Cap 16 - Dorothy part. I

699 56 17
                                        

Boa leitura!😘

Anelise on
   Não vejo o rosto da pessoa, está escuro dentro do quarto. A pessoa então começa a caminhar em minha direção lentamente até que me surpreendo ao perceber quem é.
--- Peter?
Ele se aproxima até parar ao lado da cama.
--- O que faz aqui?--- Pergunto me afastando um pouco.
--- Me desculpe eu...
--- Por que você tá aqui?.... Como entrou?
--- Eu... Fiquei preocupado com você e.... Vim ver se estava bem....
Ele se preocupou... Comigo? Por que?
--- Por que?--- Pergunto por impulso.
--- Bom.... Eu... Queria pedir desculpas por aquilo... Mas você estava dormindo, quando estava prestes a sair você começou a se mexer.--- Ele diz parecendo envergonhado.
Eu fico sem palavras.
--- Me desculpe eu... Não devia ter vindo, me desculpe.--- Ele diz e se afasta, começando a caminhar até a porta.
   Eu não quero que ele vá embora, e isso me preocupa, ainda não entendo essa necessidade de ficar perto dele. Só me sentia assim com o Matteo.
--- Eu.... Tive um pesadelo.--- Digo.
No mesmo instante ele para, e se vira para me olhar.
--- Você quer conversar?--- Ele pergunta um pouco exitante.
   Eu balanço a cabeça em sinal de positivo, ele parece pensar um pouco e então finalmente caminha em minha direção, eu me afasto pro lado e indico pra ele se sentar.
Ele se senta ao meu lado e quando me olha seu olhar ganha um brilho estranho, então ele vira e desvia o olhar. Nesse momento percebo que o short do meu pijama subio dando a impressão de que eu estou de calcinha, e como a regata não é tão cumprida, mostra mais do que devia.
   Eu tenho certeza de ter ficado vermelha, na mesma hora puxo o cobertor me cobrindo até o pescoço.
   Não sei qual de nós dois está mais nervoso.
   Ficamos um tempo em silêncio sem saber o que dizer.
--- É.... Você se lembra do pesadelo?--- Peter pergunta quebrando o silêncio.
--- Não.... Mas ele foi horrível.--- Digo quando me lembro do estado em que acordei.
   O vejo segurando a risada.
--- Você está com medo de algo que não se lembra?--- Ele pergunta sorrindo.
Faço uma careta.
--- Sim estou! Algum problema?--- Pergunto.
   Ele fica surpreso mas logo seu sorriso reaparece.
--- Vai ficar tudo bem, pesadelos não podem te fazer mal.--- Ele diz segurando minha mão.
   Seu toque é gélido, igual ao de qualquer outro vampiro mas foi diferente do toque de qualquer outra pessoa, uma corrente de eletricidade atravessou meu corpo assim que ele segurou minha mão. Igual ao Matteo.
--- Acho melhor você dormir, amanhã tem aula.--- Ele diz.
--- Eu não quero dormir....
   Ele leva sua mão livre e acaricia minha bochecha.
--- Eu fico com você até dormir, o que acha?
--- Sério?
   Ele afirma com a cabeça.
--- Então tá....
Anelise off
Peter on
   Anelise e eu passamos um tempo conversando até que ela pegou no sono, eu estou deitado ao seu lado, e ela dorme tranquilamente. Eu disse que sairia quando ela dormisse, mas sinceramente não tenho vontade de deixá-la.
   Naquela hora no corredor eu a vi suja com sangue e fiquei preocupado, mas não foi minha intenção magoa-la, só fiquei preocupado, tenho absoluta certeza de que ela não faria mal a ninguém.
   Quando vi seu olhar magoado e ela entrando no quarto sem me ouvir, foi como se meu coração tivesse se despedaçado. Nunca pensei que alguém pudesse ter tanto controle sobre mim.
