Capítulo 17, parte III

675 43 14
                                        

Santiago= Quando você quiser! – assentiu.

Fora uma conversa curta, mas ambos sabiam que tudo aquilo seria positivo, não faziam o tipo que andavam brigados por aí, se desentendendo ou se alfinetando pelos cantos. Eram amigos, tinham cumplicidade, e sabia quem esclarecer rapidamente os maus entendidos era sempre a alternativa mais inteligente para ambos.

Santiago a deixou na revista, e a morena soube, no instante em que pisara no prédio, que o dia seria muito mais difícil do que o imaginado.

O caminho até a sala tornou-se longo e complicado, interrompido diversas vezes pelos funcionários que, abismados e curiosos com a notícia vista logo cedo, pediam por detalhes do romance vivido por ela.

Dulce= Meu Deus, que difícil! – bufou, deixando a bolsa em cima da mesa e sentando-se esparramada na cadeira. – Eu não aguento mais!

Maite= Bom dia, meu amor. – inclinou o corpo para o lado e lhe beijou o rosto. – Que bom que você veio, que está viva! Foi a única notícia que tive da vossa senhoria.

Dulce= Me desculpe, Mai. – lhe estendeu a mão. – Meu telefone não para de vibrar com um monte de solicitações absurdas, gente que há anos não fala comigo, agora parece ressuscitar só pra saber o que está acontecendo. Eu não tenho paz.

Maite= Eu imagino. – olhou-a. – Quer dizer, eu posso tentar imaginar.

Dulce= É um horror. – endireitou-se na cadeira.

Maite= Alex ligou para o Christian. – sorriu para ela. – Estava preocupado com a dimensão da situação, é claro, mas acima de tudo, estava radiante pela relação de vocês. E não exagero nenhum pouco!

Dulce= Ele é muito emocionado. – riu baixo.

Maite= Como você está? – deixou de sorrir e a encarou.

Dulce= Vivendo um inferno. – disse de imediato e logo exalou pesadamente. – Eu estou no mesmo padrão de êxtase e feliz pela situação com o Alex, nós estamos nos entendendo, eu me sinto extremamente completa com ele. E gosto de me sentir assim, estou aprendendo a realmente viver isso sem medo, mas... – mordeu o lábio inferior. – Mai, a verdade é que o pacote da situação assusta e exige muito. Eu levei quinze minutos pra chegar até aqui! Eu fui parada na recepção do prédio, no elevador, depois aqui na nossa recepção, na redação... eu praticamente tive que correr pra conseguir me sentar na minha própria mesa. E acho que as pessoas só não chegam até aqui, porque têm medo da megera.

Maite= Pra algo a megera tem que servir, né? – brincou, e a amiga acabou rindo, ainda que baixo e sem tanto ânimo. – Dul, imagino que nada disso seja fácil. Toda a exposição, as perguntas, eu vi que ele estava com quase 210 mil seguidores no instagram e...

Dulce= Apareceram mais dez mil? – girou os olhos. – De onde é que essa gente brota?

Maite= Curiosos. – deu de ombros. – Você sabe muito bem.

Dulce= Acha que a mini-megera-bruaca-loira estava certa? – a amiga riu dela. – Tanta diferença fazia que ele tivesse uma namorada?

Maite= Odeio dizer que sim, mas aparentemente... sim. – disse com conformismo. – Porque estão falando do evento beneficente e da presença dos pais dele, mas principalmente estão falando sobre você. Estão colocando uma grande expectativa em você, e automaticamente na carreira dele, porque imaginam que, se ele ganhar, dará força a todos os projetos em que você está engajada.

Dulce= Vi que o Arango me mandou mensagem, mas nem consegui ler e compreender, muito menos responder algo. – fechou os olhos e suspirou. – Se esse tipo de publicidade servir para ajudar o hospital, pelo menos teremos algo de positivo.

Jogada PerfeitaOnde histórias criam vida. Descubra agora