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Joaquín Piquerez.

Num dia, eu estava consideravelmente bem, em paz com a vida e com as coisas ao meu redor. Mas no outro, o mundo desabou sobre mim.

Meu nome, que antes passava despercebido ou ao menos era associado somente ao Palmeiras, foi parar nas páginas de fofoca, espalhado em publicações no Twitter completamente absurdas. E eu fui quase o último a saber. As palavras que estavam sendo ditas sobre mim pareciam tiradas de um pesadelo, e me sentia cada vez mais afogado nelas, como se nada do que eu dissesse ou fizesse pudesse apagar aquilo. Eu olhava para aquelas mentiras, e um vazio tomava conta de mim. A dor de ser exposto, de ter minha integridade pisoteada por palavras que não correspondiam nem de perto ao que eu sou, era insuportável.

Não quis me pronunciar sobre aquilo tudo, achava que seria inútil, como se a verdade não tivesse mais valor diante do turbilhão de mentiras que se espalhavam. Mas, ao mesmo tempo, havia uma necessidade pulsante dentro de mim, uma vontade de gritar, de clamar ao mundo o quanto aquilo era falso. Eu queria que todos ouvissem que eu nunca, em toda a minha existência ou durante nosso relacionamento, tive a intenção de trair a Clara. Eu queria que soubessem que ela significava mais do que qualquer coisa para mim, mais do que qualquer ato impensado ou rumor maldoso. E mesmo que, hoje, não estivéssemos mais juntos, ela ainda era a mulher da minha vida. Aquela verdade nunca mudaria, estava gravada em mim como uma ferida que o tempo jamais cicatrizaria.

Eu sabia, com uma certeza esmagadora, que nada do que estava sendo dito refletia quem eu realmente sou. Mas, ao mesmo tempo, a dor de ver aqueles rumores se espalharem e contaminar o olhar dos outros sobre mim me fazia sentir como se estivesse me afundando em um abismo de desespero. Então, depois de passar horas demais, perdendo a noção do tempo, observando aquelas idiotices na internet, a angústia foi se tornando insuportável. Eu não sabia mais o que fazer, mas sabia que precisava falar com ela. Precisava, de algum modo, pedir desculpas pela exposição cruel que ela estava sofrendo, por ter seu nome, sua imagem, jogados como se fossem coisas banais, quando ela era uma parte essencial da minha vida.

Mas ao mesmo tempo tive medo de ser ignorado por ela.

O pensamento de saber que aquilo a incomodava, que suas memórias dela e de mim, construídas com tanto cuidado, estavam sendo manchadas por essas mentiras me dilacerava. Saber que eu estava, de alguma forma, contribuindo para a dor dela, era mais do que eu poderia suportar. A vergonha de ser associado a essa exposição me deixava completamente enojado, e as palavras de arrependimento que se formavam na minha garganta pareciam nunca ser suficientes. Eu temia, mais do que qualquer outra coisa, que ela estivesse me odiando naquele momento. Eu temia que, por mais que eu tivesse tentado ser o homem que ela merecia, essas palavras e essas mentiras tivessem criado um abismo entre nós que talvez não tivesse mais volta.

E mesmo que eu soubesse que, se ela realmente me conhecesse ou confiasse em mim, saberia que tudo aquilo era mentira, a dúvida ainda pairava no ar como uma sombra, e a sensação de não saber o que se passava na mente dela, de não poder tocar suas mãos e garantir que tudo ia ficar bem, me consumia por dentro. Eu queria que ela soubesse, mesmo que não fosse mais possível reverter o que tinha acontecido, que eu estava arrependido. Arrependido por não ter feito mais, por não ter protegido o que éramos. E, principalmente, por ainda amar alguém que, por mais distante, ainda era tudo para mim.

Aquilo me embrulhava o estômago de uma forma que eu não sabia como lidar. Como podia ser possível que aquelas pessoas estivessem falando de mim daquela maneira? Com que direito, com que fundamento, estavam me julgando daquela forma cruel? A vergonha era imensa, e uma vergonha que não tinha razão, que não tinha base alguma. Eu estava sendo atacado por algo que eu nunca fiz, e, ainda assim, aquilo me corroía por dentro, como se estivesse pagando por um erro que não cometi.

Amor em Jogo - PiquerezHistórias para pegar e não largar. Descubra agora