   Ultimamente tenho tentado a evitar, desde que a vi pela primeira vez ela não sai de meus pensamentos, e eu sei aonde vai chegar se eu me aproximar demais, tenho certeza de que não vou a querer apenas como amiga, e isso pode ser um problema.
   Eu me levanto devagar para não acorda-la, a cubro direito e saio do quarto sem fazer barulho algum. Vou até meu quarto e tento dormir o resto da madrugada.
   Já de manhã eu me arrumo e saio do quarto, ainda está cedo, caminho pelo corredor até chegar às escadas, ouço então a voz da Anelise vindo da sala.
"Sim Lian, já falei que posso ir sozinha..... Não, eu não vou cabular..... Sim eu vou apenas ir sozinha..... Não acredita em mim?.... Ok..... Tudo bem..... Tá já entendi, nos vemos mais tarde, beijos..."
   Ouço passos e vejo Drogo e Sofia logo atrás de mim.
--- Bom dia Peter.--- Diz Sofia.
   Drogo simplesmente acena.
--- Bom dia.--- Respondo.
   Nós nos dirigimos até a cozinha, chegando lá nos deparamos com Nicolae, Lorie e Viktor sentados a mesa. O que ele faz aqui?
--- Bom dia meus filhos.... Srta Sofia...--- Ele diz nós olhando.
   Sofia e Drogo ficam tensos, Drogo parece muito nervoso porém Sofia o segura pelo braço numa tentativa de o acalmar.
   Eu caminho e me sento ao lado da Lorie, Drogo e Sofia se sentam de frente pra mim ao lado de Nicolae, Viktor se encontra no centro da mesa, as duas cadeiras ao seu redor se encontram vazias. Não é novidade.
--- O que foi? Resolveram acordar de mal humor todos no mesmo dia?--- Viktor diz.
   Ninguém responde nada.
--- Bom dia!--- Ouço a voz de Anne.
   Anelise aparece na porta e para assim que vê Viktor sentado a mesa. Quando a vê ele abre um sorriso.
--- Bom dia.... Finalmente alguém de bom humor.--- Viktor fala ironicamente.
   Anelise o observa com o rosto sem expressão.
--- Sente-se ao meu lado minha filha.---      Ele diz e gesticula para uma das cadeiras que estão ao seu redor.
   Anelise cruza os braços parecendo irritada, vejo Viktor lhe lançar um olhar estranho e ela o encara, parece até que estão conversando mentalmente. Os dois trocam olhares como dois cúmplices, e eu não gosto nada disso.
   Ela parece exitante, mas então começa a ir até onde Viktor está. Ela se senta ao seu lado parecendo desconfortável.
--- Então.... Como vão os estudos? É... Artes não?--- Viktor pergunta a ela.
Anelise o olha surpresa com uma cara de interrogação, logo depois faz uma careta.
--- É.--- Ela diz curta.
   Ela começa a comer um sanduíche.
--- Por que não fez música?--- Ele pergunta novamente.
   Ela o olha meio surpresa mas com um olhar melancólico.
--- Você é muito talentosa.--- Viktor comenta.
   Minha curiosidade só aumenta, nunca a vi cantando ou tocando algum instrumento, todos dizem que ela é muito talentosa. Espero poder vê-la cantando, talvez eu a convide para tocar piano comigo.
--- Eu tenho que ir!--- Anelise se levanta e sai da sala de jantar quase correndo.
   Eu me levanto e vou atrás dela sem me importar com os olhares pesando em minhas contas. A alcanço próxima a porta do lado de fora, ela está parada observando algo no portão.
Me pego a observando, hoje ela está tão linda.... Igual a todos os dias. Ela usa a saia e a blusa social branca do uniforme, juntamente com uma meia branca que vai até seu joelho com uma bota preta, diferente de todo mundo ela usa o suéter amarrado no pescoço fazendo ele parecer uma espécie de capa, seus cabelos loiros claro ondulado estão soltos e como sempre, a gravata do uniforme se encontra solta ao redor da gola da camisa, seus braços estão cheios de pulseiras e suas mãos com muitos anéis, todos coloridos. Com exceção de um, ele é prata e a todo tempo está com ela, parece até que ela não o tira.
