Alguns dias se passaram, e Joaquín foi finalmente liberado pelo médico para iniciar a fisioterapia. Ele fazia as sessões em dias alternados da semana, para o corpo ter tempo de descansar e se recuperar. Eu sempre tentava acompanhá-lo, sempre que meu trabalho permitia. Odiava a ideia de deixá-lo ir sozinho. Parecia errado, como se eu estivesse largando um bebê indefeso em um parque movimentado, não porque ele não pudesse se cuidar, mas porque, de alguma forma, eu sentia que minha presença lhe trazia conforto.
Hoje, em específico, era um daqueles dias em que eu poderia estar com ele. Era sábado, e como eu não trabalhava nos finais de semana, tudo se tornava mais fácil. O sol ainda nem tinha se firmado completamente no céu quando me levantei, deixando Joaquín dormir um pouco mais. Ele ficava mais tranquilo quando dormia, sem as dores, sem as expressões tensas que vinham às vezes com a reabilitação.
Movi-me pela casa em silêncio, organizando tudo antes que ele acordasse. Preparei minha bolsa e a dele, colocando cuidadosamente o que poderia precisar: uma troca de roupa caso se sentisse desconfortável depois da sessão, roupa de banho para quando o fisioterapeuta decidisse colocá-lo na banheira terapêutica, e até roupas de frio, porque nunca se sabia quando o tempo resolveria virar.
Nos últimos tempos, ele pegou o hábito de comer algo no carro durante o trajeto. Antes, qualquer lanche rápido servia, mas agora, com a dieta mais restrita, precisava de opções melhores. Então, eu havia começado a preparar algumas coisas para ele. Naquela manhã, fiz sanduíches naturais, escolhendo os ingredientes com cuidado. Montei tudo com calma, embalando os lanches em pequenos pacotes para que ele pudesse comer sem preocupação. Gostava desses momentos, de cuidar dos detalhes. Talvez fossem pequenos gestos, mas, para mim, significavam muito.
Com tudo pronto, dei uma última conferida nas bolsas, certificando de que nada faltava. Joaquín ainda dormia, e por um instante, parei para observá-lo. Havia algo pacífico em vê-lo assim, respirando fundo, sem pressa, sem a necessidade de lutar contra as dores ou os desafios do dia. Eu sabia que logo ele acordaria e que seguiríamos para mais uma sessão, mais um passo nessa jornada que ele enfrentava com uma força silenciosa que eu admirava.
Suspirei e sorri sozinha, já antecipando sua expressão sonolenta e sua reclamação habitual sobre ter que sair cedo. Mas, no fundo, eu sabia que ele se sentia melhor quando eu estava por perto.
E eu não trocaria isso por nada.
Após observá-lo por um tempo, tomei um banho e me troquei. Estava um tempo nublado, mas é claro que estaria, eram quase sete da manhã em São Paulo. Mas não estava frio, muito pelo contrário, o ar era denso e abafado, grudando na pele como um aviso silencioso de que o dia poderia mudar a qualquer momento.
Para me vestir, escolhi algo prático. Um cropped preto e um short biker, leves o suficiente para não sufocar no calor da manhã. Por cima, deixei uma camisa branca social aberta, solta, como uma promessa de frescor. Nos pés, vocês já devem saber... as minhas botinhas da Vans. O relógio no pulso marcava o tempo, mas eu não tinha pressa. Era cedo, e o dia ainda me pertencia.
Depois de me trocar, prendi meu cabelo. Por mais que ele ainda estivesse chegando nos ombros, deixá-lo solto em dias de calor me deixava agoniada, então fiz um meio-preso despretensioso. Algumas mechas escaparam, caindo ao redor do meu rosto, mas eu não me importei, na verdade, gostei do efeito. Criava um equilíbrio entre o arrumado e o natural, como se tivesse sido feito sem esforço, mas ainda assim da maneira certa.
Os fios que emolduravam meu rosto tocavam minha pele de leve, trazendo um ar sutilmente despreocupado. O restante do cabelo descia em ondas suaves, acompanhando o movimento dos meus ombros. Me olhei no espelho e sorri. Era simples, mas combinava comigo.
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Amor em Jogo - Piquerez
Fiksi PenggemarO que fazer quando o seu coração entra em uma partida sem avisar? Clara sempre preferiu viver longe dos holofotes que envolvem a fama de sua mãe, Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Enquanto se dedica aos estudos de publicidade e tenta encontra...
