Cap 39 - Perguntas erradas

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Hoje está sendo um dia tão difícil, faz uma semana que não falo com Drogo, uma semana que todos sabem sobre Peter e eu. É muito bom não ter que esconder mais nada, mas por outro lado eu me sinto tão mal por ter magoado meu irmão. Não me perdoo sei que o perdi, mas se acabaram os arrependimentos a muito tempo, não posso mudar nada, preferi ser uma covarde á contar tudo antes.

Caminho calmamente pelos corredores da universidade, Peter que está ao meu lado segura minha mão numa forma de consolo. Nesse momento o desânimo é grande, mas o conforto que ele me dá é muito maior, mesmo com os alunos nos olhando feio quando vêem alguma demonstração de carinho entre nós dois. Foi assim a semana inteira, comentários maldosos, olhares de julgamento, até alguns sorrisos maliciosos. Eu nunca me importei muito com o que pensam de mim, só procuro evitar encontrar com Loan e Samantha, a minha paciência não é assim tão grande.

E eu prefiro nem me lembrar daquela gótica abusada chamada Dorothy, eu realmente a odeio, Peter tem que ficar o mais longe o possível dela.

Logo estamos do lado de fora da universidade avançando pelo estacionamento, Peter vai me acompanhar até o carro do Lian, hoje eu vou dormir na casa da Amélia, eu estou com saudades dela, não nos falamos desde aquele dia que ela descobriu sobre o Ric. Além disso, preciso falar com ela, quando estava com Viktor treinando, ele me fez perceber algo, algo que eu devia ter percebido a muito tempo, mas pra falar a verdade acho que eu já havia pensado nisso, Viktor apenas me deu a certeza.

- Pronta?- Lian pergunta assim que paramos ao lado dele.

- Sim.

- Vou te esperar lá dentro.- Ele diz se dirigindo até o carro depois de acenar para Peter.

- Vou sentir saudades...- Peter diz.

Eu sorrio.

- Eu também, mas são só dois dias...- Digo.

- Tem razão, mas eu ainda vou sentir sua falta.

Peter se aproxima de mim, logo seus lábios encontram os meus, o beijo é calmo e extremamente lento, seu toque é possessivo como sempre, me causando essa sensação agora tão familiar.

Depois de me despedir de Peter entro no carro do Lian e nos dirigimos para casa.

....................

- Lar doce lar...- Lian diz abrindo a porta.

Eu reviro os olhos divertida enquanto entro dentro da casa, passo os olhos ao meu redor inspecionando o ambiente a minha volta, percebo que não tive tempo de me acostumar a morar aqui, não me sinto tão em casa quanto sinto na mansão Bartholy.

- Anne.

Ouço a voz de Amélia no alto da escada, ela desce as escadas e vem em minha direção, quando penso que ela vai me abraçar a vejo recuar, o que me deixa intrigada por seu comportamento.

- Amélia.- Dou alguns passos em sua direção e passo meus braços ao redor de sua cintura.

Ela me abraça de volta, seus braços me rodeiam em um abraço apertado. Seu aperto, seu perfume, é tudo tão familiar, eu senti falta disso, dessa sensação de segurança materna que ela sempre me passou.

- Minha menininha linda que saudade...- Ela diz.

- Eu senti a sua falta.- Falo.

- Eu também senti a sua.- Ela disse.

- Preciso falar com você... É importante.- Digo assim que nos separamos.

- Ah é? Sobre o que seria?- Ela pergunta.

Olho pra Lian que nos observava.

- Já entendi, conversa particular, vou deixar vocês a sós.- Ele diz.

- Por que não subimos? E então você me diz que assunto é tão importante.

- Sim vamos.- Concordo.

Subimos as escadas e vamos até meu quarto, está do mesmo jeito que deixei, ou melhor, do mesmo jeito que acho ter deixado. Me sento na cama e observo Amélia fechar a porta e vir em minha direção, ela se senta na ponta da cama e me olha. Vejo meu violino ao pé da cama, sem pensar muito o pego em minhas mãos, toco suas cordas, sua estrutura esculpida, o arco está ao meu lado entre as almofadas, o pego também e o analiso com meus dedos.

- Podemos conversar agora, seja direta, pode me dizer o que quiser.- Amélia diz.

- Tudo bem, vou ser direta...- Digo tira do o instrumento do meu colo e o colocando em cima da cama junto ao arco.

Suspiro organizando minha mente, Amélia então me dá um olhar encorajador para que eu comece. Lhe estendo minha mão, a mão onde o anel se encontra.

- Você sabe que anel é esse.

- Isso não me parece uma pergunta...- Ela diz.

- Tem razão, não é.

Ela me olha por um momento, logo depois suspira.

- Sim eu sei que anel é esse.

- Bom, então também sabe porque ele está comigo.- Afirmo.

- Sim...

- Tudo bem....- Digo.- O que eu queria saber é.... A minha ancestral era uma Bartholy?

Eu refleti sobre tudo que estava acontecendo, liguei todos esses acontecimentos a minha volta, incluindo aqueles sonhos estranhos, aqueles flashes que tenho às vezes, nenhum deles é fruto da minha imaginação, são fragmentos de uma memória, lembranças de alguém, alguém que conhecia Viktor, sua esposa e morava naquela casa. Essa semana estive vasculhando o meu quarto, e encontrei um desenho perdido pelas gavetas, uma caricatura para ser mais exata, uma caricatura da garota que vi em alguns sonhos, a mesma que é idêntica a mim, foi aí que me veio um nome. Viktoria Bartholy.

- Anne.... Eu não posso te dar essa resposta, você está procurando as respostas certas para perguntas erradas.- Amélia diz.- Por que ao invés de se perguntar quem é sua ancestral, você não se pergunta quem é você?

- O que quer dizer com isso?- Pergunto confusa.

- Quero dizer que você devia descobrir quem é você.- Amélia diz me encarando nos olhos.- Quando descobrir tudo ficará claro, mas isso deve ser logo, não há tempo sobrando.

- Eu não entendo.... Isso é tão confuso...

- Não se preocupe minha querida.- Ela se aproxima de mim e segura minha mão.- Vou ajudar você.

Até o próximo!🤗



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