   Eu caminho em suas direção.
--- Anne....
   Ela olha pra mim, ao que parece ela não havia me notado.
--- Peter....?
--- O que acha de uma carona?---           Pergunto balançando a chave do carro.
--- Não precisa se incomodar....--- Ela diz.
--- Não vai ser incomodo.... Nós vamos pro mesmo lugar...--- Insisto.
   Depois de insistir mais um pouco ela aceita, nós caminhamos até o carro e eu abro a porta para que ela entre, ela me agradece e logo estamos no caminho da universidade.
--- Você está melhor?--- Pergunto a ela.
--- Sim, eu estou.... Foi só um pesadelo afinal.--- Ela responde com um pequeno sorriso.
   Me lembro então de que queria a ouvir cantar.
--- Anne?
--- Sim?--- Ela pergunta me olhando.
Ela tinha que me olhar agora? Ainda não entendo o porquê de ficar tão nervoso quando estou em sua presença, ainda mais quando ela me olha.
--- Posso perguntar uma coisa?--- Pergunto por fim.
--- Claro....
Bem, vejamos....
--- Você gosta de música?--- Pergunto.
Ela parece ter ficado surpresa.
--- Por que?--- Ela pergunta.
--- Curiosidade, é que todo mundo comenta algo. Como hoje de manh....--- Paro de falar quando me lembro de quem fez o comentário.
   Anelise não pareceu se importar com isso, e alguns segundos depois ela sorri parecendo se lembrar de algo.
--- E você? É um excelente pianista...--- Ela diz com um sorriso.
Na mesma hora eu desvio o olhar e sinto meu rosto esquentar.
--- Você toca muito bem, suas melodias tão calmas e melancólicas, parecem contar histórias através das notas, adoro isso. Me lembra das orquestras feitas por grandes músicos que ouvia quando ia a ópera.--- Ela comenta.
Eu sorrio de lado, costumo ouvir isso embora não concorde plenamente.
--- Obrigado.--- Digo simplesmente.
   Porém o meu peito se enche de felicidade ao saber que ela gostou. É a primeira vez que sinto isso, essa necessidade de agradar alguém.
   Nós chegamos na universidade e descemos do carro, eu abri a porta para Anelise e ela agradeceu sorrindo.
   Conforme caminhamos pelo Campus, sinto vários olhares nos observando, alguns até cumprimentam Anelise. Ao que parece os alunos gostam da Anelise, muito diferente do que pensam sobre de mim, Drogo ou outro Bartholy, ela é inteligente, simpática, gentil, alegre, bonita.... Muito bonita.
--- Vou pegar um livro no meu armário, você me espera?--- Anelise pergunta quando já estamos nos corredores.
--- Sim, claro.
--- Ok, já volto.--- Ela diz e some usando sua velocidade.
   Espero que ela tome cuidado.
   Então sinto uma mão no meu ombro, me viro e vejo alguém que não esperava.
--- Dorothy?
--- Oi Peter.--- Ela diz sorrindo.
--- Oi....
   Dorothy é da minha aula de música, Ela é muito talentosa e temos muita coisa em comum, nós dois somos da Transilvânia por exemplo.
--- Eu estava te procurando, queria saber se você quer ensaiar comigo depois da aula.--- Ela diz.
--- Eu...
--- Voltei..--- Anelise diz assim que se aproxima.
   Quando me dou conta estou sorrindo enquanto a observo. Ela então vê Dorothy.
--- Ah.... Oi, sou a Anelise.--- Ela diz com um pequeno sorriso.
--- Sou Dorothy.--- Ela responde indiferente.
--- Você achou seu livro?--- Pergunto para Anelise.
--- Achei.--- Ela diz.
--- Até mais Dorothy, vamos Anne a aula começa daqui a pouco.--- Digo.
Ela caminha para o meu lado e segura minha mão, o que me faz ficar meio ruborizado e surpreso.
