser um dia bom, {Nome}. Mesmo que seja o dia de ver o túmulo de meu pai, era para ser um dia bom.

Levei as mãos para os seus cabelos, acariciando os mesmos na intenção de tentar acalmar ele, pois seu choro estava me deixando cada vez mais agoniada.

– Eu estava rezando para o meu pai quando a família dele surgiu dizendo as pequenas coisas erradas que ele fez no passado, como se ele merecesse a morte adiantada por causa delas.- Disse irritado.

Não sabia o que dizer, mas sentia que estava sendo injusta, porque ele sempre tem coisas para dizer a mim mesmo quando nunca havia passado por aquela situação.

– Comecei a brigar com eles, aí começaram a me dizer que eu era extremamente pior que meu pai naquele tempo, era um merda e iria fazer muito mal para você por causa do meu forte temperamento.- Ele estava quase gritando de raiva.

Abracei ele com mais força.

– Eles me disseram coisas que me magoaram pra caralho, coisas que fizeram eu questionar sobre como te trato, como trato como e como irei tratar o nosso futuro bebê.- Começou a cair no choro.

Fiquei quieta, apenas acariciando ele e esperando que se acalmasse um pouco, pois caso eu falasse agora e algo saísse com um sentido errado, tudo iria só piorar.

𝔒 𝔇𝔢𝔰𝔱𝔦𝔫𝔬 𝔫𝔬𝔰 𝔰𝔲𝔯𝔭𝔯𝔢𝔢𝔫𝔡𝔢 Onde histórias criam vida. Descubra agora