Olho pra frente e vejo ele, com um olhar preocupado e meio surpreso.
--- Você está bem?
O encaro surpresa, ele me ajuda a se equilibrar e também me encara, porém continua com os braços ao meu redor.
--- Sim...
Eu não sei o que dizer é nem o que fazer, estou paralisada, sabia que nós teríamos que nos ver e conversar mas não tinha ideia do que fazer quando chegasse a hora, e agora que chegou, eu realmente não sei o que fazer. Eu sei que a culpa é do Viktor, mas o Drogo também teve culpa, foi ele que acreditou nele primeiro, se ele não tivesse acreditado estaria tudo bem, ele foi um idiota por acreditar que eu abandonaria a minha família por sei lá qual motivo.
Eu me afasto dele fazendo com que ele me solte.
--- Obrigada.--- Digo simples.
--- Disponha....
--- Vou me encontrar com os outros.--- Falo e começo a caminhar.
Dou dois passos e ele segura meu braço.
--- Espera, nós precisamos conversar.--- Ele diz ficando de frente para mim.
--- Eu não quero conversar.--- Digo.
--- E você acha que eu quero? Eu nem sei o que dizer.--- Ele diz.
Eu sorrio ao perceber que estamos na mesma situação.
--- Nem eu.--- Falo e ele me olha.
Vejo o mesmo olhar carinhoso com que ele me olhava quando éramos crianças e nossos pais nos mandavam fazer as pazes, ele sempre sedia primeiro e me olhava daquele jeito, mas dessa vez é diferente, Não é uma simples discussão.
--- Eu senti a sua falta.--- Ele diz encarando o chão, como se fosse uma confissão.
Desgraçado, assim eu vou acabar fazendo as pazes cedo demais.
--- Me desculpe ter deixado você sozinha.... E também por pensar que você iria embora, fui um idiota...--- Ele fala.
O que está acontecendo com ele? Ele nunca pede desculpas primeiro, na verdade, ele nunca pediu desculpas pra mim, nem quando era obrigado, ele simplesmente me olhava daquele jeito e dava um sorriso torto, e como eu não queria tomar iniciativa ele me puxava pra um abraço.
Mas dessa vez ele pediu desculpas, eu não sei o que fazer, não que eu espere que ele me abrace, é que sou orgulhosa demais pra pedir desculpas, sei que estou errada mas convenhamos que é um momento único ver ele se desculpando, claro que eu já o perdoei. Entretanto, a nossa convivência não vai ser a mesma de antes.
--- Você está me ouvindo?--- Drogo pergunta me tirando dos meus pensamentos.
--- S-sim.--- Respondo.
--- E então?
--- Então o que?--- Pergunto.
Ele me olha parecendo sério.
--- Ok, eu não estava prestando atenção, feliz?--- Admito.
Ele da um pequeno sorriso e se aproxima, dou um passo pra trás, acho que por reflexo, mas ele se aproxima mais. Ele então aproxima sua mão e acaricia minha bochecha de uma forma carinhosa.
--- Drogo....
--- Podemos recuperar o tempo perdido, voltar a ser como antes, irmão e irmã...
Meus olhos se encheram de lágrimas, já se passou tanto tempo, tanto tempo sem ele, sem a Lorie, não sou tão orgulhosa a ponto de fingir que não ligo.
Dou um passo em sua direção e percebo que ele ficou um pouco surpreso, o ignoro, me aproximo mais e passo meus braços ao redor de sua cintura o abraçando e escondendo meu rosto no seu pescoço, ele rapidamente passa os braços ao meu redor e me abraça.
Muitas vezes o abraço, causa mais conforto que muitas palavras, e uma dessas vezes é agora, não sei se fiz o certo em termos feito as pazes tão rápido, só sei que eu senti a falta do meu irmão.
(...)
Drogo me levou para seu quarto e nós conversamos sobre várias coisas, ele queria saber sobre tudo que aconteceu, e eu contei um monte de coisa, mas agora já estou cansada de tantas perguntas.
--- Não quero mais falar de mim.--- Digo e me esparramo na cama feito estrela do mar.
--- E sobre o que quer falar?--- Ele pergunta.
Sofia.
--- A sua namorada é muito bonita.--- Comento.
Ele sorri.
--- É....
Eu dou risada e jogo um travesseiro nele.
--- Ei!
--- Quer um babador?
--- Há ha ha muito engraçado.--- Ele diz e joga o travesseiro em mim.
Eu o olho.
--- Sabe.... Isso tudo é estranho.--- Digo.
--- O que?
--- Ficarmos amigos tão rápido.
Ele me observa.
--- Pois é... Pensei que demoraria mais.--- Ele diz.
--- Eu também.
Meu estômago começa a dar sinal de vida, eu estou faminta.
--- Eu estou com fome, será que o jantar já está pronto?--- Pergunto.
--- Nicolae já deixou tudo pronto.--- Ele diz dando de ombros.
Eu me levanto e num piscar de olhos já estou na porta de seu quarto.
--- Então anda logo.--- Falo.
--- Calma aí, agente nem terminou de conversar.
--- E daí, a minha barriga é mais importante que qualquer conversa.--- Digo.
--- Você continua a mesma, incrível....
Consigo sentir daqui o seu descontentamento.
--- E você não mudou nada, continua o mesmo chato.
--- E você a mesma infantil.
(...)
Depois da nossa discussão boba, eu saio de lá e caminho pelo corredor. Acabamos de fazer as pazes e já brigamos, é incrível, não passamos cinco minutos sem discutir, como vai ser a nossa convivência?
