78°- Nijel

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Alguns minutos depois, ele surgiu no quarto, se aproximou de mim, deu um beijo na minha testa e foi para o banheiro.

Me espreguicei, porque de tanto esperar quase peguei no sono, e como dormir no canto ao lado da sacada, me virei para olhar para a mesma.

A réstia de luz da lua iluminava praticamente todo o quarto, isso pois a nossa cortina era do tecido voil - branco e fino -, deixando o quarto com uma cara de fresquinho.

Foi então que senti um peso atrás de mim, depois um braço forte me abraçou e me puxou para perto, jogando o meu cabelo do meu pescoço antes de dar beijos no mesmo.

– Obrigada por ser compreensiva comigo.- Murmurou Katsuki.

– De nada.- Me virei de barriga para cima e olhei para ele.- Amanhã a gente pode sair para caminhar com o Marley, né?

– Pode ser.- Deu de ombros.- Amanhã você me ajuda a fazer a barba? Eu não consigo usar direto aquele barbeador.

– Tá bom.- Sorri.- Sinto que o seu emprego está a cada dia te esgotando mais.

– Também acho, mas é só porque você não está lá comigo.- Tirou o cabelo do meu rosto.- Preciso de ti para me manter em pé lá.

– Não exagera.- Ri e me virei totalmente para ele, colocando uma de minhas mãos na sua bochecha.- Você não sabe o quão triste eu fiquei com os momentos longe de ti, mesmo estando com Kaminari e Kirishima.

– Eles me disseram que você estava desanimada, por isso eu me esforçava para deixar tudo organizado para tirar uma folga.- Bocejou.

– Ah, entendi- Acariciei seu rosto com o polegar.- Eu te amo, muito, muito, muito mesmo.

– Eu também te amo.- Me deu um beijo rápido e sorriu.

– Você sempre cuida tão bem de mim, mas eu nunca sei como retribuí. Só que, quando eu pude, fui embora. Lembra?- Falei me referindo a primeira vez na qual quase nos separamos.

– Ei, não gosto de falar disso, porque você teria ficado se eu não tivesse feito toda aquela cena de ciúmes.- Começou a enrolar uma mecha do meu cabelo no seu dedo.

– Mas mesmo assim.- Fiz bico.

– Você retribui de várias formas: me tranquilizando, ajudando nos problemas, transando comigo, dormindo ao meu lado todas as noites, no caso, fazendo todas as coisas mais simples do mundo por mim, para mim e junto a mim.

– Uau.- Senti as minhas bochechas ficarem vermelhas.

– Enfim,- Bocejou.- vamos dormir.

– Sim.- Assenti me ajeitando.

Voltei a ficar virada na direção da sacada e sendo abraçada por trás por Katsuki. Olhei para o relógio e bocejei ao ver que ainda era 22:37, horário no qual normalmente ainda estaríamos acordados.

Foi então que fiquei encarando no quarto, esperando o sono realmente surgir e me fazer dormir. Contudo, eu bocejava, fechava meus olhos, esperava alguns minutos e não conseguia dormir.

Inspirei fundo, expirei bem devagarinho e em seguida olhei para Katsuki por cima do ombro, sorrindo ao ver a expressão calma no seu rosto.

Nisso, escutei passinhos pelo corredor, logo vendo algo entrar no quarto e parar na porta do carro antes de caminhar lentamente para o meu lado da cama.

Era Marley; ele ficou me encarando por um tempo ao ver que eu estava acordado, então estiquei a minha mão e comecei a fazer carinho na sua cabeça.

Ele lambeu a minha não quando eu coloquei a mesma na frente de seu focinho, em seguida se deitou e soltou um suspiro como se tivesse feito muitas coisas hoje.

Sendo assim, olhei para o reflexo embaçado da sacada, levando um susto quando um gato pulou na beirada da mesma, se sentou e começou a lamber a sua pata.

Levantei com cuidado - tanto para não acordar Katsuki, quanto para não pisar em cima de Marley - e peguei a chave da sacada na gaveta do criado-mudo ao lado da minha cama.

Depois que abri a porta, dei um passo para o lado para ver melhor o gato, o qual era preto dos olhos amarelos e nem sequer se mexeu após me ver.

Nisso, o mesmo pulou da beirada, se aproximou de mim, sentou na minha frente e me encarou por um tempo, em seguida miou e colocou uma de suas patas em cima do meu pé.

Estiquei lentamente a mão na direção do animal, sorrindo quando o mesmo esfregou a cabeça na ponta dos meus dedos. A partir disso, sabia que eu seria a dona dele.

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☦︎༄Dia seguinte.
☦︎༄10:31.

Acabei acordando Katsuki ao colocar o gato na cama, pois o mesmo havia começado a miar alto e bater de brincadeira no nariz do loiro.

– Que porra?!- Perguntou depois de abrir os olhos assustado.

Ri e peguei uma roupa de usar em casa; tinha saído algumas horas atrás para comprar as coisas para o gato e levá-lo para consultar.

Aliás, agora ele tem um nome…

– Vem cá, Nijel.- Falei tirando ele de cima da cama e colocando no chão.

Em seguida, voltei a minha atenção para o guarda-roupa, indo para o lado de Katsuki, pegando uma camisa que ele usa em casa e começando a tirar as minhas roupas.

– Nijel?- Olhei para o espelho, vendo ele com uma cara confusa.

– Isso.- Respondi.- É um Bombay.

– Ah, tá. Onde você achou ele?- Se levantou da cama.

– Pulou na nossa sacada.- Dei de ombros colocando a camisa e senti o gato se esfregar nas minhas canelas.

O loiro se levantou, se aproximou de mim e se abaixou na frente do gato, o qual miou, chegou mais perto e lambeu a bochecha do homem.

– Gostei, já comprou as coisas dele?- Fez carinho no Nijel e ficou de pé.

– Sim.- Assenti e dei um selinho nele.- Fiz torrada, está no microondas para esquentar caso você queira.

– Tá, depois eu vou lá.- Me olhou de cima a baixo.- Prefiro você sem nada.

– Vai se fuder.- Empurrei ele e amarrei no meu cabelo, sentindo ele dar um beijo molhado no meu pescoço antes de ir para o banheiro.

Olhei para o gato no chão, o qual miou para mim e colocou uma pata no meu pé. Então, peguei ele no colo, saí do cômodo e fui para a sala de estar.

Marley parecia estar de boa com o Nijel, mesmo mantendo a maior distância possível dele, com certeza por estar com medo de arrumar encrenca.

Sendo assim, deixei o gato no chão e fui para a cozinha, me perguntando se fazia o almoço ou simplesmente esquentava a lasanha.

Olhei para o meu celular em cima do cômodo, franzindo o cenho após ele vibrar bem na hora em que o peguei na mão. Nisso, liguei e vi mensagens de Midoriya e Mitsuki.

Primeiro eu fui na de Mitsuki.

𝔒 𝔇𝔢𝔰𝔱𝔦𝔫𝔬 𝔫𝔬𝔰 𝔰𝔲𝔯𝔭𝔯𝔢𝔢𝔫𝔡𝔢 Onde histórias criam vida. Descubra agora