--- Vamos!--- Ela diz.
--- Peter, você não me respondeu.--- Dorothy diz.
   Eu me viro pra ela.
--- Me desculpe mas vou estar ocupado, quem sabe na próxima.--- Digo.
--- Tudo bem....--- Ela diz.--- Até depois.
   Me viro pra Anelise que não transparece nenhuma emoção.
--- Agora podemos ir?--- Ela pergunta.
Que estranho, há uma pontada de mal humor em sua voz.
--- Sim mas..... Está tudo bem?--- Pergunto.
   Nós começamos a caminhar.
--- Sim porque não estaria.
--- É que você parece estar incomodada com algo...
Ela suspira.
--- É só que.... Eu trombei com Loan e Samantha.
--- Não ligue pra eles....
--- Não se preocupe não pretendo perder meu tempo pensando neles.--- Ela me interrompe.
   Não é atoa que ela e Drogo são irmãos.
   Nós entramos no anfiteatro, sentamos juntos em uma mesa vazia enquanto aguardamos o Sr. Jones.
--- Peter?--- Anelise me chama.
--- O que?
--- Eu queria te perguntar uma coisa, mas tinha me esquecido....--- Ela diz.
--- Pode perguntar.--- Falo.
--- No primeiro dia de aula, você saiu da sala quando o Sr Jones falou sobre vampiros então.... Eu queria saber por que você saiu.--- Ela diz.
Por essa eu não esperava.
--- O assunto não era interessante.
Ela me observa parecendo pensativa.
--- Você não gosta de falar de vampiros é?--- Ela pergunta.
   Eu suspiro, não é um tema que eu aprecie.
--- Por que não?--- Ela pergunta parecendo perceber a resposta da última pergunta.
--- Porque eu não queria ser isso que sou hoje.--- Respondo.
   Ela fica em silêncio.
--- E você? O que pensa a respeito de ser vampira?--- Pergunto quebrando o silêncio.
   Ela olha para a frente.
--- Eu não sei, nunca fui uma pessoa totalmente normal, acho que só foi ruim quando aconteceu.--- Ela diz.
--- Então você gosta...?
--- Acho que a questão não é gostar ou não, e sim aceitar, a vida não vai ficar mais fácil só porque você reclama, então a solução é ficar mais forte, e viver como se fosse o último dia. E não, eu não sou assim tão positivo, mas é o que eu aprendi. --- Ela fala dando de ombros.
   Não deve ser tão difícil pra ela que ainda tem características humanas.
--- Bom dia para todos.
   Sr. Jones entra na sala e da início a aula de hoje.
   Ele está de costas para nós e anota algo em uma folha.
--- Antes de começar a aula gostaria de comunicar algo.--- Ele começa a falar ainda sem nos olhar.--- No decorrer do ano vou passar vários trabalhos em grupo, então.... Eu espero que gostem da companhia de quem está ao seu lado pois ambos trabalharão juntos até se formarem.
   A  sala se enche de comentários e reclamações. Eu Anelise nos olhamos ao mesmo tempo, noto então que ela começa a desenhar em seu caderno.
--- E não adianta reclamar, o único que pode mudar as duplas ou trios sou eu.--- Ele diz.
   Ele finalmente se vira para a sala e vejo seu olhar parar em Anelise que mantém sua atenção no desenho, ele então olha simultaneamente para nós dois parecendo surpreso, sua cara então fecha e ele parece bravo.
   Anelise levanta o olhar e seu olhar se  encontra com o do professor.
--- Ele me perguntou alguma coisa?--- Ela pergunta.
   Eu seguro o riso, ela é a vampira mais distraída que eu conheço.
--- Não, ele não perguntou nada.--- Eu respondo quando ela me olha.
--- Atá, pensei que ele tivesse falado comigo e eu não ouvi, ele parece meio bravo não?--- Ela diz.
--- É sim.

  Uma Bartholy?Onde histórias criam vida. Descubra agora