Mas se bem que dessa vez eu tive um pouco de culpa, eu admito, mas é que eu queria sair dali, estava meio sufocada, embora estivéssemos tentando, eu sempre lembrava que ele acreditou no Viktor, e eu sei que é muita imaturidade minha, mas é impossível fingir que não houve nada, seria hipocrisia da minha parte.
Eu me aproximo de uma porta entreaberta e escuto uma familiar.... Uma voz de criança?
"Eu a declaro culpada, e sua punição será a guilhotina, será decapitada!"
"Me perdoe....O que eu fiz para merecer isso majestade?"
"Você teve a audácia de roubar a atenção da minha irmã!"
"Eu não queria..."
" Basta! Você é culpada!"
"Mas vossa majestade...."
"Mas nada, quais são suas últimas palavras?... Não vai dizer nada?... Que seja."
Ouço um pequeno ruído e a cabeça de uma boneca sai rolando de dentro do cômodo e para na minha frente.
Se eu fosse uma adolescente humana sem conhecimento do sobrenatural, provavelmente teria saído correndo.
Me aproximo e fico de frente pra porta, olho pela brecha e vejo Lorie. No momento que a vejo, sinto uma mistura de sentimentos, tristeza, culpa, alegria, saudade.... Tudo ao mesmo tempo. Ela está rodeada de brinquedos bizarros, próximo a ela há uma mini guilhotina onde o corpo que eu suponho pertencer a cabeça que está do meu lado se encontra.
Eu pego a cabeça da boneca e dou duas batidas na porta.
--- Quem é?--- Ela pergunta.
--- Eu posso entrar?--- Pergunto e coloco a cabeça dentro do quarto.
Quando ela me vê, toma um susto. Ela me observa com uma expressão surpresa no rosto, eu abro a porta e entro no quarto, quase ficando cega de tanto rosa que tinha. Fecho a porta atrás de mim e me viro em sua direção.
--- Lorie....
Meus olhos já estavam cheios de lágrimas.
Ela larga os brinquedos e se levanta sem tirar os olhos de mim. Agora ela me olha de um jeito triste. Eu coloco a cabeça da boneca no chão e levanto os braços a convidando pra um abraço. Ela caminha em minha direção chorando.
--- Anelise!--- Ela diz finalmente e aumenta o passo e corre em minha direção.
Lorie pula no meu colo, eu a seguro e ela me abraça.
--- Não precisa chorar, eu tô aqui.--- Falo.
--- Eu senti saudades! Sabia que você não tinha me abandonado!--- Ela diz entre soluços.
Minhas lágrimas caem instantaneamente.
--- Eu também senti sua falta minha princesa.
--- Você vai ficar comigo? Não quero que você vá embora.--- Ela diz.
--- Eu não vou embora, nunca mais.
--- Você promete?--- Ela pergunta olhando no fundo dos meus olhos.
--- Prometo.
Ela sorri e me abraça ainda mais, eu caminho até a cama e me sento com ela em meu colo, seco suas lágrimas e as minhas.
--- Por que você foi embora?--- Ela me pergunta.
--- Eu.... Bom....
O que eu vou dizer? "Ah irmãzinha, pensei que você e o Drogo tinham me abandonado". Ela ainda é uma criança mesmo tendo séculos de idade, não precisa saber disso por enquanto.
--- Aconteceram muitas coisas.... Você não precisa se preocupar com isso, o importante é que já passou.--- Digo.
--- Então não foi por minha causa?
--- O que?
--- Eu... Pensei que você não me amasse mais.--- Ela diz escondendo o rosto no meu pescoço.
Acho que eu vou chorar....
--- Minha princesinha... Eu amo você.
--- Eu também te amo.--- Ela diz.
Precisamos fazer outra coisa se não eu não vou mais parar de chorar. Seco meu rosto e coloco Lorie sentada do meu lado.
--- Do que você estava brincando?--- Pergunto.
--- De rainha e punição.
Que educativo....
--- Você quer brincar comigo?--- Ela pergunta com um olhar suplicante.
--- Por que não? Vamos.
--- Eba!
Alguém da duas batidinhas na porta e a abre. Na porta, vejo aqueles olhos esmeralda me olhando surpresos. Peter então desvia o olhar.
--- Nicolae pediu para descermos....--- Ele diz.
--- Mas nós vamos brincar!--- Lorie protesta.
--- Você pode brincar depois, vamos servir o "jantar".--- Fala ele.
--- Mas eu quero brincar com a Anelise agora!
--- Nós brincamos depois Lorie, eu estou com fome.--- Falo e me levanto.
--- Tá bom.
Ela se também se levanta e segura minha mão. Que gracinha, nem parece que estava brincando de algo tão bárbaro.
--- Vamos.--- Ela diz e me puxa pra fora do quarto.
Peter vem atrás de nós duas, e Lorie me guia pelo corredor.
--- Não precisa correr lorie.--- Falo.
--- Quanto mais cedo todos estiverem, mais cedo acontece o jantar é mais cedo brincamos.
Eu dou risada juntamente com Peter que sorri divertido.
Chegamos na sala de jantar e nos sentamos com os outros. Eu sentei do lado do Peter e Lorie se sentou do meu lado, Drogo estava ao lado da Sofia de frente pro Lian. Ele dá um pequeno sorriso de lado como um pedido de desculpas, dessa vez eu vou perdoar a chatice dele, dou um lindo sorriso.
Percebo então que todos estão nos observando. Que povo mais curioso, tão pior que eu.
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Uma Bartholy?
Fiksi PenggemarDesde que nasceu, Anelise nunca foi uma garota normal, via e ouvia o que ninguém mais podia. Quando seus pais morreram anos atrás, foi transformada em vampira junto com seus irmãos, mas por obra do destino se viu sozinha por causa de desentendimento...
