Lucas havia me dado aquele chá de camomila, e eu apaguei com uma intensidade que nem sabia ser possível depois de tantos dias sem dormir direito. Esqueci completamente do jogo do Palmeiras, que havíamos combinado assistir. No momento em que minha cabeça tocou o travesseiro, fui transportada para um estado de inconsciência tão profundo que parecia ter desligado tudo dentro de mim.
O que me despertou horas depois não foi um alarme, nem mesmo o movimento do amanhecer. Foi a voz de Lucas, sussurrando com um tom que parecia, ao mesmo tempo, cauteloso e urgente:
— Clara, acorda. — sua mão sacudiu meu ombro levemente, mas o peso do sono me manteve grudada na cama.
Resmunguei algo incompreensível e me virei para o lado oposto, puxando o cobertor com força.
— Clara, sério, acorda.
— Lucas, pelo amor de Deus... — minha voz saiu abafada pelo travesseiro. — Não quero saber de quantos gols o Palmeiras levou. Amanhã a gente conversa.
Ele suspirou, mas não desistiu.
— É sério. Preciso falar com você.
Abri um dos olhos, apenas o suficiente para encará-lo com irritação.
— Amanhã. Não faz diferença saber agora se o Abel escalou mal ou se o Rony perdeu gol. Amanhã eu ouço tudo e ainda dou minha opinião.
— Clara, para de enrolar e me escuta.
— Eu não quero saber da derrota do Palmeiras. — atirei o travesseiro em sua direção, mas ele desviou com facilidade. — E amanhã, eu juro que tranco a porta.
— O Joaquín sofreu uma lesão durante o jogo.
Aquelas palavras foram como um soco direto no estômago. O ar ao meu redor pareceu desaparecer, e tudo o que eu conseguia ouvir era o som abafado da minha própria respiração. A mente, que antes estava cheia de pensamentos dispersos e ansiedades banais, se silenciou em um estalo. Meu coração acelerou, o sangue subiu para a cabeça, e, por um momento, o mundo inteiro parou. Eu fiquei ali, paralisada, tentando processar o impacto daquelas palavras.
Eu não queria acreditar. Era impossível. Não podia ser verdade.
— Como assim? Que tipo de lesão? — perguntei, sentindo a ansiedade começar a borbulhar dentro de mim.
— Parece que foi no joelho. — Lucas respondeu, cruzando os braços. Ele não era do tipo que dramatizava, e isso só deixava sua seriedade ainda mais impactante. — Não sei os detalhes.
Minha mente entrou em modo automático. Pulei da cama, atravessando o quarto para pegar a mala, que estava guardada no canto. Enquanto abria o zíper e começava a jogar roupas aleatórias dentro dela, sentia minhas mãos trêmulas, mas continuava com pressa. Era como se meu corpo soubesse o que precisava fazer, mesmo que minha mente estivesse completamente desconectada do processo.
— O que você tá fazendo? — ele finalmente perguntou, embora a resposta fosse óbvia.
— Arrumando minha mala. — respondi rapidamente, sem parar de mexer nas gavetas.
— Clara, são duas da manhã. E temos trabalho amanhã.
— E ele tem a carreira dele em jogo. — rebati, olhando para ele por cima do ombro. — Eu não vou ficar aqui enquanto ele passa por isso sozinho.
Peguei meu celular e liguei para minha mãe. Ela atendeu no terceiro toque, e pela voz cansada, percebi que ela estava preocupada.
— Mãe, me diz como ele está. — falei, tentando manter o tom firme, mas a preocupação transbordava.
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Amor em Jogo - Piquerez
FanfictionO que fazer quando o seu coração entra em uma partida sem avisar? Clara sempre preferiu viver longe dos holofotes que envolvem a fama de sua mãe, Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Enquanto se dedica aos estudos de publicidade e tenta encontra...
