Joaquín Piquerez.
Eu estava quebrado. Destruído. Qualquer palavra semelhante a essas ainda não seria o suficiente para descrever o que eu sentia. Descobrir daquela forma que Clara havia estado com Richard foi pior do que todos os socos que eu havia levado. Mas pior do que isso foi perceber que, se ele não tivesse jogado a verdade na minha cara, eu provavelmente nunca saberia. E esse pensamento doía ainda mais.
Ela jogou fora tudo o que poderíamos ter sido. E o que mais me devastava era que eu confiava nela, de verdade. "Ela nunca faria isso comigo", eu disse para a minha irmã naquele dia em que falamos sobre Clara pela ligação. Essas palavras martelavam incessantemente na minha cabeça, transformando-se em lembranças ácidas que me perseguiam em cada momento de silêncio.
Depois de expulsá-la da minha vida naquele hospital, meu mundo desabou. Não havia um único dia em que eu não chorasse, em que eu não me perguntasse repetidamente o que havia de errado comigo. Por que eu não fui o suficiente? Por que ela fez aquilo? A traição dela me destruiu de formas que eu nunca imaginei serem possíveis. Não era só dor; era um vazio, um sentimento constante de inadequação, de não ser bom o bastante.
Eu entrei em uma espiral. Minha mente era um campo de batalha constante, dividido entre o desejo de confrontar Richard, acabar com ele, acabar com tudo e uma tristeza profunda, quase paralisante, toda vez que pensava nela. E eu pensava nela o tempo todo. Mesmo depois de tudo, eu a amava. E isso me deixava furioso comigo mesmo. Como ela foi capaz?
Minha família tentou me ajudar, mas eu não confiava mais em ninguém. Só conseguia me abrir com minha psicóloga, que recomendou o acompanhamento quando percebeu que a raiva e a dor estavam me consumindo. Eu sabia que precisava de ajuda, mas cada sessão era uma luta para não explodir ou simplesmente desabar.
Clara havia ido embora, eu soube disso. Londres, a trabalho, se bem me lembro. A mãe dela, que às vezes ainda conversava comigo, evitava mencionar o nome da filha, mas algumas informações escapavam. Foi ela quem contou sobre a mudança no cabelo de Clara.
"Ela cortou na altura dos ombros e platinou, uma cor perolada. Ficou lindo, mas eu sinto falta da antiga Clara", ela disse com um suspiro, talvez sem perceber o quanto aquelas palavras me afetaram.
Eu imaginei como ela devia ter ficado. E era exatamente isso que me machucava. Minha imaginação já era o suficiente para me torturar, então recusei educadamente quando a mãe dela quis me mostrar uma foto. Não precisava. Cada detalhe que eu não conhecia sobre a nova Clara parecia um lembrete cruel de que ela estava seguindo em frente.
E eu? Eu ainda a amava. Isso era óbvio, mesmo para mim, embora eu me odiasse por isso. Não havia um único dia em que eu não me achasse um completo idiota por continuar preso ao que fomos. Ela estava em outro continente, provavelmente reconstruindo a vida dela, talvez até com outra pessoa. E eu continuava aqui, desejando desesperadamente que tudo tivesse sido diferente.
Às vezes, me perguntava se havia sido um erro mandá-la embora. Se eu não tivesse feito isso, será que ainda estaríamos juntos? Será que eu conseguiria perdoá-la, mesmo com a dor latejando dentro de mim? A resposta era simples: eu sabia que não conseguiria. Mas, ao mesmo tempo, sabia que nunca seria capaz de ficar longe dela. Porque, apesar de tudo, eu ainda a amava.
Meus amigos tentaram me ajudar, na maneira que sabiam. Algumas noites saíamos juntos, e eles sempre tentavam me empurrar para alguma mulher. Mas não importava quem fosse, eu rejeitava todas. Educadamente, claro. Meu coração ainda era de Clara. Ainda estava preso ao que vivemos, ao que poderíamos ter vivido, e seria injusto com qualquer outra pessoa fingir o contrário.
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Amor em Jogo - Piquerez
FanfictionO que fazer quando o seu coração entra em uma partida sem avisar? Clara sempre preferiu viver longe dos holofotes que envolvem a fama de sua mãe, Leila Pereira, presidente do Palmeiras. Enquanto se dedica aos estudos de publicidade e tenta encontra...
